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01 de março de 2011
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Editorial

Transporte público e desenvolvimento sustentável

A revista Grandes Construções foi conhecer de perto as obras da Linha 4 do metrô carioca, concebido para ligar a Barra da Tijuca, na Zona Oeste da cidade, a Ipanema, no coração da Zona Sul. Mais do que expandir os trilhos do metrô, que caminha a passos lentos no Rio de Janeiro, o projeto tem uma missão da maior relevância: resgatar a imagem do transporte público numa região cuja população possui uma das maiores rendas per capita do estado, e que fez a clara opção pelo transporte individual. Enquanto em toda a cidade do Rio de Janeiro a média é de 3 carros particulares para cada grupo de 10 habitantes, na Barra, a média é de 8 automóveis para cada 10 habitantes.

Longe de ser uma simples opção por um modo de deslocamento, a prioridade pelo transporte individual, em detrimento do coletivo, vem acelerando a degradação da qualidade de vida na região, com longas horas perdidas em congestionamentos quilométricos, aumento das poluições sonora e ambiental, crescimento dos índices de acidentes etc. Pelo ritmo de incremento da frota e pela ocupação acelerada da região, tudo leva a crer no estrangulamento do sistema viário da Barra da Tijuca com um “apagão” dos transportes, em médio prazo.

O fato é que, como consequência da má qualidade dos serviços prestados – falta de confiabilidade e segurança, desconforto, tarifas elevadas, veículos velhos e superlotados e falta de integração entre os diversos modos de deslocamento – o transporte público vem gradativamente perdendo


A revista Grandes Construções foi conhecer de perto as obras da Linha 4 do metrô carioca, concebido para ligar a Barra da Tijuca, na Zona Oeste da cidade, a Ipanema, no coração da Zona Sul. Mais do que expandir os trilhos do metrô, que caminha a passos lentos no Rio de Janeiro, o projeto tem uma missão da maior relevância: resgatar a imagem do transporte público numa região cuja população possui uma das maiores rendas per capita do estado, e que fez a clara opção pelo transporte individual. Enquanto em toda a cidade do Rio de Janeiro a média é de 3 carros particulares para cada grupo de 10 habitantes, na Barra, a média é de 8 automóveis para cada 10 habitantes.

Longe de ser uma simples opção por um modo de deslocamento, a prioridade pelo transporte individual, em detrimento do coletivo, vem acelerando a degradação da qualidade de vida na região, com longas horas perdidas em congestionamentos quilométricos, aumento das poluições sonora e ambiental, crescimento dos índices de acidentes etc. Pelo ritmo de incremento da frota e pela ocupação acelerada da região, tudo leva a crer no estrangulamento do sistema viário da Barra da Tijuca com um “apagão” dos transportes, em médio prazo.

O fato é que, como consequência da má qualidade dos serviços prestados – falta de confiabilidade e segurança, desconforto, tarifas elevadas, veículos velhos e superlotados e falta de integração entre os diversos modos de deslocamento – o transporte público vem gradativamente perdendo prestígio junto à opinião pública, à classe política, às entidades civis e empresariais, e aos próprios usuários.

É fundamental reverter esta situação, o que só se faz com investimentos pesados em projetos sérios que resgatem as vantagens do transporte público e sua condição única como estruturador do desenvolvimento urbano. Mas tais projetos precisam ser tão bons a ponto de estimularem os donos dos carros particulares a deixarem seus veículos nas garagens.

O sucesso deste esforço vai depender de uma série de ações paralelas, envolvendo poder público e iniciativa privada. A começar por uma competente engenharia de tráfego, pelo desenvolvimento de veículos modernos, dotados de tecnologia de ponta e pela adoção de uma matriz energética limpa. Também não se pode prescindir de novos modelos gerenciais que incluam conceitos como integração física com cobertura temporal; da identificação de matrizes de demanda para definição das ofertas de transporte; da construção de uma rede de corredores exclusivos ou prioritários para o transporte coletivo; e, em último caso, da adoção de medidas restritivas ao acesso do carro particular.

O que não dá mais é permitir que o crescimento das cidades brasileiras continue a ser conduzido de forma caótica, pelas necessidades do transporte individual. As mudanças dependem principalmente de um grande esforço político para posicionar o transporte público como a única alternativa para a reestruturação de futuras cidades sustentáveis. O desafio é mobilizar os aliados e a opinião pública para apoiar a prioridade efetiva dos sistemas públicos de transporte, em termos financeiros e operacionais.

A sociedade brasileira e as entidades ligadas ao transporte têm, portanto, grandes desafios a enfrentar no curto prazo até a realização da Copa 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016, sob o risco de pagarmos um mico histórico: o “apagão dos transportes públicos” em rede mundial.

 

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