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11 de abril de 2017
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Entrevista

Mais do que otimismo, sinais concretos de recuperação

Bastou a economia dar os primeiros sinais de recuperação, tendo a indústria da construção e o setor de infraestrutura como importantes molas propulsoras, para que grandes players do cenário mundial, que atuam nessas áreas de negócios, voltassem seus olhos e ouvidos para o Brasil. Reconhecido como uma das 10 maiores economias do mundo, mas, paradoxalmente, tão carente de infraestrutura e de outras condições que viabilizem seu desenvolvimento, o país é, por isso mesmo, objeto do desejo de investidores que identificam o seu gigantesco potencial de negócios.

Exemplo disso foi o recente leilão de aeroportos brasileiros, que teve como vendedores consórcios integrados pelas empresas internacionais Vince, da França (Aeroporto de Salvador); a alemã Franport (aeroportos de Porto Alegre e Fortaleza) e a suíça Zurich AG (Aeroporto de Florianópolis). Participaram do certame, ainda, as espanholas AviAlliance, Ana e OHL e a argentina Corporación América.

No segmento de rodovias, os resultados preliminares dos editais de Procedimentos de Manifestação de Interesse (PMIs) para 11 novas concessões, lançadas no ano passado, receberam 314 propostas de estudo, apresentadas por 49 empresas ou consórcios do Brasil e do exterior.

Outra prova irrefutável de confiança na recuperação econômica do Brasil e na cadeia da construção: a Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema) acaba de se associar à Messe München, organizadora da bauma, maior feira mundial de equipamentos para construção, objetivando a cooperação na promoção das principais feiras da Sobratema no Brasil.

O anúncio oficial da parceria foi feito em clima de muito otimismo, em cerimônia que contou com a presença de dezenas de representantes dos principais fabricantes de máquinas e equipamentos e provedores de soluções para a cadeia da construção no Brasil, no dia 15 de março, em São Paulo.

Para a Sobratema, a associação reforça seu papel institucional de “hub” de negócios do setor da construção no Brasil, difusora de conhecimento técnico, de qualificação do profissional e da indústria no mercado brasileiro. Para a Messe München, a cooperação permite ter acesso ao mais importante mercado na América do Sul e reforça sua posição de líder mundial na organização de feiras de negócios, máquinas de construção, bens de capital e de consumo.

Em entrevista coletiva, concedida durante a cer


Bastou a economia dar os primeiros sinais de recuperação, tendo a indústria da construção e o setor de infraestrutura como importantes molas propulsoras, para que grandes players do cenário mundial, que atuam nessas áreas de negócios, voltassem seus olhos e ouvidos para o Brasil. Reconhecido como uma das 10 maiores economias do mundo, mas, paradoxalmente, tão carente de infraestrutura e de outras condições que viabilizem seu desenvolvimento, o país é, por isso mesmo, objeto do desejo de investidores que identificam o seu gigantesco potencial de negócios.

Exemplo disso foi o recente leilão de aeroportos brasileiros, que teve como vendedores consórcios integrados pelas empresas internacionais Vince, da França (Aeroporto de Salvador); a alemã Franport (aeroportos de Porto Alegre e Fortaleza) e a suíça Zurich AG (Aeroporto de Florianópolis). Participaram do certame, ainda, as espanholas AviAlliance, Ana e OHL e a argentina Corporación América.

No segmento de rodovias, os resultados preliminares dos editais de Procedimentos de Manifestação de Interesse (PMIs) para 11 novas concessões, lançadas no ano passado, receberam 314 propostas de estudo, apresentadas por 49 empresas ou consórcios do Brasil e do exterior.

Outra prova irrefutável de confiança na recuperação econômica do Brasil e na cadeia da construção: a Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema) acaba de se associar à Messe München, organizadora da bauma, maior feira mundial de equipamentos para construção, objetivando a cooperação na promoção das principais feiras da Sobratema no Brasil.

O anúncio oficial da parceria foi feito em clima de muito otimismo, em cerimônia que contou com a presença de dezenas de representantes dos principais fabricantes de máquinas e equipamentos e provedores de soluções para a cadeia da construção no Brasil, no dia 15 de março, em São Paulo.

Para a Sobratema, a associação reforça seu papel institucional de “hub” de negócios do setor da construção no Brasil, difusora de conhecimento técnico, de qualificação do profissional e da indústria no mercado brasileiro. Para a Messe München, a cooperação permite ter acesso ao mais importante mercado na América do Sul e reforça sua posição de líder mundial na organização de feiras de negócios, máquinas de construção, bens de capital e de consumo.

Em entrevista coletiva, concedida durante a cerimônia, Collin Davis, diretor Executivo para Feiras de Bens de Capital da Messe München, falou dos objetivos e metas dessa parceria e da confiança que a Messe München e demais empresários alemães depositam no potencial de crescimento do Brasil.

