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27 de julho de 2014
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Edição Especial Número 50

Comperj: projeto tão grande quanto polêmico

Reconhecido como um dos maiores empreendimentos da história da Petrobras, o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) deveria marcar a retomada da empresa no setor petroquímico. Ocupando uma área de 45 milhões de m², no município de Itaboraí, sua área equivale a mais de seis mil campos de futebol, a três Reducs (Refinaria Duque de Caxias) ou a seis bairros do tamanho de Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro. O projeto tornou-se, no entanto, objeto de grande polêmica por conta dos sucessivos atrasos no seu cronograma e estouro no seu orçamento. Inicialmente seu custo total foi calculado em R$ 19 bilhões, mas hoje já chega a R$ 26 bilhões. Quanto à data de inauguração, era prevista originalmente para ocorrer no segundo semestre de 2013. Agora passou para fim de 2016. Segundo o cronograma da Petrobras, o Comperj atingiu cerca de 68% de avanço físico nas obras em janeiro deste ano.

A obra exigiu, em sua fase inicial de execução, a maior terraplenagem já realizada no Brasil. Nem a construção das hidrelétricas de Itaipu ou Santo Antônio, nem a dos polos petroquímicos de Camaçari ou Triunfo tiveram movimento de terra tão grande: foram 220 mil m³ de movimento de terra por dia. A terraplanagem foi realizada pelo CTC – Consórcio Terraplenagem Comperj, integrado pela Odebrecht Infraestrutura e pelas construtoras Andrade Gutierrez e Queiroz Galvão.

O complexo, que deverá ter capacidade de processamento de 165 mil barris de petróleo por dia, será formado por uma refinaria e por unidades industriais produtoras de petroquímicos de primeira geração (eteno, benzeno, propeno, butadieno e outros) e de segunda geração (polietilenos, polipropileno, estireno, etilenoglicol e outros), além de edifícios auxiliares.

A grande novidade do Comperj será a produção do chamado FCC petroquímico, um novo método de produção de petroquímicos básicos, que utiliza as qualidades do petróleo brasileiro e que substitui a nafta e o gás natural importados.

Todos os números do Comperj são grandes: diariamente, mil equipamentos (dos quais 850 máquinas pesadas) se movimentam pela obra. Eles recebem 200 mil litros de óleo diesel por dia. Cerca de 15 mil trabalhadores estão em atividade no local, contratados pelos 20 consórcios que participam do megaempreendimento em diversas frentes. É prevista a criação de 200 mil empregos diretos, indiretos e por “efeito-renda”, duran


Reconhecido como um dos maiores empreendimentos da história da Petrobras, o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) deveria marcar a retomada da empresa no setor petroquímico. Ocupando uma área de 45 milhões de m², no município de Itaboraí, sua área equivale a mais de seis mil campos de futebol, a três Reducs (Refinaria Duque de Caxias) ou a seis bairros do tamanho de Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro. O projeto tornou-se, no entanto, objeto de grande polêmica por conta dos sucessivos atrasos no seu cronograma e estouro no seu orçamento. Inicialmente seu custo total foi calculado em R$ 19 bilhões, mas hoje já chega a R$ 26 bilhões. Quanto à data de inauguração, era prevista originalmente para ocorrer no segundo semestre de 2013. Agora passou para fim de 2016. Segundo o cronograma da Petrobras, o Comperj atingiu cerca de 68% de avanço físico nas obras em janeiro deste ano.

A obra exigiu, em sua fase inicial de execução, a maior terraplenagem já realizada no Brasil. Nem a construção das hidrelétricas de Itaipu ou Santo Antônio, nem a dos polos petroquímicos de Camaçari ou Triunfo tiveram movimento de terra tão grande: foram 220 mil m³ de movimento de terra por dia. A terraplanagem foi realizada pelo CTC – Consórcio Terraplenagem Comperj, integrado pela Odebrecht Infraestrutura e pelas construtoras Andrade Gutierrez e Queiroz Galvão.

O complexo, que deverá ter capacidade de processamento de 165 mil barris de petróleo por dia, será formado por uma refinaria e por unidades industriais produtoras de petroquímicos de primeira geração (eteno, benzeno, propeno, butadieno e outros) e de segunda geração (polietilenos, polipropileno, estireno, etilenoglicol e outros), além de edifícios auxiliares.

A grande novidade do Comperj será a produção do chamado FCC petroquímico, um novo método de produção de petroquímicos básicos, que utiliza as qualidades do petróleo brasileiro e que substitui a nafta e o gás natural importados.

