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27 de julho de 2014
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Edição Especial Número 50

Maracanã: modernizar-se sem perder originalidade

Estádio passa por retrofit sem se descaracterizar para atingir padrão internacional. Inédita no Brasil, cobertura de lona tensionada de fibra de vidro e teflon sustentada por estrutura metálica se destaca no projeto

Templo mundial do futebol, o sexagenário Maracanã passou, entre agosto de 2010 e abril de 2013, pela maior reforma da sua história, a um custo total de R$ 1,05 bilhão. Tudo para que chegasse à Copa do Mundo 2014 como um dos mais modernos do planeta. Para que isso fosse possível, montou-se uma megaoperação de desmontagem de parte do estádio, recuperação estrutural e instalação de nova cobertura. “Essa foi uma das maiores obras de reestruturação do mundo, certamente a maior do Brasil”, afirma Ícaro Moreno Júnior, presidente da Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro (Emop) “Envolveu desafios de recuperação da estrutura anterior, modernização e preservação da arquitetura original externa do estádio, que é tombada. Além disso, pela primeira vez no Brasil se utiliza uma cobertura de lona tensionada com 68 metros de balanço. Um desafio de engenharia”, revela o executivo, lembrando também da pressão do tempo para entrega das obras.

“Tínhamos um cronograma muito enxuto e que não podia ter falha. Além disso, a obra foi uma das mais fiscalizadas do País. Somados aos 19 órgãos fiscalizadores, tínhamos outros atores envolvidos, desde a imprensa nacional e estrangeira, até a comunidade no entorno do estádio, todos atentos a tudo o que acontecia”, afirma Ícaro Moreno Júnior. Durante o pico das obras, em 2013, o número de trabalhadores chegou a 6.500. Ao final da reforma, o Maracanã ficou maior, aumentando de 189 mil m² para 240 mil m² sua área útil. O objetivo da reforma foi manter o máximo possível da arquitetura original, transformando o Maracanã num estádio tão moderno quanto os melhores do mundo, sem contudo descaracterizá-lo. Com isso, o maior desafio técnico foi conciliar a estrutura existente com todas as intervenções necessárias à modernização. Os 180 pilares da estrutura passam por processo de revitalização, assim como as áreas que apresentavam corrosão. Para dar celeridade ao processo, uma central de concretagem, da Holcim, e outra de modelagem, foram montadas no interior do Maracanã. Um terreno ao lado do estádio foi comprado pelo governo do Rio de Janeiro para ser utilizado de bota-fora. Apesar de que, segundo Moreno, boa parte do material retirado das demolições foi utilizada na reconstrução.

A curvatura interna do estádio foi refeita – os dois anéis originais de arquibancada


Templo mundial do futebol, o sexagenário Maracanã passou, entre agosto de 2010 e abril de 2013, pela maior reforma da sua história, a um custo total de R$ 1,05 bilhão. Tudo para que chegasse à Copa do Mundo 2014 como um dos mais modernos do planeta. Para que isso fosse possível, montou-se uma megaoperação de desmontagem de parte do estádio, recuperação estrutural e instalação de nova cobertura. “Essa foi uma das maiores obras de reestruturação do mundo, certamente a maior do Brasil”, afirma Ícaro Moreno Júnior, presidente da Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro (Emop) “Envolveu desafios de recuperação da estrutura anterior, modernização e preservação da arquitetura original externa do estádio, que é tombada. Além disso, pela primeira vez no Brasil se utiliza uma cobertura de lona tensionada com 68 metros de balanço. Um desafio de engenharia”, revela o executivo, lembrando também da pressão do tempo para entrega das obras.

