Sustentabilidade
Istoé
06/05/2011 11h40 | Atualizada em 06/05/2011 17h55
Um grupo de corais com mais de dois mil anos de idade foi encontrado vivo no Golfo do México na última semana. A área foi cenário do maior vazamento de petróleo da história dos Estados Unidos, um desastre que começou com a explosão da plataforma Deepwater Horizon – da companhia British Petroleum –, em 20 de abril do ano passado, e deixou o triste saldo de 11 mortos.
Ao longo de meses, absurdos 4,9 milhões de barris de óleo negro jorraram do fundo do Atlântico. A sobrevivência de um organismo frágil como um coral mostra que ao menos parte da natureza resistiu à catástrofe. Mas o golpe foi sentido pelo setor petrolífero, que busca soluções para que tragédias ambientais s
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Um grupo de corais com mais de dois mil anos de idade foi encontrado vivo no Golfo do México na última semana. A área foi cenário do maior vazamento de petróleo da história dos Estados Unidos, um desastre que começou com a explosão da plataforma Deepwater Horizon – da companhia British Petroleum –, em 20 de abril do ano passado, e deixou o triste saldo de 11 mortos.
Ao longo de meses, absurdos 4,9 milhões de barris de óleo negro jorraram do fundo do Atlântico. A sobrevivência de um organismo frágil como um coral mostra que ao menos parte da natureza resistiu à catástrofe. Mas o golpe foi sentido pelo setor petrolífero, que busca soluções para que tragédias ambientais semelhantes não voltem a ocorrer.
Acima do nível do mar, cientistas e engenheiros investem em tecnologias capazes de aumentar a segurança na exploração em alto-mar. O maior perigo em uma plataforma é o chamado “blow-out”, explosão que ocorre a partir de gases inflamáveis que escapam do subsolo e atingem a atmosfera. Para interromper o caminho dessas substâncias, as estruturas contam com um mecanismo de segurança de 16 metros de altura, que sela a passagem dos gases em caso de emergência. Esse aparato não funcionou no acidente da BP e é agora um dos principais alvos dos
No Brasil, pesquisadores do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe), ligado à UFRJ, têm tentado determinar quais são as falhas mais comuns no equipamento. Eles usam a simulação computacional para chegar a modelos mais seguros e à prova de falhas. Em tempos de pré-sal, a preocupação com segurança precisa ser ainda maior. Afinal, além de terem de perfurar a rocha, as sondas atravessarão uma camada de sal de dois quilômetros. “A indústria do petróleo reviu vários procedimentos de segurança”, afirma a Petrobras, em nota, sem citar quais medidas teriam sido revistas no Brasil. O comunicado enviado pela estatal à ISTOÉ afirma que a maior profundidade não é um agravante e cita a importância da tecnologia. Os técnicos da empresa já usam simuladores 3D para inserir pesquisadores no ambiente que será perfurado no futuro próximo.
A prevenção não é a única preocupação depois do desastre do Golfo do México. “A tecnologia que foi usada para conter o vazamento ainda é a mesma desde o acidente no Alasca com o navio Exxon Valdez, em 1989”, afirma Bob Deans, coautor de “In Deep Water” (“Em Água Profunda”), livro sobre o caso do ano passado. Grandes empresas como BP, ExxonMobil e Shell criaram uma companhia para lidar exclusivamente com a resposta a desastres, que fornecerá equipamentos para eventuais operações tapa-buraco. Só resta torcer para que a capacidade de sobrevivência dos corais não seja colocada, mais uma vez, à prova.

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