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18 de maio de 2018
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Entrevista

Os melhores ventos do mundo

Por Paulo Espírito Santo

O Brasil subiu mais uma posição no Ranking de capacidade instalada de energia eólica, elaborado pelo GWEC – Global World Energy Council, e agora ocupa o oitavo lugar, ultrapassando o Canadá. O dado foi divulgado no “Global Wind Statistics 2017”, documento anual com dados mundiais de energia eólica, que mostra que, em 2017, foram adicionados 52,57 GW de potência eólica à produção mundial, totalizando 539,58 GW de capacidade instalada. Análises comparativas, realizadas por diversos organismos internacionais, revelam que a energia eólica é hoje a tecnologia com preços mais competitivos em muitos mercados pelo mundo.

Outra novidade no setor da energia sustentável em todo o mundo é o surgimento dos parques híbridos, com energia eólica e solar. “Nesses parques geradores se verifica um gerenciamento de grid mais eficiente e são usadas tecnologias de armazenamento cada vez mais acessíveis, antecipando como será um setor de energia completamente livre de combustíveis fósseis", avalia Steve Sawyer, Secretário Geral do GWEC.

No ranking de nova capacidade instalada no ano, o Brasil está em sexto lugar, tendo instalado 2,02 GW de nova capacidade em 2016. Nesta categorização, o Brasil caiu uma posição, já que o Reino Unido subiu do nono para o quarto lugar, instalando 4,27 GW de capacidade de energia eólica em 2017. “Neste ranking, o que conta é o resultado específico do ano, então há bastante variação. Em 2012, por exemplo, estivemos em oitavo lugar e em 2015, ano de instalação recorde até agora para nós, estivemos em quarto lugar. A tendência é que a gente ainda oscile mais, visto que em 2019 e 2020 nossas instalações previstas são menores porque ficamos sem leilão por quase dois anos no período 2016/2017, o que vai se refletir no resultado de 2019 e 2020”, explica Elbia Gannoum, Presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica).

Nessa entrevista, Elbia revela que o Brasil tem um dos melhores ventos do mundo para produção de


O Brasil subiu mais uma posição no Ranking de capacidade instalada de energia eólica, elaborado pelo GWEC – Global World Energy Council, e agora ocupa o oitavo lugar, ultrapassando o Canadá. O dado foi divulgado no “Global Wind Statistics 2017”, documento anual com dados mundiais de energia eólica, que mostra que, em 2017, foram adicionados 52,57 GW de potência eólica à produção mundial, totalizando 539,58 GW de capacidade instalada. Análises comparativas, realizadas por diversos organismos internacionais, revelam que a energia eólica é hoje a tecnologia com preços mais competitivos em muitos mercados pelo mundo.

Outra novidade no setor da energia sustentável em todo o mundo é o surgimento dos parques híbridos, com energia eólica e solar. “Nesses parques geradores se verifica um gerenciamento de grid mais eficiente e são usadas tecnologias de armazenamento cada vez mais acessíveis, antecipando como será um setor de energia completamente livre de combustíveis fósseis", avalia Steve Sawyer, Secretário Geral do GWEC.

No ranking de nova capacidade instalada no ano, o Brasil está em sexto lugar, tendo instalado 2,02 GW de nova capacidade em 2016. Nesta categorização, o Brasil caiu uma posição, já que o Reino Unido subiu do nono para o quarto lugar, instalando 4,27 GW de capacidade de energia eólica em 2017. “Neste ranking, o que conta é o resultado específico do ano, então há bastante variação. Em 2012, por exemplo, estivemos em oitavo lugar e em 2015, ano de instalação recorde até agora para nós, estivemos em quarto lugar. A tendência é que a gente ainda oscile mais, visto que em 2019 e 2020 nossas instalações previstas são menores porque ficamos sem leilão por quase dois anos no período 2016/2017, o que vai se refletir no resultado de 2019 e 2020”, explica Elbia Gannoum, Presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica).

Nessa entrevista, Elbia revela que o Brasil tem um dos melhores ventos do mundo para produção de energia eólica e que nosso fator de capacidade, que é a medida de produtividade do setor, passa do dobro da média mundial.

