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15 de outubro de 2010
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Editorial

A "onda verde" e a Indústria da Construção

O Brasil assistiu meio surpreso, no primeiro turno das eleições presidenciais, a demonstração de força política da chamada terceira via do poder, aqui personificada pelo Partido Verde (PV). Correndo por fora da polarização PT/PSDB, ele conquistou nada menos que 20 milhões de votos, ou cerca de 20% dos votos válidos. Sem contar com recursos milionários para a campanha, rechaçando rótulos de direita ou de esquerda, a ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, candidata à presidência da República pelo PV, arrebanhou principalmente o público jovem com um discurso orientado para as questões ligadas ao desenvolvimento econômico sustentável, preservação do meio ambiente e para as causas sociais.

Há nesse resultado sinais que precisam ser interpretados e vão além dos interesses partidários. Não é de hoje que a sociedade brasileira vem dando atenção crescente à agenda ambiental e o tema tende a assumir importância cada vez maior junto às novas gerações e eleitores e cidadãos.

As mudanças climáticas geradas pela emissão de gás carbono na atmosfera, como resultado de um crescimento econômico a qualquer custo, deixaram de ser tema de discussões acadêmicas ou científicas e ganharam as ruas, escolas, praças de alimentação nos shoppings etc. Não se discute mais se as mudanças vão acontecer, e sim que providências tomadas para minimizar os danos.

E o que a Indústria da Construção tem a ver com isso? Muito! Por mais que seja um dos principais indutores do desenvolv


O Brasil assistiu meio surpreso, no primeiro turno das eleições presidenciais, a demonstração de força política da chamada terceira via do poder, aqui personificada pelo Partido Verde (PV). Correndo por fora da polarização PT/PSDB, ele conquistou nada menos que 20 milhões de votos, ou cerca de 20% dos votos válidos. Sem contar com recursos milionários para a campanha, rechaçando rótulos de direita ou de esquerda, a ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, candidata à presidência da República pelo PV, arrebanhou principalmente o público jovem com um discurso orientado para as questões ligadas ao desenvolvimento econômico sustentável, preservação do meio ambiente e para as causas sociais.

Há nesse resultado sinais que precisam ser interpretados e vão além dos interesses partidários. Não é de hoje que a sociedade brasileira vem dando atenção crescente à agenda ambiental e o tema tende a assumir importância cada vez maior junto às novas gerações e eleitores e cidadãos.

As mudanças climáticas geradas pela emissão de gás carbono na atmosfera, como resultado de um crescimento econômico a qualquer custo, deixaram de ser tema de discussões acadêmicas ou científicas e ganharam as ruas, escolas, praças de alimentação nos shoppings etc. Não se discute mais se as mudanças vão acontecer, e sim que providências tomadas para minimizar os danos.

E o que a Indústria da Construção tem a ver com isso? Muito! Por mais que seja um dos principais indutores do desenvolvimento no País, o setor figura, também, no topo do ranking das atividades geradoras de grandes passivos ambientais. Por isso não pode ficar omissa nessa discussão. Ao contrário, tem que tomar a dianteira, assumindo sua parcela de responsabilidade, buscando diálogo e articulação com os mais amplos setores da sociedade – incluindo o poder público, setores produtivos e comunidade acadêmica –, na proposição de soluções.

Precisa investir no desenvolvimento de mecanismos que minimizem as emissões de gases de efeito estufa em toda a sua cadeia produtiva; que reduzam ao máximo o uso da madeira (abolindo totalmente o emprego da madeira não certificada); promover o consumo racional da água, a eficiência energética dos edifícios; estimular a adoção da energia solar, a eliminação do desperdício e a correta destinação dos resíduos que gera.

Merece destaque a ‘Carta Aberta ao Brasil sobre Mudanças Climáticas’ tornada pública por alguns dos maiores grupos empresariais brasileiros, entre outros, Andrade Gutierrez, Odebrecht, Camargo Correa, Votorantim, Vale, CBMM. Esta ação conjunta estabeleceu que os grupos empresariais signatários do documento estão comprometidos com a redução das emissões globais de gases de efeito estufa (ver a íntegra do documento no nosso site).

Na Europa já se estuda a obrigatoriedade de prédios com consumo zero de energia já em 2018. Nos Estados Unidos, isso pode se tornar realidade em 2030. Todo mundo está correndo nessa direção. Enquanto isso, no Brasil, ainda caminhamos a passos lentos. Há no Congresso Nacional cerca de 80 projetos de lei engavetados, com propostas sobre o assunto. E se depender desses projetos perderemos o bonde da história rumo a esta nova ordem. Cabe a cada um dos envolvidos neste processo – da indústria de máquinas, equipamentos, serviços e insumos às grandes, pequenas e médias construtoras – assumir sua responsabilidade na formação de uma nova cultura de sustentabilidade no setor da construção, mudando a forma de elaborar grandes projetos de edificações, a habitação popular, o planejamento urbano e a infraestrutura do País.

Trata-se de uma profunda mudança de cultura, que vai até o desenvolvimento de novas e modernas tecnologias e métodos construtivos, mas começa no repensar de hábitos simples, diários, que geram pequenos desperdícios de recursos naturais.

Entidades como Sinduscon-SP, por meio de sua vice-presidência de Meio Ambiente, tem tratado o tema de forma séria, com iniciativas como a criação da etiqueta de eficiência energética para edificações comerciais, de serviços e públicas. Multiplicar, por todo o País, ações deste tipo pode fazer, para a Indústria da Construção a grande diferença entre ser uma grande vilã nesta história ou protagonista de um processo de transformação rumo ao desenvolvimento sustentável.

 

Mário Humberto Marques
Presidente da Sobratema

Confira a íntegra da 'Carta Aberta ao Brasil sobre Mudanças Climáticas'

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