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Brasil Econômico
19/11/2010 13h11 | Atualizada em 19/11/2010 15h44
Quando Maria Lucileia Brandão chegou a Porto Velho, há um mês, para trabalhar nas obras da usina da hidrelétrica de Jirau, no Rio Madeira, sabia que reiniciava ali mais um longo ciclo de seis meses sem ver o casal de filhos.
Sob os cuidados do ex-marido, na pequena Petrolândia, no interior de Pernambuco, as crianças — uma menina de seis anos e um menino de dez — sabem que a espera pela mãe, no que depender de Maria, será recompensada com um futuro promissor em alguma universidade.
Aos 30 anos, Lucileia compõe um exército de anônimos que tem migrado, nos últimos cinco anos, atrás dos grandes projetos de infraestrutura do Programa de Aceleração do Cre
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Quando Maria Lucileia Brandão chegou a Porto Velho, há um mês, para trabalhar nas obras da usina da hidrelétrica de Jirau, no Rio Madeira, sabia que reiniciava ali mais um longo ciclo de seis meses sem ver o casal de filhos.
Sob os cuidados do ex-marido, na pequena Petrolândia, no interior de Pernambuco, as crianças — uma menina de seis anos e um menino de dez — sabem que a espera pela mãe, no que depender de Maria, será recompensada com um futuro promissor em alguma universidade.
Aos 30 anos, Lucileia compõe um exército de anônimos que tem migrado, nos últimos cinco anos, atrás dos grandes projetos de infraestrutura do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
No caso dessa pernambucana, que deixou para trás não só os filhos, mas uma carreira de professora do ensino fundamental e uma vaga no curso de pedagogia, na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a perspectiva de novos projetos na região, com a retomada das discussões para outras duas usinas do Rio Madeira, a de Guajará-Mirim e Guayaramerin, representa a renovação do sonho de mobilidade social.
"Não havia salário para mim. Hoje, quero chegar a chefe de encarregados. Assim, vou poder colocar meus filhos na universidade. Eles vão completar o que eu não consegui", afirma.
Maiores empreendimentos em curso na Amazônia brasileira, as usinas do Complexo do Rio Madeira já mudaram a paisagem geográfica de Rondônia, mas só agora começam a transformar o ainda turbulento ambiente social de um dos estados mais pobres do Brasil.
Localizadas a 120 quilômetros da capital Porto Velho, Jirau e Santo Antônio prometem retirar a região Norte do país do isolamento, ao integrá-la até 2015 ao sistema interligado nacional.
Alvo de lobbies e organizações ambientalistas, devido ao impacto sobre os povos ribeirinhos, as usinas serão determinantes, segundo executivos do setor, para abrir definitivamente a região às grandes obras de infraestrutura do Brasil.
Pacote completo
Formado originalmente por quatro usinas, e não duas, o complexo do Madeira alimenta a ambição das empresas responsáveis pelas obras. A Odebrecht, que lidera o consórcio Santo Antônio Energia junto com Furnas Centrais Elétricas, já começa a ensaiar os primeiros contatos com o governo de Rondônia para retirar da gaveta as usinas de Guajará-Mirim e Guayaramerin, próximas à fronteira com a Bolívia.
Vistas com desconfiança pelos bolivianos, que temem os impactos ambientais sobre o outro lado da fronteira, as usinas permitiriam o transporte hidroviário entre os dois países, ao tornar economicamente viável a construção de eclusas ao longo do Rio Madeira.
"Não podemos errar", diz o engenheiro Nelson Caproni, gerente geral do consórcio Santo Antônio Energia, responsável direto pelas obras, cujo cronograma encontra-se mais avançado. "Se houver algum problema ambiental grave com esse projeto, não será mais possível licenciar qualquer projeto na região."
Licitada em dezembro de 2007, Santo Antônio foi arrematada pelo consórcio Santo Antônio Energia, formado pela construtora Andrade Gutierrez, a distribuidora Cemig e o Fundo de Investimentos e Participações Amazônia Energia (FIP), além de Furnas e Odebrecht.
Com potência instalada de 3.150 megawatts (MW), suficiente para iluminar diariamente 11 milhões de residências, demandará investimento de R$ 13,5 bilhões.
"As obras vão consumir aço suficiente para erguer 18 torres Eifell e cimento para 40 estádios do Maracanã", diz Caproni.
Já a usina de Jirau, licitada em maio de 2008, foi arrematada pelo consórcio Energia Sustentável do Brasil, liderado pela francesa GDF Suez (50,1%) e pela brasileira Camargo Corrêa (9,9%).
Também fazem parte do consórcio as estatais Eletrosul (20%) e Chesf (20%), que deverão investir R$ 11 bilhões em parcelas proporcionais às participações de cada um. Embora tenha sido projetada para gerar 3.300 MW, Jirau será erguida com 3.750 MW de capacidade total.
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