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11 de novembro de 2009
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Jogos Olímpicos e Copa 2014

Estádios brasileiros reprovados para a Copa

Praticamente nenhum estádio brasileiro atende a todas as exigências da Federação Internacional de Futebol (Fifa), para a realização dos jogos da Copa 2014. De forma geral, são praças esportivas ultrapassadas e antigas, que padecem de um longo processo de falta de manutenção e atualização tecnológica. Tampouco foram dimensionadas, em sua maior parte, para o público esperado nas competições internacionais, ou possuem, em seu entorno, áreas para estacionamento de veículos, acessibilidade e infraestrutura de transporte.

Isso foi o que constataram os estudos realizados pelo escritório Castro Mello – Arquitetura Esportiva, do arquiteto Eduardo de Castro Mello, e pelo Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco). Adequar os estádios aos padrões necessários para o campeonato mundial, ou construir novas instalações, exigirá um grande esforço de Engenharia, seguido de pesados investimentos. Isso sem falar na corrida contra o tempo.

De acordo com o levantamento, os estádios brasileiros são muito velhos e foram projetados para receber tanto competições de atletismo quanto de futebol, num mesmo espaço. De acordo com as exigências da Fifa, a preferência é por estádios sem pista de atletismo. São os chamados estádios-arena, que colocam as arquibancadas a até seis metros do campo de jogo. Diferentemente dos estádios olímpicos que, por serem dotados de pista, mantêm a torcida a uma distância mínima de 15 ou 20 metros.

A federação exige ainda que os estádios tenham cobertura em toda a área da arquibancada. A instalação dessas estruturas deverá encarecer os custos de adaptação dos estádios existentes, adicionando mais peso às edificações.

Entre os estádios disponíveis, vários têm potencial para serem adaptados, como Mineirão, Mané Garrincha e Beira Rio. Outros dificilmente conseguirão ser adaptados, por estarem encravados em áreas densamente povoadas, onde não há espaço suficiente para a instalação de infraestrutura de apoio, como estacionamentos. Para um estádio com capacidade de 60 mil lugares, por exemplo, prevê-se um estacionamento para 10 mil veículos, o que demandaria uma área de cerca de 250 mil m².

Tratamento diferenciado

Para dar celeridade nos projetos, sem correr o risco da perda dos prazos por causa da lentidão na tramitação dos processos, nas reformas dos estádios, ou construção de novas in


Praticamente nenhum estádio brasileiro atende a todas as exigências da Federação Internacional de Futebol (Fifa), para a realização dos jogos da Copa 2014. De forma geral, são praças esportivas ultrapassadas e antigas, que padecem de um longo processo de falta de manutenção e atualização tecnológica. Tampouco foram dimensionadas, em sua maior parte, para o público esperado nas competições internacionais, ou possuem, em seu entorno, áreas para estacionamento de veículos, acessibilidade e infraestrutura de transporte.

Isso foi o que constataram os estudos realizados pelo escritório Castro Mello – Arquitetura Esportiva, do arquiteto Eduardo de Castro Mello, e pelo Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco). Adequar os estádios aos padrões necessários para o campeonato mundial, ou construir novas instalações, exigirá um grande esforço de Engenharia, seguido de pesados investimentos. Isso sem falar na corrida contra o tempo.

De acordo com o levantamento, os estádios brasileiros são muito velhos e foram projetados para receber tanto competições de atletismo quanto de futebol, num mesmo espaço. De acordo com as exigências da Fifa, a preferência é por estádios sem pista de atletismo. São os chamados estádios-arena, que colocam as arquibancadas a até seis metros do campo de jogo. Diferentemente dos estádios olímpicos que, por serem dotados de pista, mantêm a torcida a uma distância mínima de 15 ou 20 metros.

A federação exige ainda que os estádios tenham cobertura em toda a área da arquibancada. A instalação dessas estruturas deverá encarecer os custos de adaptação dos estádios existentes, adicionando mais peso às edificações.

Entre os estádios disponíveis, vários têm potencial para serem adaptados, como Mineirão, Mané Garrincha e Beira Rio. Outros dificilmente conseguirão ser adaptados, por estarem encravados em áreas densamente povoadas, onde não há espaço suficiente para a instalação de infraestrutura de apoio, como estacionamentos. Para um estádio com capacidade de 60 mil lugares, por exemplo, prevê-se um estacionamento para 10 mil veículos, o que demandaria uma área de cerca de 250 mil m².

