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23 de novembro de 2013
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Especial - Rodovias

País busca saídas para o isolamento da Amazônia

A BR-319 permitiu finalmente o acesso rodoviário à Amazônia há 40 anos, em 1973, ao ligar as cidades de Manaus (AM) e Porto Velho (RO). Nos primeiros anos de operação, foi plenamente transitável, quando carros cruzavam facilmente seus 877 km e havia até ônibus que operavam entre as capitais. Mas nos anos seguintes, a rodovia entrou em completa degradação, sem receber investimentos e manutenção adequada.

Em apenas 15 anos já era considerada intransitável. Sem manutenção, o trecho central da rodovia, com 405 km, foi totalmente invadido pela mata, demandando um grande dispêndio com manutenção. Como fazer? Com a desculpa do desmatamento, um estado inteiro ficou praticamente isolado do resto do País. Mas a verdade é que a questão amazônica não é tão simplória.

Não dá para pensar somente em uma rodovia ou ferrovia que leve à Amazônia, mas em um projeto de desenvolvimento e integração do estado ao País, assim como estratégias e formas de executá-la. Desde 2008, o Ministério dos Transportes tenta avançar em seu projeto de criar o acesso rodoviário até Manaus, mas o estudo de impacto ambiental não foi aprovado pelo Ibama. Neste ano, ficou acertado que o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte) iria preparar novo EIA-Rima, a fim de atender às exigências do Ibama.

Para o pesquisador Philip Fearnside, do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), o asfaltamento pode fomentar a ocupação de 10 milhões de hectares de áreas da União ainda sem destino na Amazônia e é grande o risco da floresta ser desmatada em níveis comprometedores para a meta brasileira de redução de emissões de gases-estufa. Uma opção seria melhorar o porto de Manaus e os barcos, fazendo com que a população pudesse se deslocar com segurança, rapidez e qualidade até Santarém. Para o governo, a estrada pode permitir maior controle sobre a retirada ilegal de madeira e à grilagem de terras. Ou seja, mais do que criar modelos de concessão, a questão passa pelo modelo de integração e de desenvolvimento da Amazônia.

Para cientistas e ambientalistas, a experiência não é motivadora. Todas as rodovias abertas na Amazônia deflagraram focos intensos de desmatamento. As estradas então criadas levaram consigo desmatamento e destruição. A exceção a essa regra pode ser a BR-163. Quando o governo decidiu pavimentar a estrada que liga Cuiabá a Santarém, foi desenvolvido um longo trabalho envolvendo fazendeiros, índios, seringueiros, assentados, agricultores. Foram quase dois anos de estudos científicos, sociais, econômicos, ambientais e criação de bolsões de proteção ambiental nas margens.