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27 de julho de 2014
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Edição Especial Número 50

Registros de um país em transformação

Revista Grandes Construções comemora cinco anos de existência e 50 edições revisitando 12 grandes obras que marcaram a história recente da Engenharia e da Construção no Brasil

Novembro de 2009. Tudo indicava que o Brasil iniciava um novo ciclo de desenvolvimento sustentável e duradouro. Investidores do mundo inteiro voltavam suas atenções para aquele que era reconhecido como o mais promissor entre os países emergentes, a “bola da vez”. Vários fatores contribuíam para esta avaliação: o País se recuperava com rapidez dos efeitos da crise econômica que contaminou o sistema financeiro mundial; a inflação estava sob controle; os juros e o desemprego se mantinham em trajetória de queda; a concessão de crédito e as reservas internacionais se colocavam em níveis satisfatórios.

Especificamente para a indústria da construção, o momento era promissor. No ano anterior, o setor tinha obtido um crescimento de 8% sobre 2007, muito acima do Produto Interno Bruto (PIB) que, de acordo com o IBGE tinha fechado em 5,1% de alta. As expectativas eram de continuidade do crescimento, já que o Governo federal anunciava a decisão de manter os investimentos em infraestrutura, habitação e saneamento, previstos no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Se tudo isso não bastasse, o Brasil acabava de ser escolhido para sediar os dois maiores eventos desportivos do planeta: a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. Junto com as indicações vinham o compromisso de realização de uma série de obras de grande porte, para recuperação ou construção de estádios e arenas desportivas, bem como na infraestrutura de transporte, mobilidade urbana, saneamento, turismo, energia etc, para as cidades-sede. Estas obras, reconhecidas como legado positivo para os habitantes destas cidades, deveriam gerar grande incremento para toda a cadeia da construção, criando empregos, promovendo desenvolvimento tecnológico, produzindo riquezas para o País.

Foi neste contexto de otimismo que nasceu a revista Grandes Construções. Ela foi lançada pela Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração – Sobratema, com a proposta de se tornar o principal veículo de comunicação do setor, promovendo o conhecimento, difundindo a informação sobre grandes projetos no Brasil e no mundo, novos métodos construtivos, novas tendências, novos equipamentos, estreitando o vínculo entre engenheiros, técnicos e compradores em potencial com as modernas tecnologias e seus fornecedores.

Hoje, cinco anos depois, muito do que era esperado, naquele momento, não se confirmou. As obras das arenas desportivas foram concluídas – muitas das quais com grandes atrasos e estouro nos seus orçamentos. E a maior parte dos 51 projetos que compunham a Matriz de Responsabilidades, compromissos de investimentos assumidos pelo governo brasileiro, como legado da Copa, não foram concluídos.