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11 de setembro de 2014
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Matéria de Capa - Construção Imobiliária

Juventude eterna

Técnicas de Retrofit são usadas para revitalizar edifícios, preservando seus aspectos arquitetônicos originais e adaptando-os às exigências e padrões atuais de conforto, funcionalidade e sustentabilidade

Os anos avançam, as sociedades mudam e as cidades se transformam. Nem sempre para melhor, é verdade. Com o passar dos anos, muitas das edificações antigas deixaram de acompanhar as transformações da cidade e perderam sua funcionalidade. Mesmo aquelas cujos projetos arquitetônicos são representativos de uma época, e que possuem elevado valor estético. São joias raras que precisam ser preservadas, mas que já não se ajustam ao modelo de vida nas cidades modernas. Quem poderia imaginar, por exemplo, que em 1920, ao construir um prédio em estilo art déco, no centro de São Paulo, seria prudente projetar rampas e elevadores largos, prevendo uma futura demanda da sociedade por acessibilidade para pessoas cadeirantes ou com outras limitações de locomoção? Ou que este mesmo prédio, para se enquadrar em futuros conceitos de sustentabilidade, precisaria ter sistemas de reaproveitamento de água de chuva e de redução do consumo de energia?

As exigências técnicas e de normatização, estabelecidas pelas prefeituras, evoluíram com o tempo. E hoje, qualquer edificação, principalmente aquelas destinadas a atividades comerciais e corporativas, dentro dos grandes centros urbanos, deve cumprir uma série de normas, variáveis de município para município, com o objetivo de organizar e regular o crescimento urbano, disciplinar o uso do solo, garantir que tais ocupações não prejudiquem o meio ambiente, a segurança, a acessibilidade e nem interfiram no bem-estar da população.

Visando proporcionar a revitalização de edifícios, preservando aspectos originais, de acordo com as necessidades e parâmetros atuais, estabelecidos pelo poder público, o Retrofit se consolida como forte tendência. Além de importante recurso utilizado na revitalização e requalificação de espaços urbanos degradados – como a região da Luz, no centro antigo de São Paulo, ou ainda a Zona Portuária do Rio de Janeiro – o conjunto de técnicas empregadas no Retrofit pode ser usado como alternativa nas regiões onde falta espaço para que novos empreendimentos imobiliários sejam lançados, ou quando os terrenos existentes têm preços proibitivos.

Imóveis desgastados pelo uso ou pelo tempo, recuperados pelo processo de retrofit, podem chegar a uma valorização de até 100%.

Tendência internacional, o retrofit começa a aparecer na cidade, após ser utilizado em maior escala no Rio de Janeiro, pois os edifícios de lá são, em média, mais antigos e já atingiram 50 anos. Para que haja necessidade de retrofit, os prédios devem ter pelo menos de 20 a 30 anos. Em São Paulo, eles se concentram em bairros tradicionais, como Higienópolis, além da região da Avenida Paulista, e caminham para bairros como Morumbi e Moema.