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Grupos se diversificam com menor retorno

Mais de quinze anos depois do início da política de concessões de rodovias à iniciativa privada, os grupos especializados no setor estão diante de um cenário econômico diferente daquele que os atraiu para esse mercado.

Valor

13/11/2012 08h05


Mais de quinze anos depois do início da política de concessões de rodovias à iniciativa privada, os grupos especializados no setor estão diante de um cenário econômico diferente daquele que os atraiu para esse mercado. As altas taxas de retorno proporcionadas pelos contratos dos anos 90 caíram dos quase 20% para um número que hoje fica em torno de 10%. Enquanto o governo federal planeja baixar ainda mais esse número, as empresas estão intensificando a busca por outros negócios. O objetivo é expandir a atuação a mercados que tragam maior rentabilidade.

O movimento é liderado pelo grupo de capital aberto especializado em concessões CCR - controlado por Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e Soares Penido. Criada em 1998 para atuar em

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Mais de quinze anos depois do início da política de concessões de rodovias à iniciativa privada, os grupos especializados no setor estão diante de um cenário econômico diferente daquele que os atraiu para esse mercado. As altas taxas de retorno proporcionadas pelos contratos dos anos 90 caíram dos quase 20% para um número que hoje fica em torno de 10%. Enquanto o governo federal planeja baixar ainda mais esse número, as empresas estão intensificando a busca por outros negócios. O objetivo é expandir a atuação a mercados que tragam maior rentabilidade.

O movimento é liderado pelo grupo de capital aberto especializado em concessões CCR - controlado por Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e Soares Penido. Criada em 1998 para atuar em infraestrutura rodoviária, a companhia já estendeu seu leque de atuação a mobilidade urbana, como metrô, e serviços, como inspeção veicular e fibra óptica.

Renato Vale, presidente da CCR, diz em entrevista ao Valor que a companhia continua a avaliar novas oportunidades de atuação. Atualmente, está conduzindo estudos para entrar no mercado de serviços em logística. "Queremos criar uma lógica de corredores adequados, entrepostos adequados, e atender os interesses do grandes exportadores e importadores", adianta. A ideia é complementar o trabalho da companhia no segmento rodoviário. "Seria um sistema que procure uma maneira de buscar o cliente, despachar, fazer serviços aduaneiros, portos secos... Então tem toda uma lógica de serviços", diz.

Segundo Vale, no entanto, ainda não foi encontrada uma maneira satisfatória de entrar no novo negócio atendendo os interesses da empresa - em termos de rentabilidade e equilíbrio entre os interessados. "Ainda não conseguimos acertar a mão. Mas é um foco nosso", afirma.

A companhia ainda analisa a disputa pelo trem de alta velocidade (TAV) e pelo segmento ferroviário de cargas. Neste último, o alvo é o Programa de Investimentos em Logística, lançado pelo governo federal em agosto e que pretende conceder 12 estradas de ferro à iniciativa privada. A companhia tem interesse como concessionário dos trechos e como operador logístico. "Estamos estudando", diz Vale, que descarta o interesse em portos litorâneos - pois seus controladores se interessam pelo mercado.

A companhia, no entanto, não desistiu das estradas - sua principal fonte de faturamento hoje. Segundo o presidente, o que a CCR procura, como em todos os tipos de investimento, são as taxas maiores. Mas já que o governo pressiona para que as licitações de rodovias busquem preços menores, a CCR venceria cada vez menos licitações no segmento daqui pra frente? "Se houver melhor qualificação e equilíbrio de interesses, vamos participar ativamente. Mas se for um negócio suicida, apertado, desequilibrado, pode ter certeza [que participará menos]", diz ele, que defende uma política de modicidade tarifária e melhor qualificação de concorrentes.

Outro grupo especializado no setor, a Ecorodovias, deu um passo a mais fora do segmento rodoviário neste ano, comprando o Terminal para Contêineres da Margem Direita (Tecondi), em Santos (SP), por aproximadamente R$ 1,3 bilhão. O grupo também está interessado no pacote de portos a ser divulgado pelo governo federal. Além disso, já iniciou estudos sobre os aeroportos de Galeão (RJ) e Confins (MG) com a parceira alemã Fraport.

Mas a companhia ainda diz que seu negócio principal (o chamado "core business") são as rodovias. Prova disso é que a empresa foi a vencedora do último leilão federal do segmento, ocorrido no começo do ano. Mesmo com o retorno calculado pela companhia em 10,47%, praticamente metade dos quase 20% dos contratos dos anos 90, a companhia seguirá apostando no segmento.

"Não foi a qualquer custo, como [seria atuar] em energia. Foi muito focada", diz o presidente da Ecorodovias, Marcelino Rafart de Seras, em entrevista ao Valor. Ele defende que, com a queda do custo de capital no país, a empresa optará por continuar no mercado e aproveitar as taxas mais baixas. "Você tem uma Selic a 7%, então o custo do capital também caiu", defende.

A concorrente Triunfo Participações e Investimentos (TPI) começou reunindo ativos de rodovias concedidas nos anos 90, oriundos da Construtora Triunfo, e hoje tem um portfólio amplo. Para o diretor-presidente da Triunfo, Carlo Alberto Bottarelli, a resposta para os movimentos atuais de diversificação é a procura por margens maiores. "Nas estradas, as pessoas começaram a assumir riscos menores, e com isso cai a rentabilidade. Estamos buscando melhores taxas", resume ele em entrevista ao Valor.

O movimento de diversificação da empresa foi iniciado ainda nos anos 2000, no vácuo de aproximadamente 10 anos de inexistência de licitações de rodovias, e foi impulsionada pela política de não fazer aquisições - e se expandir por meio de licitações. "Muita empresa cresceu comprando ativos, e nós não. Então foi uma necessidade de crescimento", resume.

Tanta diversificação, no entanto, causou estranheza e elevou o nível de endividamento da companhia. Ao final do terceiro trimestre, o nível dívida líquida sobre o caixa era de 3,93 (os analistas consideram como saudável um limite de 3,5 e algumas empresas fixam um limite interno mais baixo que 3,0). As ações apanharam na bolsa por um bom período. Mas hoje, após implementar uma política de comunicação com analistas e acionistas e a contratar o BTG Pactual como formador de mercado, os papéis alcançam os melhores níveis históricos.

Hoje, a companhia atua em estradas, hidrelétricas, terminal portuário e o mais recente investimento no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (São Paulo). À procura de taxas de retorno de pelo menos 8% (real, não alavancado), estuda disputar hidrelétricas no rio Teles Pires, com capacidade instalada de 1100 megawatts e investimento total em torno de R$ 4 bilhões, e de novos terminais portuários.

 

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