Tratamento diferenciado

Para dar celeridade nos projetos, sem correr o risco da perda dos prazos por causa da lentidão na tramitação dos processos, nas reformas dos estádios, ou construção de novas instalações, terão que ser adotados procedimentos diferenciados para o licenciamento das obras da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016. Quem defende essa tese é o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady Simão. Ele apresentou ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, ao presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, e à ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, a sugestão de criação de um Manual de Licenciamento das obras desses dois eventos esportivos.

“Construir todas as estruturas de que precisamos para os dois megaeventos com os processos que temos hoje será impossível. É preciso que haja uma linha de licenciamento para a Copa e para as Olimpíadas, sem que haja perda de qualidade na fiscalização e no controle”, disse o presidente da CBIC.

Paulo Simão falou também sobre a necessidade de o setor participar de um grande debate sobre os gargalos do país, sobretudo com relação aos excessos cometidos por órgãos de fiscalização. “Quem tem irregularidade, que pague por ela. Mas temos de conter os excessos da fiscalização dos órgãos públicos. Temos de repensar muitas coisas”, afirmou.

Estudos preliminares para os projetos dos estádios já foram preparados e visam mostrar para a Fifa a viabilidade de realização das obras. Veja a seguir, as principais características do estádios existentes, de acordo com o estudo do Sinaenco.

Morumbi, em São Paulo

O estádio Cícero Pompeu de Toledo (o Morumbi), propriedade do São Paulo Futebol Clube, é o mais indicado para sede dos jogos da Copa 2014. Pode abrigar com facilidade mais de 60 mil torcedores dentro dos padrões de conforto da Fifa.

Os maiores problemas estão do lado de fora do estádio, nas dificuldades de acesso e estacionamento que hoje afetam a cidade de São Paulo. Para atender às necessidades da Copa, o projeto de reforma do Morumbi prevê a construção de um edifício para 4.800 carros.

Maracanã, no Rio de Janeiro

O Rio de Janeiro, conta com o Estádio Jornalista Mário Filho, mais conhecido como Maracanã, templo mundial do futebol. Inaugurado em 1950, o estádio sediou a Copa do Mundo daquele ano.

Para 2014, entre outras adaptações, será construída uma nova cobertura para o estádio. O projeto prevê ainda a construção de um prédio para estacionamento, acima das linhas das concessionárias de trens metropolitanos Supervia e do Metrô-RJ, com cerca de 3.500 vagas. O custo previsto da reforma é de mais de R$ 400 milhões.

O Maracanã precisaria corrigir a visibilidade prejudicada nas primeiras fileiras atrás das cabines; refazer o acesso para portadores de necessidades especiais; e reformar os sanitários. A reforma do Maracanã será resultado de Parceria Público Privada (PPP).

O Rio de Janeiro tem ainda o Engenhão, Estádio Olímpico João Havelange, concluído em 2007 para os Jogos Pan-Americanos. Ele tem capacidade para 45 mil pessoas e servirá como centro de treinamento para a Copa. Porém, construído em uma região distante e deteriorada da cidade, precisa ter sua acessibilidade equacionada.

Mineirão, em Belo Horizonte

Batizado oficialmente de Estádio Governador Magalhães Pinto, o Mineirão, inaugurado em 1965, tem capacidade para 81 mil pessoas. Uma vez reformado, ele poderá atender às condições da Fifa. A maior parte das intervenções de que ele necessita está relacionada aos problemas de visibilidade e segurança.

Os placares sobre a arquibancada e grades na separação das torcidas comprometem a visibilidade em vários pontos do estádio.

Os pilares e as molas que dão reforço à sustentação da arquibancada superior atrapalham a visão da arquibancada inferior para o campo.

Arena da Baixada, em Curitiba

Curitiba conta com o Estádio Joaquim Américo Guimarães, o Arena da Baixada, do Clube Atlético Paranaense, que tem características multiuso, equipado com vestiários, camarotes, camarins para shows e sistema de segurança, com mais de 200 câmeras.

O estádio está passando por reformas que permitirão a instalação de cinco mil novos assentos em seu anel inferior, elevando o número de lugares para 31 mil. Em 2012 espera-se que a capacidade seja elevada para 41 mil pessoas.

Também estão sendo feitas melhorias na área VIP, salas de imprensa e estacionamentos. Todas as reformas e ampliações serão realizadas com investimentos privados e terão sustentação econômica em função dos jogos dos campeonatos estaduais e nacionais.

Mané Garrincha, em Brasília

Construído em 1974, o Mané Garrincha conta com complexo esportivo com vestiários, sala de fisioterapia, alojamento, restaurante e academias.

Pode acolher 45 mil pessoas, mas uma reforma já programada vai aumentar sua capacidade para 70 mil lugares.