“Tínhamos um cronograma muito enxuto e que não podia ter falha. Além disso, a obra foi uma das mais fiscalizadas do País. Somados aos 19 órgãos fiscalizadores, tínhamos outros atores envolvidos, desde a imprensa nacional e estrangeira, até a comunidade no entorno do estádio, todos atentos a tudo o que acontecia”, afirma Ícaro Moreno Júnior. Durante o pico das obras, em 2013, o número de trabalhadores chegou a 6.500. Ao final da reforma, o Maracanã ficou maior, aumentando de 189 mil m² para 240 mil m² sua área útil. O objetivo da reforma foi manter o máximo possível da arquitetura original, transformando o Maracanã num estádio tão moderno quanto os melhores do mundo, sem contudo descaracterizá-lo. Com isso, o maior desafio técnico foi conciliar a estrutura existente com todas as intervenções necessárias à modernização. Os 180 pilares da estrutura passam por processo de revitalização, assim como as áreas que apresentavam corrosão. Para dar celeridade ao processo, uma central de concretagem, da Holcim, e outra de modelagem, foram montadas no interior do Maracanã. Um terreno ao lado do estádio foi comprado pelo governo do Rio de Janeiro para ser utilizado de bota-fora. Apesar de que, segundo Moreno, boa parte do material retirado das demolições foi utilizada na reconstrução.

A curvatura interna do estádio foi refeita – os dois anéis originais de arquibancada, superior e inferior, deram origem a um apenas, que agora chega a cerca de 14 metros do campo. Assim, os níveis do anel do estádio são separados apenas por uma linha de 110 camarotes, que foram trocados de lugar, saindo do alto do estádio para sua área intermediária. Eles ocupam dois pavimentos, um no lado oeste e outro, no leste, e são climatizados. Cada um tem, em média, 50 m², 25 cadeiras em área descoberta exclusiva, além de banheiro e sala de estar exclusivos. Na montagem dos degraus foram instaladas 2.750 peças pré-fabricadas na nova arquibancada. Ao todo, são 78.838 assentos. Cinco tipos diferentes de assento, com nove tons de azul, amarelo e branco, contrastando com o verde do gramado, foram distribuídos entre arquibancada, cadeiras especiais, camarotes e tribuna de honra.

Segundo a Emop, a setorização permite ao torcedor saber exatamente por onde deve chegar à área da arquibancada, fazendo com que seja mais rápido e cômodo entrar e sair do estádio. O tempo total de entrada e saída do estádio é de oito minutos, conforme determinação da Fifa. Para isso, foram construídas quatro novas rampas de acesso ao longo do anel do estádio e recuperadas e reativadas as duas rampas monumentais (Bellini e Uerj). Há 17 novos elevadores e 12 escadas rolantes. Ao todo foram construídos 292 banheiros e 60 bares em vários pontos dos cinco pavimentos. Os banheiros possuem 1.222 vasos sanitários, 969 lavatórios e 857 mictórios. O campo de jogo é iluminado por 396 refletores (com potência de dois mil watts cada um), eliminando sombras e permitindo uma visibilidade perfeita em qualquer área do campo, segundo a empresa. O gramado foi coberto por 8.900 m² de grama tipo Bermudas (espécie Cynodon Dactylon), a mais indicada para gramados esportivos de clima tropical, por sua resistência e maior capacidade de recuperação. “Foram trabalhadas exaustivamente também as questões da acessibilidade, segurança, conforto e visibilidade”, diz Ícaro Moreno Júnior.

Um dos destaques do novo Maracanã é a cobertura de lona tensionada, sistema inédito no Brasil, que cobre 95% dos assentos – como o estádio possui forme elíptica 5% dos lugares não puderam ser cobertos. Mesmo assim, a área coberta do estádio praticamente dobrou, aumentando de 24.354 m² para 47.350 m². Com vida útil de mais de 50 anos, a nova cobertura é composta por uma membrana tensionada, sustentada por cabos de aço. A maioria das peças é importada, boa parte veio da Suíça e da Espanha, e o método de montagem, alemão. Feita de fibra de vidro e teflon, a lona tem 68 metros de extensão (a cobertura original, de concreto, tinha 30 metros). Segundo a Emop, a membrana é autolimpante, lisa “como o vidro”, e translúcida, possibilitando condições de luz uniforme, inclusive nas áreas superiores das arquibancadas. A instalação da cobertura envolveu um trabalho complexo e detalhado, revela Ícaro Moreno Júnior. “A montagem da estrutura tem de ser feita ao mesmo tempo e não há espaço para erros, já que os cabos vêm pré-tensionados da fábrica. Tudo é milimetricamente calculado, inclusive as folgas, para resistir a velocidade do vento”, explica o presidente da Emop, lembrando que foi um desafio à engenharia brasileira o domínio desse tipo de tecnologia de instalação de cobertura de lona tensionada.

