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23 de novembro de 2013
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Especial - Rodovias

Rodovias entre o PAC e as concessões

Governo federal costura soluções para destravar investimentos em logística, com ênfase na intermodalidade entre as rodovias e os outros sistemas de transporte

Não há como desculpar o atraso do Brasil no processo de melhoria de sua malha viária. Os fatos falam por si só. À beira de um “apagão”, a logística brasileira tem necessidades gigantescas, mas as respostas e soluções caminham ao passo de tartaruga. Todos pagam a conta, por meio dos altos custos nos transportes dos produtos para o consumo interno, falta de competitividade do País no comércio exterior, sem falar dos atrasos, perdas e prejuízos na ponta do lápis dos consumidores. A logística não é representada somente pelas rodovias, mas elas ainda são as principais artérias do comércio interno brasileiro, uma vez que a concretização da retomada de recuperação da malha ferroviária ainda deve demorar, assim como a inserção real das hidrovias como alternativa ou como parte de um sistema integrado envolvendo os diversos modais.

A causa da dificuldade brasileira é óbvia: as dimensões continentais do País já eram um problema há décadas diante da incapacidade governamental para investir. Mas a verdade é que o ciclo de expansão do agronegócio rumo às fronteiras interioranas, que já anexou toda a região Centro-Oeste, parte do Nordeste e caminha rapidamente para a região Norte, expõe ainda mais as feridas da integração regional brasileira.

Há algum tempo, o eixo econômico formado pelos estados voltados para o mar, como São Paulo e Rio de Janeiro, vem sendo transferido para o interior, com o respectivo deslocamento inclusive de uma importante parcela industrial. Enquanto essas regiões hoje fomentam uma economia baseada em serviços e tecnologia, é para o interior do País que se movimentam as indústrias alimentícias, farmacêuticas, além das intensivistas, como siderúrgicas.

Também é para lá que se direcionam os maiores empreendimentos na área de energia, como as hidrelétricas de Santo Antonio, Jirau, e Belo Monte, gerando e demandando um grande número de operários, máquinas, equipamentos e demais insumos. Tudo isso potencializa as válvulas de transporte intraregionais, que demandam, sobretudo, recursos do governo federal que, diga-se de passagem, têm-se mostrado insuficientes. É uma carga bastante pesada, como diriam os caminhoneiros e todos os brasileiros estão pagando um preço alto por ela.

Rodovias X imposto da gasolina

Não bastasse a expansão das fronteiras econômicas, as rodovias perderam no ano passado uma de suas principais fontes de recursos. Desde julho de 2012, os recursos da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) deixaram de existir para investimentos na área de transporte. O imposto, que incidia  sobre o preço do litro dos combustíveis, foi zerado por medida governamental para não encarecer o custo da gasolina, do diesel e do etanol para o consumidor.