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11 de setembro de 2014
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Matéria de Capa - Construção Imobiliária

Dois prédios, duas histórias e um case de sucesso

Dois prédios construídos em épocas diferentes, com estilos distintos, que se encontravam abandonados há anos, foram unidos e recuperados, com a utilização de recursos de retrofit, para abrigar o Museu de Arte do Rio (MAR) uma das âncoras culturais do programa de requalificação urbana na Região Portuária do Rio de Janeiro, conhecido como Porto Maravilha. Os prédios em questão são o Palacete Dom João VI, de estilo eclético, construído em 1916, e o seu vizinho, em estilo modernista, construído no final da década de 1940, ambos localizados na Praça Mauá. O grande desafio do empreendimento era justamente unir prédios tão diferentes, tornando-os um conjunto arquitetônico singular onde, além do museu, passou a funcionar a Escola do Olhar.

O complexo se propõe a criar projetos de educação e arte envolvendo professores, educadores e alunos da rede pública de ensino. O empreendimento é fruto da parceria da Prefeitura do Rio de Janeiro e a Fundação Roberto Marinho, com curadoria geral do celebrado crítico Paulo Herkenhoff. O projeto arquitetônico é do escritório Bernardes+Jacobsen Arquitetura, com cálculo estrutural de Bruno Contarinni para a cobertura em concreto, imitando os movimentos das ondas do mar, instalada sobre os edifícios.

O empreendimento foi iniciado no final de 2009 e inaugurado em março de 2012. A princípio, a ideia era restaurar apenas o palacete, a fim de transformá-lo em uma pinacoteca. Mas tanto a prefeitura quanto Fundação Roberto Marinho perceberam que o projeto poderia ser muito maior, agregando o prédio vizinho. De acordo com a arquiteta Claudia Continho, Coordenadora de Projetos da Fundação Roberto Marinho, responsável pela supervisão das obras e do projeto do complexo, os prédios eram muito diferentes também do ponto de vista estrutural e com acabamentos diversos. “Nosso desafio era promover um diálogo entre eles. A cobertura, que parece flutuar sobre os dois edifícios, assume esse papel, estabelece um traço de união entre ambos. Além disso, ela é um grande abrigo para todos os que chegam ao prédio”.

As obras começaram em março de 2010, pelo palacete, com tombamento municipal, abandonado por mais de 10 anos. Deteriorado e desqualificado do ponto de vista arquitetônico, ele ia mostrando as reais dimensões do desafio, na medida em que os trabalhos avançavam. O prédio foi construído com lajes muito finas em concreto, que tiveram de ser recuperadas e reforçadas. Havia ambientes muito pequenos, subdivididos, cujas paredes precisaram ser demolidas para dar lugar aos oito salões de exposições do museu.