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14 de outubro de 2010
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Entrevista

Pode faltar cimento no Brasil?

Marcelo Chamma, diretor Comercial da Votorantim, garante que investimentos maciços realizados pela indústria afastaram esse fantasma

O cimento é o segundo produto mais consumido no mundo, perdendo apenas para a água. E no momento em que o Brasil inicia um novo ciclo de desenvolvimento, tendo a indústria da construção como uma das principais molas propulsoras, o insumo passa a ter uma importância ainda maior. Cresce também o temor que volta e meia passa pela cabeça dos principais envolvidos na cadeia de produção do setor: a indústria nacional de cimento teria fôlego suficiente para abastecer o País, nesse momento de aquecimento de mercado?

O receio não é infundado. Em 2008 chegou a faltar o produto em regiões onde houve um salto súbito de crescimento de demanda, como o Nordeste do País. Na ocasião, a indústria se mobilizou para deslocar estoques, mas foi inevitável a importação do insumo (ver matéria nesta edição). O problema só não se agravou porque veio a crise da economia mundial, trazendo uma pequena retração nos projetos em andamento, dando à indústria do cimento tempo para recuperar o fôlego.

Agora, com a retomada do ritmo de crescimento, o fantasma do desabastecimento volta a assombrar. Marcelo Chamma, diretor Comercial da Votorantim, garante, no entanto, que não há motivos para temor. Ele afirma que a experiência de 2008 serviu de alerta para que fossem acelerados os investimentos necessários para que não falte cimento no País. Só a Votorantim, líder de vendas no mercado brasileiro, com uma participação de 41% no mercado, está investindo R$ 5 bilhões na ampliação da sua capacidade instalada e no desenvolvimento de novas tecnologias, como parte de um programa de ação até 2013.

Grandes Construções – O Brasil vive um novo ciclo de desenvolvimento, que se espera duradouro e sustentável, no qual a indústria da Construção Civil ocupa papel muito importante, tanto como um dos indutores desse desenvolvimento, quanto como responsável pela execução dos projetos de infraestrutura indispensáveis para esse desenvolvimento. Nesse contexto surge uma preocupação que se iniciou já há cerca de dois anos: existe a possibilidade da falta de cimento para o atendimento dessa grande demanda por insumos para a construção?

Marcelo Chamma – Não existe esse risco. De fato essa preocupação ocorreu em 2008, porque a indústria do cimento se caracteriza por demandar capital intensivo e longo período de maturação dos investimentos. Além disso, a indústria sempre conviveu


O cimento é o segundo produto mais consumido no mundo, perdendo apenas para a água. E no momento em que o Brasil inicia um novo ciclo de desenvolvimento, tendo a indústria da construção como uma das principais molas propulsoras, o insumo passa a ter uma importância ainda maior. Cresce também o temor que volta e meia passa pela cabeça dos principais envolvidos na cadeia de produção do setor: a indústria nacional de cimento teria fôlego suficiente para abastecer o País, nesse momento de aquecimento de mercado?

O receio não é infundado. Em 2008 chegou a faltar o produto em regiões onde houve um salto súbito de crescimento de demanda, como o Nordeste do País. Na ocasião, a indústria se mobilizou para deslocar estoques, mas foi inevitável a importação do insumo (ver matéria nesta edição). O problema só não se agravou porque veio a crise da economia mundial, trazendo uma pequena retração nos projetos em andamento, dando à indústria do cimento tempo para recuperar o fôlego.

Agora, com a retomada do ritmo de crescimento, o fantasma do desabastecimento volta a assombrar. Marcelo Chamma, diretor Comercial da Votorantim, garante, no entanto, que não há motivos para temor. Ele afirma que a experiência de 2008 serviu de alerta para que fossem acelerados os investimentos necessários para que não falte cimento no País. Só a Votorantim, líder de vendas no mercado brasileiro, com uma participação de 41% no mercado, está investindo R$ 5 bilhões na ampliação da sua capacidade instalada e no desenvolvimento de novas tecnologias, como parte de um programa de ação até 2013.

Grandes Construções – O Brasil vive um novo ciclo de desenvolvimento, que se espera duradouro e sustentável, no qual a indústria da Construção Civil ocupa papel muito importante, tanto como um dos indutores desse desenvolvimento, quanto como responsável pela execução dos projetos de infraestrutura indispensáveis para esse desenvolvimento. Nesse contexto surge uma preocupação que se iniciou já há cerca de dois anos: existe a possibilidade da falta de cimento para o atendimento dessa grande demanda por insumos para a construção?

Marcelo Chamma – Não existe esse risco. De fato essa preocupação ocorreu em 2008, porque a indústria do cimento se caracteriza por demandar capital intensivo e longo período de maturação dos investimentos. Além disso, a indústria sempre conviveu com períodos em que havia mercado, mas não havia garantias de que esses mercados se manteriam aquecidos, justificando investimentos pesados na cadeia de produção. Por isso, a indústria do cimento como um todo sempre sofreu com a falta de segurança na existência de mercado futuro (e por um longo período) capaz de justificar os investimentos. Em 2008 tivemos um pequeno risco de desabastecimento porque houve um grande salto de consumo repentino, um aquecimento rápido do mercado. Esse risco foi superado em parte por um grande esforço da indústria em buscar soluções, e em outra parte porque logo em seguida veio a crise mundial da economia, que se refletiu no Brasil, freando boa parte dos investimentos.