Além de alterações no gramado e nas arquibancadas, o estádio ganhará uma cobertura, um setor para lojas e empreendimentos comerciais e 12 rampas de acesso.

O investimento previsto para o estádio é de R$ 400 milhões.

Verdão, em Cuiabá

O Estádio Governador José Fragelli, o Verdão, está passando por um programa de reforma, orçado em R$ 350 milhões, com previsão de conclusão em dezembro de 2012. Com a reforma, a nova arena terá capacidade para 48 mil torcedores e uma área com camarotes, tribuna de honra e gabinetes de imprensa.

A reforma pretende ainda transformar o Verdão em uma arena multiuso, que também possa acolher shows e outros eventos de grande público.

O plano estadual para a Copa 2014 prevê ainda a implantação de quatro Centros de Treinamento, que seriam instalados nas cidades de Chapada dos Guimarães, Barão de Melgaço, Lago do Manso e Várzea Grande.

Castelão, em Fortaleza

O estádio do Castelão, ou Plácido Castelo, é o mais moderno do Ceará, com 58 mil lugares numerados. Conta com vestiários, camarins-suítes, camarotes climatizados, e bares panorâmicos. Para adequar-se às exigências da Fifa, o estádio precisaria aumentar seu número de vagas de estacionamento interno e externo e também melhorar a oferta de cabines para a imprensa.

Graças a investimentos privados da ordem de R$ 400 milhões, o Castelão está sendo reformado de forma a se tornar um espaço multiuso, com utilização comercial de suas áreas, onde acontecerão shows. A receita dará retorno aos investidores.

Vivaldão, de Manaus

Para a Copa de 2014, está prevista a demolição do Estádio Vivaldo Lima, o Vivaldão, e a construção de uma nova arena multiuso. A capacidade será de cerca de 48 mil assentos e terá 11 mil vagas de estacionamento, no estádio e imediações.

O projeto é orçado em cerca de R$ 580 milhões e as obras deverão ser concluídas até o primeiro semestre de 2013.

A expectativa é de que a obra se pague pelo aumento do turismo na região, que é o grande objetivo de Manaus com a Copa. O mais provável é que o governo do estado aloque recursos públicos para o empreendimento.

Estádio das Dunas, em Natal

O Estádio das Dunas, planejado no modelo de parceria público-privada, prevê investimento de R$ 300 milhões. Será concluído até o primeiro semestre de 2013.

Para não se tornar um “elefante branco”, o principal desafio do estádio é obter sua sustentação econômica, que não pode depender apenas da receita de jogos de futebol, mas sim de outras fontes de renda.

Gigante da Beira-Rio, em Porto Alegre

Conhecido como o Gigante da Beira-Rio, o estádio José Pinheiro Borda, pertencente ao Sport Club Internacional, já está passando por reforma. Sua adaptação aos padrões da Fifa deverá custar cerca de R$ 120 milhões.

Foram iniciadas as obras da arquibancada e da cobertura. O cálculo estrutural está em estágio avançado. Hoje, o Beira Rio conta com 56 mil lugares e a meta é passar a oferecer 60 mil assentos, contando com a ampliação da arquibancada inferior e novos camarotes.

Algumas reformas já foram concluídas, como é o caso do novo setor administrativo e da nova loja do clube. O museu está em obras, com inauguração prevista para breve. Todas as reformas devem ser finalizadas entre o final de 2012 e o primeiro semestre de 2013.

Cidade da Copa, em Recife

Recife quer construir a Cidade da Copa, uma nova infraestrutura esportiva e urbana para receber a competição. O estádio terá lugar para 45.500 mil pessoas, e, embora as obras ainda não tenham sido iniciadas, a conclusão está revista para 2011.

Para que o projeto seja iniciado, é necessário convencer os principais times da região, Sport e Náutico , a passarem seus jogos no local, de forma a viabilizar o empreendimento economicamente.

Em favor dessa alternativa há uma regra em gestação na CBF que, se for aprovada, obrigará a realização dos jogos do Brasileirão e da Copa do Brasil em estádios padrão Fifa, após 2014.

Fonte Nova, em Salvador

O governo da Bahia pretende reformar o estádio da Fonte Nova com investimentos públicos e privados. Com conclusão prevista para 2011, o estádio contaria com 44.100 lugares.

O problema da proposta é a sustentação econômica do estádio após o fim da Copa, já que a receita não poderá depender apenas do esporte em função do baixo valor dos ingressos. A arena deverá ser multiuso, com estrutura para receber outros eventos.

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