Todos os números do Comperj são grandes: diariamente, mil equipamentos (dos quais 850 máquinas pesadas) se movimentam pela obra. Eles recebem 200 mil litros de óleo diesel por dia. Cerca de 15 mil trabalhadores estão em atividade no local, contratados pelos 20 consórcios que participam do megaempreendimento em diversas frentes. É prevista a criação de 200 mil empregos diretos, indiretos e por “efeito-renda”, durante os cinco anos da obra e após a entrada em operação; todos em escala nacional. No refeitório, são servidas 130 mil refeições por mês. Até uma padaria foi instalada e produz pão todos os dias.

A região em que está sendo construído o Comperj é de alta pluviosidade. Quando chove, a obra para, e só é retomada três dias depois, após inspeção e reorganização dos trabalhos. Isso, segundo a Petrobras, compromete o avanço mais acelerado dos serviços. A logística, o planejamento e a engenharia têm de ser revistos constantemente. Cada vez que a obra para, os equipamentos são recolhidos, conferidos e novamente distribuídos.

Projeto em duas etapas

O Comperj será implantado em duas etapas. A primeira fase do empreendimento visa à implantação de unidades de refino, que vão processar até 165 mil barris de petróleo por dia, produzindo diesel, GLP, querosene de aviação, nafta, coque e enxofre, a fim de suprir o mercado nacional e fornecer matéria-prima para as unidades petroquímicas. A segunda fase da refinaria está prevista para entrar em operação em 2018. As unidades petroquímicas têm previsão de operação em 2017, produzindo eteno, propeno, polietilenos e polipropileno, entre outros petroquímicos. Com a entrada em operação da segunda unidade de refino, a expectativa é dobra a produção inicial.

Além do incremento da capacidade nacional de refino de petróleo pesado, o Comperj deverá transformar o perfil socioeconômico da região de influência. Um estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas prevê que o pólo deve atrair 724 indústrias - a maior parte (cerca de 90%) micro e pequenas empresas, atraídas pela disponibilidade de matéria-prima. A expectativa, segundo a FGV, é que, caso todas as estimativas se concretizem, o Comperj signifique um crescimento de 39% do PIB da região de influência direta. O levantamento destaca ainda que mesmos os municípios que em tese receberão menos investimentos passarão por um salto econômico, como nos casos de Tanguá (35% do PIB) e Guapimirim (29%).

Espera-se que o complexo exerça forte atração para a região de toda uma cadeia de transformação de produtos petroquímicos de segunda geração em bens de consumo, tais como: componentes para as indústrias montadoras de automóveis, materiais cirúrgicos e linha branca como eletrodomésticos, entre outros.

Localização estratégica

O Complexo está posicionado em um centro geográfico, no município de Itaboraí, que tem condição de atender o Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo. Contará com facilidades de logística para acesso às principais rodovias do Sudeste e portos da região. Para isso, estão sendo construídas estradas de acesso principal e secundário, além de uma via de acesso alternativo para a chegada dos grandes equipamentos.

Localizado próximo aos Portos de Itaguaí (103 km) e Rio de Janeiro, dos terminais de Angra dos Reis (157 km), Ilhas d’Água e Redonda (30 km), o município de Itaboraí é atendido por rodovias e ferrovias. Além disso, tem como vizinhos a Refinaria Duque de Caxias – Reduc (50 km), as plantas petroquímicas da Rio Polímeros e da Suzano (50 km) e o Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello - Cenpes (38 km).

A mão de obra estabelecida nas cidades impactadas diretamente pelo Complexo também está recebendo cursos de capacitação e qualificação oferecidos pelo Centro de Integração – outro projeto sugerido e já implantado. A expectativa é preparar cerca de 30 mil profissionais, cujos dados serão armazenados em um banco de informações para futuros empregos, tanto no Comperj quanto nas empresas atraídas para a região.

Gerenciamento de Riscos

Entre os programas que deverão ser implementados no Complexo estão os de Gerenciamento de Riscos e o de Controle e Acompanhamento de Ruídos. O primeiro, de responsabilidade das empresas contratadas, prevê a execução e manutenção de medidas preventivas e de controle, segundo a legislação ambiental e de acordo com as normas da Petrobras.

As hipóteses acidentais de maior probabilidade de acidentes são derramamento de óleos combustíveis e lubrificantes; colisões de veículos ou máquinas; e atropelamentos de pessoas.

O segundo visa atenuar os efeitos dos ruídos gerados pelas atividades de construção por meio de medidas como o uso de proteção auricular pelos trabalhadores do empreendimento e de equipamentos motorizados que possuam exaustores com silenciadores.