Mas já naquele momento a indústria do cimento havia acordado para a possibilidade de aumento de demanda do mercado e já estava em curso uma série de programas de investimentos no aumento da capacidade produtiva. Só que esses investimentos ainda não estavam maduros.

GC – Qual o tempo médio para a construção de uma unidade de produção de cimento, no Brasil?

Marcelo Chamma – Dois anos e meio é um prazo considerado normal para se iniciar um projeto até o início da operação de uma unidade. O que aconteceu foi que em 2008 estavam em curso investimentos que só ficariam prontos em 2009. De fato, novas fábricas entraram em produção no ano passado, e outras estão em construção ou em projeto.

GC – Então pode-se dizer que a ameaça de desabastecimento de 2008 serviu de alerta para a indústria do cimento no Brasil?

Marcelo Chamma – Exatamente. Os riscos que existiram, a indústria soube superar, fazendo pequenas importações. Nós da Votorantim, por exemplo, fizemos uma importação pequena, para o tamanho do mercado, porém necessária para atender especificamente uma região do Nordeste, enquanto uma fábrica nova, em obra, não entrava em operação. Por tudo isso, eu diria que foi uma experiência que serviu de alerta, felizmente não ocorreram problemas graves e a indústria aprendeu com a experiência. A Votorantim, especificamente, deu início a um programa amplo de investimentos para atender à crescente demanda do mercado nesses novos tempos.

GC – Quais as metas desse programa de investimentos?

Marcelo Chamma – De 2007 até hoje nós inauguramos nove fábricas novas no Brasil, temos cinco novas unidades em construção nesse momento e temos projetos para a instalação de mais oito novas unidades. Ou seja, a meta é termos 22 novas fábricas, de 2007 a 2013.

GC – Essas novas fábricas irão se somar a quantas já existentes?

Marcelo Chamma – Elas irão se somar a 15 já existentes. Nós vamos ficar, portanto, com um parque industrial de 37 fábricas de cimento no Brasil.

GC – Qual o volume de recursos a serem investidos nesse período, até 2013?

Marcelo Chamma – Serão cerca de R$ 5 bilhões.

GC – Qual a capacidade instalada do Votorantim hoje e para quanto passará com a conclusão desse plano de investimentos?

Marcelo Chamma – Hoje nós temos a capacidade de produção de 26 milhões de toneladas/ano e, ao término desse programa de investimentos, vamos estar com uma capacidade de 35 milhões de toneladas.

GC – A indústria da construção demanda, cada vez mais no Brasil, de soluções para a execução de grandes projetos, em um ciclo de produção cada vez mais rápido, do ponto de vista da execução das obras. A Votorantim está pronta para oferecer respostas a esta demanda, que não é só de quantidade, mas de qualidade?

Marcelo Chamma – Certamente que sim. É bom salientar que boa parte desses investimentos será destinada à pesquisa e desenvolvimento de Novas tecnologias. A Votorantim sempre fez investimentos maciços nesta área. Temos o maior centro de tecnologia do setor, no País. Quando nós projetamos uma fábrica nova, temos a preocupação de dimensioná-la de acordo com o perfil das necessidades do mercado que ela irá abastecer. Cada mercado tem as suas características e nós desenhamos cada fábrica de acordo com essas características e com as suas potencialidades. Isso significa que cada fábrica nossa está adequada em termos tecnológicos, não só no que diz respeito ao produto final, como também à produção, distribuição e gestão. É importante não só ter um bom produto, mas fazer com que esse produto chegue ao cliente, ao mercado, no momento em que ele deseje, no tipo de embalagem que ele deseje. Temos que planejar que tipo de transporte ele necessita, temos que ter uma boa estrutura de distribuição para que o produto chegue ao cliente final sem gerar nenhuma forma de preocupação para esse cliente.


CG – O senhor tocou numa questão importante. Sabemos que o Brasil dispõe de uma estrutura logística precária. A ferrovia participa da matriz de transporte do País em proporções bem pequenas. A maior forte fica por conta de uma malha rodoviária que carece de manutenção e de obras de modernização. Muitos setores produtivos, no Brasil, são prejudicados, na sua competitividade, por esse cenário. Fala-se até no risco de um apagão logístico, nos próximos anos. Como a Votorantim estrutura sua logística de distribuição para todo o território nacional?

Marcelo Chamma – Essa é uma questão muito relevante. Diariamente nós mobilizamos uma frota de mais de 5 mil caminhões para levar nossos produtos a todos os lugares no Brasil. Por conta dessas limitações nós encontramos certas dificuldades em abastecer regiões mais distantes e até mesmo para exportar nossos produtos. Mas, além da necessidade de investimentos na manutenção da malha existente, o que se observa, nesses períodos de pico de desenvolvimento, é o aumento da demanda por veículos pra o transporte. Com o enriquecimento da sociedade ocorre um aumento de consumo de alimentos, bens de consumo, remédios, máquinas, etc. E tudo isso precisa ser transportado.