Apesar de tantos sinais de recuperação da economia brasileira já serem claramente percebidos, investir no Brasil ainda implica uma série de riscos, resultados da instabilidade política e da economia, cujo processo de reconstrução plena ainda pode demorar um pouco. Os senhores conheciam esse cenário quando decidiram apostar no mercado brasileiro da construção?

Collin Davis - Sim, nós tínhamos a consciência de que o mercado brasileiro atravessa um momento muito difícil, mas isso não pesou tanto na nossa decisão, porque o acordo com a Sobratema tem perspectiva de longo prazo, vislumbrando os próximos 30 anos. E nós temos certeza de que esse cenário negativo atual vai se reverter e que o Brasil vai voltar a crescer, oferecendo melhores oportunidades de negócios em um futuro próximo.

Esse acordo com a Sobratema tem como objetivo apenas o mercado brasileiro ou a Messe München tem como meta ampliar sua presença em toda a América Latina?

Collin Davis – Nós temos a convicção de que a economia brasileira é a mais forte na América Latina, por isso a nossa estratégia é, de fato, começar por aqui, junto com a Sobratema. Inclusive estamos abrindo uma subsidiária no Brasil. Nós já temos uma experiência no continente, que foi a realização da Conexpo Latin America, em Santiago do Chile, em parceria com a Associação dos Fabricantes de Equipamentos (AEM). Mas foi apenas uma ação de apoio às feiras. Não tinha uma proposta tão efetiva, como é a abertura de uma empresa aqui, com interesses mais fortes neste mercado.

Qual é a participação da Messe München e da Sobratema nessa empresa que está sendo criada no Brasil?

Collin Davis – A empresa que está sendo criada no Brasil é uma subsidiária, que pertence 100% à Messe München. O que existe é um acordo de colaboração entre a Sobratema e essa subsidiária, que implica em uma sociedade nas três feiras já realizadas pela Sobratema: Construction Expo, M&T Expo e a M&T Peças e Serviços. Além dessas três feiras, a Messe München pretende criar novas oportunidades de negócios, com o lançamento de outras feiras, em diferentes setores, no mercado brasileiro.

Que outros segmentos estão sendo prospectados pela Messe München, com a possibilidade de realização de novas feiras?

Collin Davis – Há pelo menos duas áreas de negócios que nos interessam:

a de meio ambiente e a sustentabilidade e esportes. Nas próximas semanas estará desembarcando no Brasil uma delegação da Messe München, para travar contato com representantes da área de esportes no Brasil, inclusive com o Ministério dos Esportes, prospectando as oportunidades de negócios nesta área.

A Sobratema tem uma larga experiência com a realização da feira M&T Expo, que é uma marca consolidada no mercado, reconhecida como a maior feira do setor de máquinas e equipamentos para construção e mineração na América Latina. Em que medida essa parceria com a Sobratema poderá agregar mais valor à M&T Expo, trazendo mais satisfação para os expositores e novidades para o mercado?

Collin Davis – A maior contribuição da organização Messe München será a disponibilização da sua grande cadeia de representantes comerciais em nível mundial. Além de vender as feiras já realizadas pela organização, esses representantes estarão, daqui pra frente, à disposição para vender a M&T Expo e demais feiras da Sobratema, da qual a Messe München passa a ser parceira. Nós vamos acionar todo o poder de venda que temos, distribuído em vários países.

A grande força dessa cadeia de representantes – localizados em países onde existem fabricantes de máquinas e equipamentos para o setor – está no fato de que eles falam o mesmo idioma e compartilham da mesma cultura dos possíveis expositores da M&T Expo, por exemplo. No Canadá, se existe algum expositor em potencial, ele será contatado por um agente de vendas baseado lá mesmo, no Canadá.

Além dessa estrutura, que poderá ampliar a oportunidade de negócios nas feiras, que inovações tecnológicas ou ações de mídia, poderão ser agregadas às feiras da Sobratema para atrair mais visitantes?

Collin Davis – Ainda é cedo para falarmos sobre isso, mas certamente muitas experiências da Bauma poderão ser implementadas na M&T Expo. Para dar apenas um exemplo, poderíamos fazer um trabalho conjunto para atrair todo o grupo de fabricantes de formas e escoramentos, que está pouco presente na M&T Expo, mas que tem forte participação na Bauma. E isso certamente atrairia uma grande parcela de público, interessado neste segmento.

Em janeiro, a Messe München realizou com muito êxito, em Munique, na Alemanha, mais uma edição da BAU, feira líder mundial nas áreas de arquitetura, materiais e sistemas para a construção. Nesse evento foi apresentado um grande portfólio de produtos, serviços e sistemas eletrônicos com conexão sem fio via internet, a serem incorporados a prédios residenciais e corporativos, para melhorar a qualidade de vida das pessoas, dentro do conceito de Smart Home. Esse tipo de tecnologia e esse perfil de expositor podem ser atraídos para a Construction Expo?

Collin Davis – Já existem várias ações conjuntas entre o time da BAU e da Sobratema, voltadas para a Construction Expo. Em uma parte desta feira serão mostradas algumas das inovações apresentadas na BAU. Além disso, traremos para a Construction alguns palestrantes que falarão sobre novas técnicas de construção.

