Radar

P U B L I C I D A D E

ABRIR
FECHAR

P U B L I C I D A D E

ABRIR
FECHAR
Mercado
Voltar

Mercado

Obras caras sacrificam margem da Trisul

Valor

12/09/2011 16h19 | Atualizada em 12/09/2011 20h12


A incorporadora imobiliária Trisul engrossou a lista das empresas do setor que surpreenderam seus acionistas com queda abrupta de margem por conta de obras mais caras que o previsto. O mesmo ocorreu nos últimos trimestres com Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário (CCDI), Rodobens Negócios Imobiliários, Cyrela e Gafisa e MRV.

O motivo mais comum para o estouro é a alta dos custos, especialmente de mão de obra, em ritmo maior do que o projetado pelas empresas. Com a aproximação da entrega de empreendimentos lançados há dois ou três anos, o desvio de orçamento se torna evidente e é reconhecido todo de uma vez, sacrificando o resultado de um trimestre.

No caso da Trisul, no entanto, há um ingrediente adicional qu

...

A incorporadora imobiliária Trisul engrossou a lista das empresas do setor que surpreenderam seus acionistas com queda abrupta de margem por conta de obras mais caras que o previsto. O mesmo ocorreu nos últimos trimestres com Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário (CCDI), Rodobens Negócios Imobiliários, Cyrela e Gafisa e MRV.

O motivo mais comum para o estouro é a alta dos custos, especialmente de mão de obra, em ritmo maior do que o projetado pelas empresas. Com a aproximação da entrega de empreendimentos lançados há dois ou três anos, o desvio de orçamento se torna evidente e é reconhecido todo de uma vez, sacrificando o resultado de um trimestre.

No caso da Trisul, no entanto, há um ingrediente adicional que torna o caso mais complicado.

Por conta da revisão feita pela companhia no orçamento das obras, a auditoria externa que analisa seus balanços, Ernst & Young Terco, ainda não concluiu a checagem dos números referentes ao segundo trimestre.

Para dar uma satisfação ao mercado após o atraso na entrega do balanço, cujo prazo l para envio terminou no dia 15 de agosto, a Trisul decidiu divulgar na sexta-feira números não auditados.

A margem bruta da companhia, que é o que sobra proporcionalmente da receita após descontados apenas os custos de construção, ficou em 3,3% no segundo trimestre deste ano, ante um índice de 27,4% no mesmo período do ano passado. No quarto trimestre de 2010, também após reconhecimento de estouro de obras, a margem bruta havia ficado em 13,3%.

Na ausência do parecer do auditor, que atestaria que todos os registros foram feitos de forma adequada, o diretor financeiro da incorporadora, Lincoln Castro, disse em teleconferência para analistas: "Já reconhecemos tudo o que tínhamos que reconhecer. Não esperamos nenhuma surpresa nos resultados futuros".

Apesar da afirmação, o executivo não soube dar uma estimativa sobre quando a E&Y concluirá o seu trabalho. "Ainda não temos previsão porque fizemos uma revisão [orçamentária de obras] bastante completa, deve levar algum tempo que não conseguimos precisar", disse Castro.

As ações da Trisul acumularam baixa de 16,8% na semana passada, enquanto o Imob, índice das empresas imobiliárias da bolsa, teve queda de 1,8%.

Ao fazer seu trabalho, o auditor vai verificar, entre outras coisas, se houve erro nos balanços anteriores, o que exigiria republicação, ou se o caso é apenas uma mudança de estimativa.

Outro teste será feito para avaliar se todas as mudanças de orçamento foram reconhecidas.

Após a forte baixa no segundo trimestre, a Trisul espera que a margem bruta se aproxime de 29% ou 30%, próximo ao verificado até setembro de 2010. Sem projetar prazos para a melhora da margem, Castro afirmou que a expectativa é que isso ocorra "num futuro próximo".

Com o objetivo de reduzir custos, a companhia contratou duas consultorias. A Gradus Consultoria de Gestão revisará os processos de engenharia e relacionados ao repasse de clientes, enquanto a Logical System vai implementar gestão da produção voltada à construção. "Vamos ver as reduções de custos mais nitidamente a partir de 2012", prevê o executivo.

A Trisul estima entregar 18 empreendimentos no segundo semestre, ante os nove da primeira metade do ano.

A companhia encerrou o segundo trimestre com prejuízo líquido de R$ 33,66 milhões, ante o lucro de R$ 16,76 milhões apurado um ano antes. O resultado operacional medido pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ficou negativo em R$ 5,06 milhões, após alcançar positivos R$ 36,22 milhões no segundo trimestre de 2010. No intervalo de um ano, a margem Ebitda trimestral despencou de 17,3% para -2,6%.

Antes de tomar a decisão de divulgar os números não auditados, no entanto, a administração da Trisul procurou o aval do conselho fiscal da companhia, que se recusou a assumir responsabilidade sobre a iniciativa.

 

 

P U B L I C I D A D E

ABRIR
FECHAR

Av. Francisco Matarazzo, 404 Cj. 701/703 Água Branca - CEP 05001-000 São Paulo/SP

Telefone (11) 3662-4159

© Sobratema. A reprodução do conteúdo total ou parcial é autorizada, desde que citada a fonte. Política de privacidade