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27 de julho de 2014
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Edição Especial Número 50

Trecho Leste do Rodoanel

Maior parte do trecho da via é elevada, construída pelo método do cantitraveller

O trecho Leste do Rodoanel Mario Covas, em São Paulo, é um símbolo dos avanços e dificuldades que o país enfrenta no desafio de melhorar sua infraestrutura. Obra de fundamental importância para a logística de transporte, por facilitar o acesso ao trecho sul do Rodoanel e ao Sistema Anchieta-Imigrantes, e consequentemente ao Porto de Santos e ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, foi parcialmente inaugurada no início do mês de Julho, depois de alguns atrasos e adiamentos. Ainda falta um pequeno trecho e ajustes de sinalização, mas o usuário já começa a experimentar os seus benefícios. Só para se ter uma ideia, o Trecho Leste deverá receber 4,8 mil veículos por dia, dos quais 60% e 70% consistem em veículos pesados e sua execução está estimada inicialmente em R$ 3,2 bilhões.

O Trecho Leste é a terceira parte do Rodoanel Mário Covas, rodovia classe zero, só acessível nos pontos de intersecção com outras rodovias. As pistas Sul e Oeste já foram entregues e o anel rodoviário deve ser concluído só em 2016 - quando será finalizado o Trecho Norte, realizado pelo Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa), estatal do Governo de São Paulo. Dos 43,5 quilômetros do Trecho Leste, 16,8 quilômetros serão de pontes e viadutos, distância superior à Ponte Rio-Niterói.

O traçado do Trecho Leste cruza as áreas de Mauá, Ribeirão Pires, Suzano, Poa, Itaquaquecetuba, Arujá. A previsão inicial era 36 meses de execução, contados a partir da assinatura do contrato com a Artesp, realizada em março de 2011. Mas a obra acabou sofrendo vários revezes que atrasariam esse cronograma.

Por conta desse atraso, a concessionária SPMar  deverá sofrer multas da Artesp (Agência de Transportes do Estado de São Paulo), conforme estipulado em contrato. A empreiteira justificou que, após o início das obras, em agosto de 2011, foram identificadas variações geológicas, interferências não cadastradas, como tubulações, adutoras, antenas e alteração que não estavam previstas no projeto original. Alegou ainda a dificuldade para obtenção de autorizações para avanço de frentes de obras por parte de agentes como Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) e ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres). Em razão desses problemas, a SPMar diz ter solicitado à Artesp prorrogação do prazo de entrega.

Vila elevada construída com sistema portuário

Uma das principais peculiaridades da obra é a ponte de mais 9 km de extensão que se encontra com um viaduto de quase 3 km. Juntos representam quase 1/3 do trecho do Rodoanel Leste. No total são cerca de 12 km de vias suspensas, de um total de 43 km de extensão de todo trecho, passando sobre várzea de rio e áreas urbanas. O trecho foi executado empregando o método do Cantitraveller, comumente empregado na execução de obras portuárias. Trata-se de uma espécie de sistema móvel, equipado com guindaste e ponte rolante, que lança as vigas transversais e longitudinais no solo, consequentemente, como um sistema lego.