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27 de julho de 2014
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Edição Especial Número 50

A energia que vem do Rio Madeira

UHE Santo Antonio abre o caminho para novo ciclo de desenvolvimento na região Norte do país

A Usina Hidrelétrica Santo Antônio (UHE), localizada no rio Madeira, a sete quilômetros de Porto Velho (RO) começou a gerar energia no dia 30 de março de 2012, nove meses antes do cronograma original, com o acionamento de duas das 50 turbinas do tipo Bulbo. O empreendimento, a cargo da Santo Antônio Energia, teve como mérito a adoção de um modelo racional e sustentável de implantação de usina hidrelétrica, levando-se em consideração os impactos ambientais e sociais de um empreendimento de tal porte.

Santo Antonio foi concebido como usina a fio d´agua, que elimina a necessidade de um reservatório, reduzindo significativamente a necessidade de alagamento de áreas, no caminho inverso ao das usinas de Tucuruí (PA) e Itaipu (RS). O reservatório da usina tem aproximadamente 421,56 km², com a cota de 71,3 m, área pouco maior que a área inundada naturalmente nas cheias do próprio rio. Para obter o máximo aproveitamento do potencial dos recursos hídricos com o mínimo impacto na região, a resposta foi a utilização da turbina do tipo Bulbo. Essas unidades geradoras oferecem alta eficiência por ficarem completamente submersas e são capazes de lidar com as grandes variações no fluxo de água, comuns na região Amazônica.

O mesmo modelo seria empregado para usinas construídas posteriormente como Jirau (RO), Teles Pires (MT). Também trouxe a experiência de um planejamento de ações ambientais assim como introduziu pela primeira vez o programa Acreditar – uma força-tarefa que possibilitou a qualificação profissional da população local permitindo que ela absorvesse parte dos empregos gerados pela usina. Mais de 30 mil pessoas passaram pelos cursos, incluindo um percentual de mais de 15% de mulheres, com aproveitamento da mão-de-obra pela usina.

O projeto básico da Hidrelétrica Santo Antônio foi aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), em 2008, e sua construção foi iniciada em setembro do mesmo ano, pela Santo Antônio Energia, empresa que venceu a licitação para implantar o empreendimento e operá-lo ao longo da concessão de 35 anos.

A Hidrelétrica Santo Antônio terminou o ano de 2013 com 1.139 MW de capacidade instalada, contando com 16 turbinas em operação, frente a 626 MW de capacidade instalada e nove turbinas em operação em 2012. O volume vendido passou de 4.267 GWh em 2012 para 12.593 GWh em 2013.  Ao final de 2013, com cinco anos de


A Usina Hidrelétrica Santo Antônio (UHE), localizada no rio Madeira, a sete quilômetros de Porto Velho (RO) começou a gerar energia no dia 30 de março de 2012, nove meses antes do cronograma original, com o acionamento de duas das 50 turbinas do tipo Bulbo. O empreendimento, a cargo da Santo Antônio Energia, teve como mérito a adoção de um modelo racional e sustentável de implantação de usina hidrelétrica, levando-se em consideração os impactos ambientais e sociais de um empreendimento de tal porte.

Santo Antonio foi concebido como usina a fio d´agua, que elimina a necessidade de um reservatório, reduzindo significativamente a necessidade de alagamento de áreas, no caminho inverso ao das usinas de Tucuruí (PA) e Itaipu (RS). O reservatório da usina tem aproximadamente 421,56 km², com a cota de 71,3 m, área pouco maior que a área inundada naturalmente nas cheias do próprio rio. Para obter o máximo aproveitamento do potencial dos recursos hídricos com o mínimo impacto na região, a resposta foi a utilização da turbina do tipo Bulbo. Essas unidades geradoras oferecem alta eficiência por ficarem completamente submersas e são capazes de lidar com as grandes variações no fluxo de água, comuns na região Amazônica.

O mesmo modelo seria empregado para usinas construídas posteriormente como Jirau (RO), Teles Pires (MT). Também trouxe a experiência de um planejamento de ações ambientais assim como introduziu pela primeira vez o programa Acreditar – uma força-tarefa que possibilitou a qualificação profissional da população local permitindo que ela absorvesse parte dos empregos gerados pela usina. Mais de 30 mil pessoas passaram pelos cursos, incluindo um percentual de mais de 15% de mulheres, com aproveitamento da mão-de-obra pela usina.

O projeto básico da Hidrelétrica Santo Antônio foi aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), em 2008, e sua construção foi iniciada em setembro do mesmo ano, pela Santo Antônio Energia, empresa que venceu a licitação para implantar o empreendimento e operá-lo ao longo da concessão de 35 anos.

