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13/09/2010 10h54 | Atualizada em 13/09/2010 17h02
Ao mesmo tempo que prepara a venda de quatro blocos nas bacias de Santos e do Espírito Santo, inclusive a fatia de 20% que detém no reservatório Bem-Te-Vi, encontrado no pré-sal de Santos, o novo presidente Shell Brasil, André Araújo, frisa que o país é estratégico para a companhia anglo-holandesa. Em entrevista ao Valor na sexta-feira, Araújo, que assumiu o cargo no início de agosto, diz que a venda é apenas um "rearranjo de portfólio". E que a empresa vai focar esforços e recursos no desenvolvimento de alguns blocos específicos, onde tem maior participação.
"Os planos são alterados de acordo com as decisões estratégicas de fazer investimento. Mas também são alterados de acordo com o que a natureza e a geologia apresentam. A She
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Ao mesmo tempo que prepara a venda de quatro blocos nas bacias de Santos e do Espírito Santo, inclusive a fatia de 20% que detém no reservatório Bem-Te-Vi, encontrado no pré-sal de Santos, o novo presidente Shell Brasil, André Araújo, frisa que o país é estratégico para a companhia anglo-holandesa. Em entrevista ao Valor na sexta-feira, Araújo, que assumiu o cargo no início de agosto, diz que a venda é apenas um "rearranjo de portfólio". E que a empresa vai focar esforços e recursos no desenvolvimento de alguns blocos específicos, onde tem maior participação.
"Os planos são alterados de acordo com as decisões estratégicas de fazer investimento. Mas também são alterados de acordo com o que a natureza e a geologia apresentam. A Shell é extremamente eficiente no seu plano de exploração, mas a natureza tem um papel importante também nesse cenário", disse Araújo, sugerindo que os resultados exploratórios podem não ter sido satisfatórios para a companhia.
De qualquer forma, Araújo admite que a venda dos blocos, que poderá inclusive chegar a seis áreas vai capitalizar a companhia para que ela possa cumprir outros compromissos de investimento no Brasil. "É preciso fazer um ajuste regular do nível de investimento. Você precisa, muitas vezes, fazer um desinvestimento para acelerar aquisições, para acelerar o próprio processo de exploração", disse. Ele acredita que todas as grandes empresas de petróleo estão "curtas de capital, precisando de capital para cumprir os seus projetos estratégicos".
O executivo considera a decisão corriqueira. "Esse movimento de desinvestimento foi anunciado com quatro blocos, mas pode ser de dois, quatro ou seis. E a gente ainda pode participar de aquisições", disse Araújo. As outras áreas que poderão ser vendidas são o BM-S-45, em Santos, onde a Shell possui 40% e a Petrobras é a operadora, com os outros 60%; BM-ES-28, na Bacia do Espírito Santo, onde é a operadora, com 82,5%, em parceria com a Vale (17,5%); e outra área que poderá vir a ser comercializada é o BS-4, onde é operadora, com 40%, em parceria com Petrobras (40%) e Chevron (20%), onde foram encontrados os reservatórios Atlanta e Oliva.
A venda de alguns desses blocos poderá acelerar o desenvolvimento de outras áreas. "Temos no país hoje um plano de exploração de até 10 perfurações entre 18 e 24 meses. Estamos prevendo atividade exploratória bastante forte. E hoje, cada exploração tem um custo em torno de US$ 150 milhões. Os custos são bastante fortes. São valores significativos, que exigem da companhia um investimento consistente", disse. Ele admitiu que fazer caixa é "parte desse projeto". "Sem dúvida, vamos precisar fazer caixa para continuar fazendo os investimentos que a gente precisa", explicou.
O executivo afirmou, no entanto, que a companhia "não tem problemas de caixa apertado", mas que precisa "olhar para frente como os projetos vão estar alinhados ao longo do tempo". O objetivo é dar prioridade para alguns blocos agora, mas entrar futuros leilões - assim que forem retomados, independente do marco regulatório a ser aprovado no país; já que os investimentos teriam maior tempo para serem realizados.
Sem dar maiores detalhes, Araújo diz que o interesse do mercado pelos blocos da Shell está "bastante razoável", mas pondera que a efetivação da venda vai depender das propostas realizadas. Otimista, o presidente da Shell Brasil diz que o fato de a concorrente OGX também ter colocado algumas áreas à venda não atrapalha, já que a seu ver o mercado brasileiro tem espaço suficiente para todas essas aquisições. O vice-presidente de assuntos externos da empresa, Gilbert Landsberg, observou que a atratividade dos blocos da Shell pode ser maior, por trazer áreas do pré-sal, enquanto a OGX está restrita ao pós-sal e a águas rasas.
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