Mercado
O Estadao de S.Paulo
15/03/2010 16h06
A estabilidade macroeconômica, o crescimento do consumo doméstico, a aceleração da demanda global por commodities e, consequentemente, os investimentos são os pilares para que a expansão de diversos setores da nossa economia se consolide na próxima década. Em linhas gerais, quatro vetores determinarão o amadurecimento das empresas brasileiras: a internacionalização, a ampliação e a recomposição da infraestrutura, o desenvolvimento do mercado imobiliário e o direcionamento das empresas para atender ao aumento do consumo doméstico.
A internacionalização é um processo relativamente recente e concentrado em um pequeno número de empresas. A participação das brasileiras na lista Fortune das 500 maiores empresas globais aumentou de
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A estabilidade macroeconômica, o crescimento do consumo doméstico, a aceleração da demanda global por commodities e, consequentemente, os investimentos são os pilares para que a expansão de diversos setores da nossa economia se consolide na próxima década. Em linhas gerais, quatro vetores determinarão o amadurecimento das empresas brasileiras: a internacionalização, a ampliação e a recomposição da infraestrutura, o desenvolvimento do mercado imobiliário e o direcionamento das empresas para atender ao aumento do consumo doméstico.
A internacionalização é um processo relativamente recente e concentrado em um pequeno número de empresas. A participação das brasileiras na lista Fortune das 500 maiores empresas globais aumentou de três companhias em 2005 para seis em 2009, sendo três no setor de commodities (Petrobrás, Vale e Gerdau). A presença das empresas brasileiras de commodities no exterior aumentou com a forte expansão da demanda global, em particular da China, em um ambiente de vantagens competitivas substanciais desses setores e menor incerteza sobre os fundamentos da economia brasileira.
Grandes empresas buscam alcançar escala global e diversificação dos seus ativos, maior proximidade dos mercados consumidores, acesso a crédito de longo prazo e absorção de tecnologia. As vantagens competitivas do setor de commodities têm atraído fortes investimentos e continuarão a elevar o peso das companhias brasileiras no grupo das maiores empresas globais.
Os destaques na área extrativa estão no segmento de petróleo, mineração e metalurgia básica. No primeiro, os investimentos previstos nos próximos anos tendem a ser os mais elevados da história brasileira recente. Os segmentos de mineração e metalurgia básica ampliarão a presença externa, ao mesmo tempo que aumentarão a produção em território nacional.
O crescimento do agronegócio também é emblemático. Essa área sempre foi reconhecida como detentora de vantagens competitivas. Porém, as incertezas do passado criavam barreiras à busca de escala e de maior internacionalização. A estabilidade econômica estimulou uma forte expansão e consolidação do setor. Várias empresas se internacionalizaram, primeiramente com a abertura de novos mercados de exportação e, em seguida, com a compra de ativos em outros países. A consolidação desses setores e a busca de uma posição mais robusta no exterior persistirão na próxima década, com várias empresas brasileiras sendo classificadas, crescentemente, como multinacionais.
A infraestrutura tem limitado o aumento da produtividade. As deficiências nessa área são notórias, e precisam ser enfrentadas com urgência. A modernização da infraestrutura ainda requer participação estatal, seja pela oferta de crédito de longo prazo, seja pela coordenação do setor público. Entretanto, a transferência da gestão de alguns serviços públicos para o setor privado como, por exemplo, a malha rodoviária, é a forma mais eficiente de elevar a qualidade e a extensão da infraestrutura, crucial para pavimentar o caminho para um equilíbrio com maior crescimento.
Os investimentos aumentaram substancialmente no último ciclo econômico. Além daqueles associados à expansão da demanda de máquinas e equipamentos, o crescimento da construção civil foi significativo. E, nos próximos anos, haverá uma revolução nessa área, à medida que prossiga a queda secular dos juros. A ampliação dos programas de governo contribuirá para acelerar a expansão do atendimento à população mais pobre, ainda incipiente.
A experiência de outros países sugere que o aumento da oferta de imóveis populares exigirá um ajuste significativo das construtoras. Os investimentos necessários em pesquisa e desenvolvimento levarão à reestruturação do setor, com aumento de fusões e aquisições e o ingresso em obras de maior envergadura.
A expansão da massa salarial e a gradual melhora na distribuição de renda têm incluído parte crescente da sociedade no mercado consumidor, e essa dinâmica tende a perdurar. Os setores de educação, turismo, restaurantes, planos de saúde, comércio varejista, entre outros, passarão por uma grande transformação.
Nesse sentido, a atuação do Banco Credit Suisse no aconselhamento e na estruturação de operações para financiamento dos projetos de expansão e consolidação sugere que várias empresas já perceberam a oportunidade gerada pela ampliação do mercado doméstico. Um número significativo de empresas médias captou recursos no mercado de capitais por meio de ofertas públicas primárias de ações, de fundos de private equity e de crédito de longo prazo para financiar os investimentos.
São inúmeros os setores que apresentam oportunidades atraentes, o que resultará em transformações importantes na próxima década em vários setores, com mais companhias sendo incluídas nas listas das maiores empresas do mundo. As condições necessárias para a forte expansão desses setores estão postas e pavimentarão o aumento do crescimento da economia sem gerar desequilíbrios.
27 de agosto 2020
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