A Hidrelétrica Santo Antônio terminou o ano de 2013 com 1.139 MW de capacidade instalada, contando com 16 turbinas em operação, frente a 626 MW de capacidade instalada e nove turbinas em operação em 2012. O volume vendido passou de 4.267 GWh em 2012 para 12.593 GWh em 2013.  Ao final de 2013, com cinco anos de construção e 21 meses de operação comercial, a Hidrelétrica Santo Antônio atingiu a marca de quatro milhões de megawatts horas (MWh) gerados, energia suficiente para o consumo de mais de cinco milhões de brasileiros.

Principal característica

A principal característica da Hidrelétrica Santo Antônio é o aproveitamento da alta vazão do rio Madeira para gerar energia com reservatório reduzido e pequena queda d´água. Este modelo de operação da usina, denominado fio d’água – que não faz estoque de água – permite que seu reservatório ocupe apenas 345 km², área pouco superior àquela alagada nos períodos de cheia do rio Madeira e da qual 142 km² correspondem à calha natural do rio.

A antecipação do cronograma foi resultado do planejamento de construção, a partir das margens para o centro do rio, o que permitiu o trabalho simultâneo em ambos os lados do rio Madeira. Além disso, a usina foi dotada de dois vertedouros: um principal, na margem esquerda, e outro complementar, na direita. O primeiro grupo de turbinas começou a funcionar na margem direita (Casa de Força 1), enquanto os demais se encontram nos diversos estágios de construção e montagem, programados para entrar em operação sucessivamente até 2016.

As 50 turbinas da Hidrelétrica Santo Antônio estão distribuídas entre quatro Casas de Força. Duas delas (Casa de Força 2 e 3, cada uma com 12 turbinas) estão localizadas na margem esquerda do rio Madeira. A Casa de Força 1 (primeira a entrar em operação), com 8 unidades, foi construída na margem direita. A Casa de Força 4, com 18 turbinas, está sendo instalada no centro do leito do rio. A Hidrelétrica Santo Antônio possui dois vertedouros que totalizam 18 comportas, dimensionados para permitir a passagem de até 84 mil m³ de água por segundo. Também foi dotada de um avançado Sistema de Transposição de Peixes que, ao reproduzir o habitat natural, permite que as espécies migratórias subam o rio durante a piracema, garantindo a sua reprodução.

Responsabilidade socioambiental

A implantação de projetos ambientais e de sustentabilidade na região impactada pela usina receberá, no total, R$ 2 bilhões de investimentos. O recurso está sendo alocado em Compensação Social e Ambiental e nos 28 programas que constam do Projeto Básico Ambiental (PBA), inclusive o Programa de Remanejamento da População Atingida.

O investimento se concentra no Programa Básico Ambiental (PBA), documento que descreve o conjunto de medidas ambientais adotadas, fruto de seis anos de estudos. O documento reúne 28 condicionantes para o melhor aproveitamento do potencial do Rio Madeira, em condições que respeitam o meio ambiente e a população da região.

Os melhores projetos socioambientais foram selecionados pela empresa e receberam a aprovação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), órgão responsável pelas licenças de instalação e operação da usina. As ações de compensação socioambiental foram formalizadas por meio de Protocolos de Intenções assinados entre a empresa, a prefeitura de Porto Velho e o governo do Estado de Rondônia.

Programa Acreditar

Dentre os avanços experimentados na construção da Usina Hidrelétrica Santo, o Programa Acreditar criou asas. A iniciativa desenvolvida pela Odebrecht capacitou e promoveu a inclusão da população local no mercado de trabalho, e contribuiu para o desenvolvimento socioeconômico da região onde está localizada a usina. Ele surgiu a partir de uma pesquisa, em Porto Velho, que constatou a baixa disponibilidade de mão de obra capacitada para atender à grande demanda que a construção da hidrelétrica geraria.

Ao todo, o Programa já capacitou mais de 42.500 trabalhadores na região e contratou cerca de 29.965 pessoas qualificadas pelo Programa.  O Programa Acreditar conta com 125 mil inscritos em todo o país, mais de 55 mil capacitados e 35 mil contratados. Até maio de 2014, os programas de formação e capacitação profissional receberam investimentos de R$ 375 mil (num total de 8 mil horas/homem treinados) na formação de integrantes em funções estratégicas, tais como administradores, engenheiros, técnicos, gerentes, etc. No exterior, o projeto foi implantado em oito países e o processo foi feito no mesmo formato do programa no Brasil, adaptando às leis e cultura de cada país e à necessidade de cada projeto.