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Suzano foca solidez e revisa investimentos

Valor Econômico

10/06/2011 10h09 | Atualizada em 10/06/2011 13h35


Ao mesmo tempo em que anunciou investimentos de R$ 3,5 bilhões para 2011, a Suzano Papel e Celulose revisou prazos para o início de operação de duas das novas fábricas de celulose previstas no plano 2024 e indicou que poderá recorrer a uma série de medidas, incluindo a venda de ativos, para manter o nível de alavancagem sob controle durante o pesado ciclo de aportes que tem início neste ano. As alterações, apresentadas ontem pelo presidente da companhia, Antonio Maciel Neto, têm implicações negativas de curto prazo, porém positivas considerando-se um horizonte mais amplo, na avaliação de analistas.

Segundo Maciel, a reavaliação do programa de investimentos reflete a decisão da companhia de adotar postura conservadora diante do ce

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Ao mesmo tempo em que anunciou investimentos de R$ 3,5 bilhões para 2011, a Suzano Papel e Celulose revisou prazos para o início de operação de duas das novas fábricas de celulose previstas no plano 2024 e indicou que poderá recorrer a uma série de medidas, incluindo a venda de ativos, para manter o nível de alavancagem sob controle durante o pesado ciclo de aportes que tem início neste ano. As alterações, apresentadas ontem pelo presidente da companhia, Antonio Maciel Neto, têm implicações negativas de curto prazo, porém positivas considerando-se um horizonte mais amplo, na avaliação de analistas.

Segundo Maciel, a reavaliação do programa de investimentos reflete a decisão da companhia de adotar postura conservadora diante do cenário econômico mundial menos vigoroso do que o esperado. "O conselho (de administração) optou por cadenciar melhor os investimentos, que, ainda assim, terão retorno acima do exigido", comentou o executivo, referindo-se à taxa mínima de retorno igual a custo de capital mais dois pontos percentuais.

O nível de alavancagem, medido pela relação entre dívida líquida e lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, em inglês), que deve chegar a 3,5 vezes no próximo ano, também foi levado em consideração. "Solidez financeira é o mais importante", destacou o executivo.

O impacto negativo do anúncio foi imediato: as ações da companhia encerraram o dia na BM&FBovespa com queda de 2,96%, ante baixa de 0,29% do Ibovespa. Em relatório, o analista Marcelo Aguiar, do Goldman Sachs, apontou que a atualização dos planos da empresa poderia pressionar o preço das ações, uma vez que combina elevados desembolsos no ano com a postergação do início de operação de duas fábricas, o que resulta em menor estimativa de fluxo de caixa livre. Para a Ágora Corretora, o menor retorno esperado para os projetos e a maior alavancagem da companhia devem continuar pressionando as ações.

Contudo, o adiamento do início de operação da fábrica de celulose do Piauí, que inicialmente estava previsto para o fim de 2014 e agora deve ocorrer no primeiro semestre de 2016, é benéfico para todo o setor - as atividades na unidade do Maranhão também foram alvo de ajuste e voltaram ao cronograma original, que prevê partida em novembro de 2013. "O adiamento dos projetos de celulose da Suzano melhoram a relação entre oferta e demanda de 2013 a 2015", destacou Aguiar, do Goldman Sachs. Com a mudança nos prazos, a oferta adicional da fibra em 2013 cai de 4,3 milhões de toneladas para 2,8 milhões de toneladas. Entre 2013 e 2015, cinco novas fábricas de celulose devem entrar em operação na América do Sul, quatro delas no Brasil.

Além do plano de aportes para 2011, a Suzano apresentou estimativas de investimento para os dois próximos anos. Em 2012, a companhia prevê desembolsar R$ 4 bilhões - neste momento, a relação entre dívida líquida e Ebitda alcançaria 3,5 vezes. No ano seguinte, seriam mais R$ 2,2 bilhões. Para não superar esse nível de alavancagem, além de adiar o início da operação dos projetos de celulose, a Suzano colocou à venda a fatia de 17% que detém na usina hidrelétrica Amador Aguiar (MG) e poderá se desfazer de terras não utilizadas, especialmente no Estado de São Paulo.

Conforme Maciel, não está descartada a possibilidade de a companhia realizar nova oferta de ações. Essa, contudo, seria a última alternativa a ser considerada e não ocorreria em 2011. A Suzano também está em negociações adiantadas com parceiros estratégicos para a Suzano Energia Renovável, que num primeiro momento produzirá pellets para geração de energia, que serão exportados para a Europa. "Podemos vender até 49% em operação privada de equity", disse. Dos R$ 3,5 bilhões previstos para este ano, R$ 1,5 bilhão já foram aplicados na compra da KSR e de 50% do Conpacel.

 

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