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20 de dezembro de 2011
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Especial Portos / Falta de infraestrutura é o maior problema portuário no Brasil

Dos 34 portos públicos marítimos sob gestão da SEP, 16 encontram-se delegados, concedidos ou tem sua operação autorizada aos governos estaduais e municipais. Os outros 18 marítimos são administrados diretamente pelas Companhias Docas, sociedades de economia mista, que tem como acionista majoritário o Governo Federal e, portanto, estão diretamente vinculadas à Secretaria de Portos.

Recente estudo realizado pelo Fórum Econômico Mundial classificou a qualidade da infraestrutura portuária brasileira na 130ª posição em um ranking de 142 nações. Essa posição desconfortável situou o Brasil atrás de todos os países do BRICS (grupo econômico que reúne, além do Brasil, a Rússia, Índia, China e África do Sul) e de dois dos principais parceiros comerciais vizinhos na América do Sul – Argentina e Chile. Só para se ter uma base de comparação, o Chile, por exemplo, ocupa a 37ª posição no mesmo ranking.

A infraestrutura logística é um dos 12 pilares, no relatório do fórum, para a avaliação da competitividade de uma nação. No relatório, intitulado “The Global Competitiveness Report 2011-2012″, o tópico é desmembrado em qualidade dos portos, dos aeroportos, das rodovias, das ferrovias, oferta de assentos em aviões, fornecimento de eletricidade e telefonias fixa e móvel.

Acesso terrestre é ponto franco

Segundo a Federação Nacional das Agências de Navegação Marítima (Fenamar), os acessos marítimos têm melhorado nos portos brasileiros, graças ao Programa Nacional de Dragagem (PND). Mas persistem os gargalos nos acessos terrestres. Exemplo dessa situação se encontra no Porto de Paranaguá, no Paraná. A supersafra de grãos, registrada este ano (14 milhões de toneladas de grãos somente no Paraná), combinada com a falta de acessos rodoviários ou ferroviários eficientes, resultaram em um acúmulo de carretas no acostamento da BR-277, principal ligação rodoviária ao terminal, atingindo 35 km de fila, de acordo com a concessionária rodoviária Ecovias. Enquanto isso, no mar, a “fila” de navios esperando o momento de atracar chegava a 62 embarcações.

No começo da década passada, antes da implantação de normas antifilas, os acúmulos de carretas chegavam normalmente a mais de 100 km de extensão, passando por Curitiba e chegando a municípios da região metropolitana.

Situação parecida acontece no Porto de Santos, onde a movimentação de cargas cresceu 135%, nos últimos dez anos (fechou em 96 milhões de toneladas em 2010), mas nenhuma nova opção de entrada por terra foi criada. Considerando que 85% das mercadorias movimentadas acessam ou deixam o cais santista de caminhão, por onde circulam diariamente cerca de 5 mil carretas, é constante a formação de filas quilométricas, que ultrapassam os muros do porto, chegando até a Via Anchieta.