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16 de novembro de 2010
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Editorial

Transporte ferroviário, uma solução ignorada

Nesta edição, Grandes Construções desenha o cenário da malha rodoviária brasileira, responsável por 60% de todas as cargas que circulam no País e por 90% das movimentações de passageiros, sendo este, por isso mesmo, um dos principais indutores de desenvolvimento do Brasil. Estudo recente, realizado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), que avaliou 90.945 km de rodovias nos mais diferentes pontos do País, aponta para uma melhoria no quadro geral de manutenção – conservação do pavimento, sinalização e geometria viária – da maior parte da malha existente.

A notícia é animadora, mas não podemos deixar de alertar que a logística de um país – principalmente com as dimensões do Brasil – não se faz exclusivamente com um único meio de transporte. Para atender à demanda crescente, gerada pelo aumento da produção nacional e pelas perspectivas de maior participação de produtos brasileiros no mercado mundial, de forma competitiva, é fundamental uma cadeia logística eficiente, que só se constrói com a integração dos diversos modais de transporte. Nesse contexto, o transporte ferroviário tem que crescer em importância na matriz de transporte do País.

Atualmente, a malha ferroviária brasileira totaliza 29.706 km, dos quais 28.476 km estão sob concessão privada desde 1996. Trata-se de uma malha acanhada para um país com as dimensões do Brasil (8.514.876 km2 de área). Para efeito de comparação, a nossa vizinha Argentina, com território de 2.780.400 Km2, tem uma mal


Nesta edição, Grandes Construções desenha o cenário da malha rodoviária brasileira, responsável por 60% de todas as cargas que circulam no País e por 90% das movimentações de passageiros, sendo este, por isso mesmo, um dos principais indutores de desenvolvimento do Brasil. Estudo recente, realizado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), que avaliou 90.945 km de rodovias nos mais diferentes pontos do País, aponta para uma melhoria no quadro geral de manutenção – conservação do pavimento, sinalização e geometria viária – da maior parte da malha existente.

A notícia é animadora, mas não podemos deixar de alertar que a logística de um país – principalmente com as dimensões do Brasil – não se faz exclusivamente com um único meio de transporte. Para atender à demanda crescente, gerada pelo aumento da produção nacional e pelas perspectivas de maior participação de produtos brasileiros no mercado mundial, de forma competitiva, é fundamental uma cadeia logística eficiente, que só se constrói com a integração dos diversos modais de transporte. Nesse contexto, o transporte ferroviário tem que crescer em importância na matriz de transporte do País.

Atualmente, a malha ferroviária brasileira totaliza 29.706 km, dos quais 28.476 km estão sob concessão privada desde 1996. Trata-se de uma malha acanhada para um país com as dimensões do Brasil (8.514.876 km2 de área). Para efeito de comparação, a nossa vizinha Argentina, com território de 2.780.400 Km2, tem uma malha ferroviária maior que a nossa, com 34 mil km de extensão.

Além de pequena, nossa malha ferroviária tem área de cobertura restrita, concentrando-se principalmente próxima ao litoral das regiões Sul, Sudeste e Nordeste. No Centro-Oeste e Norte do País é pequena a presença da ferrovia, que participa na matriz de transporte de carga do Brasil com percentual muito tímido, de 20,86%, considerando o total da carga transportada no País.

As distâncias médias praticadas pelo transporte ferroviário no Brasil se situam abaixo de 600 km. Nos EUA, este valor é de 1350 km. Um fator que impede o maior fluxo de trens em distâncias mais longas é a falta de padronização das bitolas nas conexões das várias malhas sob concessões das diversas operadoras privadas.

Tratando-se de comércio exterior, que em geral requer a combinação de diferentes modais e envolve maiores distâncias a serem percorridas, a escolha dos meios de transporte a serem utilizados deve considerar aspectos que vão além da simples comparação de tarifas de frete. Outros fatores podem ser de grande importância, como valor da mercadoria e custo de estoque, quantidade de carga, urgência de entrega, riscos nas operações inerentes ao deslocamento e custos das tarefas complementares.

As perspectivas do País para os próximos 15 anos apontam para taxas de crescimento superiores às registradas nas últimas décadas, com um aumento do PIB em 5,5%. Existe, no entanto, um grave descompasso entre o crescimento econômico e o investimento em infraestrutura. Produzindo mais, necessariamente o Brasil terá que investir fortemente na infraestrutura de transporte de cargas se quiser ser mais competitivo no acirrado mercado externo. A infraestrutura de transportes está numa situação crítica, dificultando o processo de desenvolvimento. Os resultados positivos da agroindústria, por exemplo, só serão alcançados se houver condições para escoamento da produção com eficiência, confiabilidade e custos compatíveis, destacando a relevância da conclusão das obras da Ferrovia Norte Sul, Leste Oeste e Transnordestina.

O Brasil apresenta excelentes condições para aprimorar sua eficiência logística com base na interconexão dos diversos sistemas de transporte de cargas. Ferrovias, rodovias, hidrovias e aerovias complementam-se, ligadas por terminais, armazéns e, principalmente, por uma visão integrada, voltada para a realidade atual e o cenário futuro.

Mário Humberto Marques
Presidente da Sobratema

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