Ela fala, ainda, da política de governo para o setor e avalia a capacidade de produção da indústria de equipamentos e insumos, instalada no Brasil, o que, em sua opinião, é prova de maturidade do segmento.

Revista Grandes Construções – Temos acompanhado um constante crescimento do Brasil no ranking mundial de geração de energia eólica. Que condições propiciam este crescimento?

O crescimento da indústria eólica no Brasil é explicado pela ótima qualidade dos nossos ventos e pelo forte investimento realizado pelas empresas nos últimos cinco anos

Elbia Gannoum – A energia eólica tem uma trajetória virtuosa de crescimento sustentável no Brasil, compatível com o desenvolvimento de uma indústria que foi criada praticamente do zero no País. A situação favorável da indústria eólica pode ser explicada pela ótima qualidade dos ventos brasileiros e pelo forte investimento das empresas que, nos últimos cinco anos, construíram uma cadeia produtiva nacional para sustentar os compromissos assumidos e o enorme potencial de crescimento desta fonte de energia, que acreditamos ser o futuro. O potencial de energia eólica no Brasil é de cerca de 500 GW, muito mais do que o País consome atualmente. Considerando que a matriz de geração de eletricidade deve ser diversificada entre as demais fontes de geração e o Brasil tem um baixo consumo de eletricidade per capita, a energia eólica no Brasil ainda possui muitas décadas de desenvolvimento para o futuro.

GC – Quais os obstáculos identificados para que esse crescimento seja mais expressivo e mais acelerado?

O Brasil tem hoje 518 parques, em 12 estados, somando mais de 6.600 aerogeradores em operação

Elbia Gannoum – Hoje é apenas uma questão de a economia voltar a crescer, para que a demanda por energia também cresça e aumente a contratação de nova energia em leilões.

GC – A senhora não concorda que falta uma estratégia de prioridade de governo para o setor? Isso não teria ficado explicitado pelos sucessivos adiamentos dos leilões para novos projetos? Quais os resultados diretos da ausência de regularidade nos pleitos? Isto tem desanimado os investidores internacionais?

Elbia Gannoum – O cancelamento do leilão em 2016 teve a ver com uma questão de demanda em queda por causa da crise econômica. No que se refere ao planejamento, assistimos essa equipe atual do Ministério de Minas e Energia atuar de maneira consistente para instituir uma agenda de leilões anuais, o que permite ao investidor se programar melhor. Outro ponto importante é que o Ministério de Minas e Energia vem declarando, em várias ocasiões, que a expansão da matriz energética se dará por meio da contratação de energias renováveis, como é o caso da eólica, de forma que enxergamos um brilhante futuro para o setor.

GC – O Ministério de Minas e Energia anunciou para 4 de abril um leilão de energia nova. Qual a expectativa da ABEEólica para este novo pleito?

(N.R.: O leilão de energia nova A-4 foi realizado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e resultou na contratação de 39 novos empreendimentos de geração, com potência de 1.024 MW e um deságio médio de 59,07%, sendo considerado um sucesso pelas autoridades governamentais).

Elbia Gannoum – A definição da quantidade a ser contratada é feita pelo governo, por meio da declaração das distribuidoras. De forma geral, o setor trabalha com a expectativa de contratar cerca de 2 GWs de nova energia por ano. Em 2018, é bom lembrar, teremos dois leilões, um A-4 e outro A-6.

GC – Quantos projetos para geração estão hoje habilitados no Brasil?

Elbia Gannoum – Para o próximo leilão do dia 4 de abril existem 931 projetos cadastrados conforme tabela abaixo. Essa quantidade de projetos passará pela análise da Empresa de Pesquisa Energética que habilitará ou não os projetos para participação no leilão.

GC – Quantos parques eólicos e quantas unidades de geradores existem hoje, no País? Isso corresponde a que capacidade instalada de energia eólica, em GW?

Elbia Gannoum – O Brasil tem hoje 13 GW e 518 parques, em 12 estados. São mais de 6.600 aerogeradores em operação. Esse volume representa cerca de 8,3% da matriz energética brasileira.