O que notamos é que o transporte de cimento tem que concorrer com o transporte desses outros bens, e que não há veículos suficientes. O resultado é o aumento do frete, que incide sobre o valor final do produto. E o cimento é um produto de muito volume e baixo valor por quilo, ou seja, ele tem baixo valor agregado e tem que ser transportado em grandes volumes.  Nesses casos, qualquer aumento nos custos do transporte se faz sentir fortemente no custo do produto.

CG – Isso quer dizer que o cimento seria uma carga típica para o transporte ferroviário, se tivéssemos uma malha ferroviária com boa cobertura do território nacional?

Marcelo Chamma – Certamente. Daí seria necessária ainda uma malha rodoviária mais fina, para levar o produto dos terminais ferroviários aos garndes centros de distribuição, mas infelizmente temos uma malha ferroviária muito aquém do necessário e o Brasil ainda é um país que depende muito do transporte rodoviário. E isso gera não somente um aumento no custo do transporte como também a dificuldade na contratação dos veículos pra o transportem, causando um transtorno para os clientes.

GC – Em que regiões essas dificuldades se manifestam de maneira mais severa?

Marcelo Chamma – Principalmente no Nordeste, onde se tem registrado taxas de crescimento mais acentuadas neste período. Em parte porque esta é uma região onde houve um crescimento represado por muitos anos e em parte porque lá se verificou uma súbita melhoria na qualidade de vida de boa parte da população. Sabe-se que o primeiro sonho do brasileiro é a casa própria. Assim que melhoram de vida, as pessoas buscam ter seus lares. E o Nordeste está experimentando isso.



Consumo de cimento “explode”no Nordeste, exigindo importação

O consumo de cimento em todo o Nordeste, principalmente no estado do Ceará, atinge índices surpreendentes, acima da capacidade de abastecimento para a região, por parte dos fabricantes nacionais. Para evitar o agravamento do problema, a Votorantim, principal fornecedora do produto no Estado, decidiu importar do Vietnã cerca de 300 mil toneladas do produto, embarcadas em 10 navios, cada um com cerca de 600 mil sacas.

Temendo um agravamento do problema, o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE) elaborou um relatório estimando a quantidade de cimento que suas associadas irão consumir durante o segundo semestre deste ano. O documento foi entregue às duas principais fornecedoras – Votorantim e Nassau.

Segundo a Votorantim Cimentos, a importação do cimento foi uma medida paliativa para suprir a necessidade do produto no Ceará de maneira rápida e eficaz. A empresa descartou a possibilidade de tornar a importação um recurso usual, já que os custos com a importação são muito altos, podendo representar um acréscimo de R$ 1,90 ao preço do saco de cimento.

De acordo com o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (Snic), o Estado do Ceará consumiu 1,437 milhão de toneladas do produto em 2009, o equivalente a uma média de 120 mil toneladas/mês. O estado é hoje o terceiro maior mercado do Nordeste, ficando atrás apenas da Bahia e de Pernambuco.

Ainda de acordo com a entidade, o consumo de todo no Nordeste somou pouco mais de 10 milhões de toneladas, no mesmo período, o que representou um crescimento de 7,2% em relação a 2008. Enquanto o consumo no Nordeste “explodia”, no restante do País ele se manteve em crescimento residual, registrando um incremento de apenas 0,2%, ou seja, cerca de 51,6 milhões de toneladas.

Atualmente, a produção das duas fábricas do grupo dedicadas ao fornecimento do Ceará e região não está mais suportando a demanda. Uma está situada em Pecém e outra em Sobral, produzindo, juntas, cerca de 120 mil toneladas por mês. Para atender a demanda da região a Votorantim anunciou a construção de uma nova fábrica na cidade de Baraúna (RN), no Vale do Jaguaribe, com capacidade para produzir 110 mil toneladas mensais, com previsão de entrada em operação em 2011. Há ainda o projeto de instalação de outras fábricas no Ceará, na Bahia e no Maranhão. Com a construção, o grupo prevê colocar no mercado mais de 10 milhões de toneladas de cimento produzido, elevando assim a capacidade total da companhia para 42 milhões de toneladas.

Ainda para ampliar a capacidade de produção, em 2009 a Votorantim concluiu os projetos de expansão com fábricas integradas em Xambioá (TO) e Porto Velho (RO), além de novo forno de pozolana em Nobres (MT).

Para 2010, está prevista a entrada em operação de novas fábricas em Vidal Ramos (SC) e Sepetiba (RJ.

A Votorantim Cimentos está entre os dez maiores players globais de cimento, concreto e agregados. No Brasil, no ano de 2009, o grupo obteve receita líquida de R$ 7,7 bilhões. A empresa conta com 11 mil funcionários.

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