“Com 33 anos de carreira, esse foi meu maior desafio profissional. Apesar de contamos com a assistência de engenheiros alemães para instalação da cobertura, o processo se tornou uma aula de engenharia para os engenheiros brasileiros”, revela Moreno. Para levantamento da cobertura foram necessários 120 macacos hidráulicos importados, que içaram os cabos simultaneamente. A forma lembra a de uma teia de aranha ou de aros de bicicleta. Após conclusão do anel de compressão e do içamento da estrutura metálica da cobertura, deu-se a instalação da membrana que forra o teto do estádio. A técnica inclui soldar todas as partes da lona no local, artesanalmente. Foram necessários alpinistas profissionais para finalizar o processo, revela o presidente da Emop. Na estrutura metálica foram fixados diversos equipamentos, como os quatro telões de alta definição medindo 100 m²  cada um, 78 alto-falantes e os refletores. No total, o teto pesa 3,6 mil toneladas.

Uma passarela, que circunda internamente toda a cobertura e acessada por outras quatro menores, é utilizada para serviços de manutenção. A estrutura é dotada também de uma rede de drenagem pluvial. De acordo com o projeto, cerca de metade da água da chuva que cair sobre a cobertura será captada e drenada por meio de 60 calhas de concreto por um sistema de sucção a vácuo. A água, então, seguirá para dois reservatórios subterrâneos com filtros para tratamento e posteriormente será direcionada aos banheiros e à irrigação do gramado. A antiga cobertura de concreto foi totalmente demolida e o entulho resultante foi triturado e utilizado para formar a base para instalação dos guindastes. Para sua remoção – etapa que durou cinco meses – o consórcio responsável pelas obras (composto pelas empresas Andrade Gutierrez e Odebrecht) lançou mão de guindastes da Liebherr, de grande porte.

De acordo com a Emop,.o Maracanã se tornou um edifício moderno e sustentável, que inclusive busca a certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), sistema de classificação de sustentabilidade ambiental e social para edificações desenvolvido pela United States Green Building Council, utilizado em 143 países. No total, o Maracanã ganhou 31 mil m² de área climatizada. Um prédio inteligente, com sala de controle acionando eletronicamente todo o sistema de funcionamento do estádio e monitorando através de 383 câmeras a movimentação do público. O estádio economizará mais de 8% de energia com o novo sistema elétrico, que prevê a automação e controle de elevadores, escadas rolantes, ventilação e iluminação dos ambientes (23 mil luminárias LED). A modernização da parte hidráulica permitirá 30% na redução do consumo de água e mais de 50% no consumo de água potável para irrigação no campo.

Um dos destaques do projeto, segundo o presidente da Emop, foi minimizar o impacto no entorno do Maracanã, uma vez que ele está encravado em uma das áreas urbanas mais movimentadas do Rio. Cerca de 25 mil pessoas passam pelas imediações do estádio. Foram feitas diversas reuniões com a comunidade local. Estabeleceu-se que o barulho das obras, que avançavam noite a dentro, não poderiam ultrapassar 40 decibéis. Além disso, os caminhões que circulavam para fora do canteiro tinham suas rodas lavadas para evitar lançamento de poeira. Como contrapartida dos transtornos da obra, a área de lazer no lado de fora do estádio, muito utilizada pela comunidade, foi ampliada. “Esse espaço mais do que dobrou. As pessoas que se utilizam do local terão muito mais conforto em seu lazer porque a área foi reurbanizada”, afirma Ícaro Moreno Júnior.

Curiosidades sobre a obra

Refeições servidas em um dia de trabalho: 7.500

Pãezinhos servidos em um dia de trabalho: 12 mil

Quantidade de carne servida em um dia de trabalho: 1,5 tonelada

Número de trabalhadores (pico das obras): 6.500, sendo 270 mulheres

Número de alpinistas que ajudaram a erguer a nova cobertura: 30

Turnos da obra: das 7h às 17h e das 18h às 5h

Pessoas que visitaram as obras de reforma: cerca de 3.500