O modelo da Bauma, tanto em Munique quanto na China, adota as exposições de peças, sistemas e máquinas inteiras, distribuídas em espaços separados, definidos, diferentemente do que acontece aqui na M&T Expo. Isso pode ser mudando, resultando em um rearranjo na formatação da M&T?

Collin Davis – Também é cedo para fazermos essa análise, mas o que observamos é que, em cerca de 500 mil m2 da Bauma Munique, por exemplo, o setor de Serviços, ocupa uma área de cerca de 50 mil m2, ou o equivalente a 10% do total. Já na Bauma China, esse mesmo setor ocupa cerca de 50% da área total. É, portanto, uma questão de analisar qual é o perfil no mercado brasileiro, qual a área disponível para exposição, etc.

A presença da Messe München, com uma subsidiária no Brasil, poderá representar uma ponte de intercâmbio, um facilitador, para atrair outras empresas alemãs para o mercado brasileiro?

Collin Davis – A Messe München é uma empresa que pertence 50% ao estado da Baviera e 50% à cidade de Munique. Portanto, é uma empresa do governo alemão. Durante o processo de discussão que antecedeu à formalização da parceria com a Sobratema, nós fomos assessorados por algumas empresas alemãs de consultoria, que nos revelaram a possibilidade de outros players alemães se interessarem em se estabelecer no Brasil, nesse novo cenário.

Hoje o contexto é diferente de quatro anos atrás, quando havia enormes barreiras no comércio entre os dois países.

Existem, também, vários grupos governamentais alemães, interessados nos termos do nosso acordo com a Sobratema, o que poderá resultar no envio de delegações de empresários alemães para o Brasil, acompanhando as nossas feiras aqui e estreitando os contatos com o mercado brasileiro.

No início do mês de março, quando foi feito o anúncio oficial, ao mercado mundial, da parceria da Messe München com a Sobratema, um grupo de empresários do norte da Alemanha – construtores e fornecedores do segmento de formas e escoramentos – se interessou muito por esse acordo.

A participação efetiva da Messe München, na realização das feiras em parceria com a Sobratema, começa já este ano, nos eventos que acontecerão em junho, durante a Semana das Tecnologias Integradas para a Construção, Meio Ambiente e Equipamentos?

Collin Davis – Não. A Messe München do Brasil Feiras Ltda tem apenas uma semana de existência (N.R.: tempo estimado em 15 de março). Portanto, não daria tempo de participarmos das feiras deste ano. Mesmo assim, faremos todo o possível para dar suporte e ajudar à Sobratema em tudo o que estiver ao nosso alcance, para o sucesso desses eventos.

A Messe München já realiza cerca de meia centena de eventos no mundo, nos setores de bens de capital, tecnologia, consumo etc, e este ano adquiriu a Fenestration China, o mais importante evento chinês no segmento de janelas, portas e fachadas. Agora, por fim, firma essa parceria com a Sobratema e passa a deter metade da M&T Expo. A meta da Messe München é ser a maior empresa mundial de eventos industriais?

Collin Davis – O que queremos é crescer de uma maneira razoável e sustentável, dentro do nosso business. Ocorre que na Alemanha nossa capacidade de crescimento está mais ou menos esgotada. Continuar crescendo, para nós, significa sair da Alemanha. Para isso escolhemos países como China, Rússia, Índia, África do Sul e Brasil.

Buscamos nesses países novas parcerias e novos negócios, dentro daquilo que dominamos, nos setores onde vemos potencial. Isso porque, como disse antes, nossos acionistas são o estado da Baviera e a Cidade de Munique. E nós somos rigidamente controlados por eles. É diferente de estar sob o controle de empresas privadas do ramo de feiras, que vendem e compram com maior flexibilidade. As nossas ações têm que passar por um processo muito mais elaborado, muito mais estudado e fundamentado.

No caso da parceria com a Sobratema, foi um processo que levou mais de um ano de análise, até convencermos os participantes do governo da Alemanha.

Além de todas as oportunidades de crescimento da economia brasileira e das perspectivas de recuperação do mercado da construção, existem diferenças culturais bem acentuadas entre Brasil e Alemanha. Para os brasileiros, mais informais e extrovertidos, os alemães são donos de uma percepção da realidade muito mais racional, inflexível e formal. Como os senhores esperam conduzir os negócios aqui no Brasil? A subsidiária brasileira da Messe München será tropicalizada?

Collin Davis – As diferenças são grandes. Os alemães nunca vão deixar de ser alemães nem os brasileiros vão deixar de ser brasileiros. Mas, em um projeto de colaboração mútua como esse, a solução é que as empresas envolvidas acabem achando um meio termo, onde possam ser aproveitadas as boas caraterísticas de cada cultura. Em alguns momentos é bom ser flexível, ao jeito brasileiro. Mas, em outros, é melhor ser disciplinado e metódico, na maneira alemã. Esse aprendizado mútuo certamente trará benefícios para todos.

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