Considerando o que foi comercializado em leilões, incluindo-se aí os dois leilões realizados em dezembro de 2017, serão mais 213 parques eólicos até 2023, num total de mais 4,8 GW que estão em construção ou contratados. Com novos leilões em 2018, este valor deve aumentar, alterando a curva de previsão para os próximos anos.

GC – Como está o cenário na indústria provedora de equipamentos e insumos para o setor no Brasil? Esse parque industrial é fruto de que volume de investimentos?

Elbia Gannoum – Como ficamos quase 24 meses sem leilões, obviamente a cadeia produtiva enfrentou um freio. A contratação realizada em dois leilões em dezembro de 2017 foi muito importante para trazer novo ânimo e novos contratos para as empresas. No que se refere a investimentos, os cálculos do setor são feitos pela Bloomberg New Energy Finance – BNEF e consideram os valores investidos em toda a cadeia produtiva até os parques. Não temos, portanto, como fatiar apenas para parques ou fábricas. O ano de 2017 encerrou com US$ 3,57 bilhões (R$ 11,5 bilhões) investidos no setor eólico, representando 58% dos investimentos realizados em renováveis (solar, eólica, biocombustíveis, biomassa e resíduos, PCHs e outros) no Brasil. Considerando o período de 2010 a 2017, o investimento é de cerca de US$ 32 bilhões.

GC – Esta tecnologia está mais barata?

Elbia Gannoum – Sim, está ficando mais barata. Recomendo a leitura do relatório “Renewable Power Generation Costs in 2017”, da IRENA, que trata deste tema de uma forma ampla, analisando vários mercados. O trabalho pode ser encontrado aqui.(Opcionalmente, uma fonte alternativa pode ser consultada neste link.)

GC – Qual o nível de dependência do Brasil em relação aos fornecedores internacionais? O Brasil oferece condições para que esses players internacionais se estabeleçam aqui?

Elbia Gannoum – 80% da cadeia produtiva da indústria eólica está no Brasil, gerando empregos e produzindo aqui. Importante mencionar que essa porcentagem de conteúdo produzido localmente é uma imposição do BNDES.

GC – Qual é a configuração desse parque industrial hoje, no Brasil? Quantas são as indústrias, em que segmentos estão inseridas e qual a sua importância na cadeia de geração e distribuição de energia eólica?

Elbia Gannoum – Como dissemos, a cadeia produtiva de eólicas já é 80% nacionalizada. As grandes empresas globais de aerogeradores, por exemplo, se instalaram no Brasil, construíram fábricas e produzem aqui, gerando empregos. No que se refere ao gerador, por exemplo, temos no Brasil fábricas das seguintes empresas: Vestas, GE, Siemens Gamesa, Wobben, WEG e Acciona. Também temos fábricas de pás, de torres e de diversos outros componentes.

GC – Estas indústrias já instaladas no Brasil têm fôlego para atender às demandas atuais e às dos novos parques geradores que deverão sair dos próximos leilões?

Os principais provedores de equipamentos e componentes para a cadeia da geração eólica já estão instalados no Brasil

Elbia Gannoum – Sim, completamente

GC – Como a senhora avalia a capacidade do governo federal elaborar um planejamento para o setor e definir uma política de governo de longo prazo, para que todos os atores deste mercado consigam desenvolver os melhores projetos para o Brasil?

Elbia Gannoum – Acredito que estamos num bom caminho para as energias renováveis. Ainda precisamos avançar em questões relacionadas às disrupções tecnológicas que vem por aí, como baterias, smart grids e a demanda de carros elétricos.

GC – Como a comunidade acadêmica tem contribuído no desenvolvimento de pesquisas e de novas tecnologias, mais eficientes?

Elbia Gannoum – Percebemos uma contribuição bastante consistente. No Brazil Wind Power do ano passado, por exemplo, nós recebemos mais de 80 artigos para análise e 68 foram aprovados para publicação. Todos os aprovados estão no site da ABEEólica.

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