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03 de setembro de 2012
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Editorial

O pré-sal e o déficit do capital humano

Nesta edição, a Grandes Construções traz matérias que retratam a revitalização da construção naval no Brasil.

Essa indústria, que já foi motivo de orgulho para os brasileiros, nos áureos tempos da década de 1970, quando chegou a gerar cerca de 40 mil empregos, hoje, renasce com força total, através de um massivo investimento do poder público e do setor privado, impulsionada principalmente pela forte demanda da Petrobras por embarcações para a exploração das reservas de petróleo e gás disponíveis na camada do pré-sal. Hoje, já são mais de 60 mil empregos diretos, devendo superar a casa dos 100 mil, num horizonte de curto prazo, até 2016.

As expectativas de crescimento do setor são das mais animadoras. Com o pré-sal, até 2020, a indústria de Óleo e Gás deverá dobrar sua participação no PIB brasileiro, passando de 10% para 20%, o que representará um crescimento médio anual de aproximadamente 2%, segundo cálculos da Associação Brasileira das Empresas de Construção Naval e Offshore (ABENAV).

Acredita-se que as reservas do pré-sal elevarão nossa capacidade de produção além dos 100 bilhões de BOE (Barril de Óleo Equivalente – unidade utilizada para permitir comparar, em equivalência térmica, um volume de gás natural com um volume de óleo). Isso colocará o Brasil entre os países com as maiores reservas do mundo. A Petrobras pretende aumentar a produção de óleo para 6 milhões de barris/dia, mantendo a capacidade superior ao consumo interno.

Para atingir essas metas, a estatal deverá comprar nada menos que 100 unidades de plataformas de produção e sondas de perfuraçã


Essa indústria, que já foi motivo de orgulho para os brasileiros, nos áureos tempos da década de 1970, quando chegou a gerar cerca de 40 mil empregos, hoje, renasce com força total, através de um massivo investimento do poder público e do setor privado, impulsionada principalmente pela forte demanda da Petrobras por embarcações para a exploração das reservas de petróleo e gás disponíveis na camada do pré-sal. Hoje, já são mais de 60 mil empregos diretos, devendo superar a casa dos 100 mil, num horizonte de curto prazo, até 2016.

As expectativas de crescimento do setor são das mais animadoras. Com o pré-sal, até 2020, a indústria de Óleo e Gás deverá dobrar sua participação no PIB brasileiro, passando de 10% para 20%, o que representará um crescimento médio anual de aproximadamente 2%, segundo cálculos da Associação Brasileira das Empresas de Construção Naval e Offshore (ABENAV).

Acredita-se que as reservas do pré-sal elevarão nossa capacidade de produção além dos 100 bilhões de BOE (Barril de Óleo Equivalente – unidade utilizada para permitir comparar, em equivalência térmica, um volume de gás natural com um volume de óleo). Isso colocará o Brasil entre os países com as maiores reservas do mundo. A Petrobras pretende aumentar a produção de óleo para 6 milhões de barris/dia, mantendo a capacidade superior ao consumo interno.

Para atingir essas metas, a estatal deverá comprar nada menos que 100 unidades de plataformas de produção e sondas de perfuração, além de mais de 500 barcos de apoio, mais de 80 petroleiros e muitos outros equipamentos.

Como resultado desse volume de encomenda, a indústria da construção naval e offshore prevê faturar US$ 15 bilhões por ano, o que corresponde ao dobro do que fatura o setor industrial aeronáutico no Brasil, por exemplo.

Mas, se por um lado os bons ventos do desenvolvimento do setor trazem grandes oportunidades, por outro implicam em enormes desafios. A exploração de petróleo na profundidade da camada pré-sal requer tecnologias que ainda não possuímos. As empresas do setor, que pretendem se habilitar a serem provedoras da Petrobras nessa empreitada terão que investir pesado em centros de pesquisas e na qualificação da mão de obra.

Talvez esse seja o mais difícil de todos os desafios: o déficit do capital humano. Mesmo hoje, o setor já enfrenta dificuldades para a contratação de engenheiros e técnicos especializados e, não demora muito, corremos o risco de um apagão de bons profissionais para o setor.

A expectativa é que deverão ser criados mais de 200 mil empregos diretos e indiretos, relacionados ao petróleo nos próximos cinco anos, em todos os níveis médio, técnico e superior, de acordo com o Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Promimp). Mas, de onde virão esses profissionais? Como formar tantos e tão qualificados especialistas em tão pouco tempo? A vinda de técnicos estrangeiros, com conhecimento na área, pode se tornar inevitável para suprir o mercado de exploração e produção de petróleo. Mas é isso que queremos? Seremos reféns desses talentos importados? Até porque, trata-se de uma área estratégica para o Brasil.

Trata-se de uma corrida contra o tempo. Hoje, existem 87 cursos de graduação em petróleo instituições públicas e privadas reconhecidos pelo Ministério da Educação em todo o País, sendo que muitos outros ainda não obtiveram reconhecimento por serem novos no mercado. No entanto, esse número de cursos pode ser pequeno diante das perspectivas de crescimento de demanda da cadeia a médio e longo prazos.

Uma das soluções para esse gargalo pode estar no investimento na criação de centros de pesquisa e extensão, como já vem sendo feito por algumas grandes empresas do setor. Outra saída é a realização de convênios de empresas com universidades para a criação de cursos de excelência.

É necessário que haja uma ampla integração entre autoridades públicas e representantes do setor privado para garantir investimentos conjuntos e efetiva colaboração entre áreas como as de educação, treinamento e capacitação, visando valorizar e estimular os jovens a entrarem nesse segmento, identificando os talentos que terão de ser devidamente capacitados. Mas isto tem de ser “para ontem”.

Paulo Oscar Auler Neto

Vice-presidente da Sobratema

 

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