Mercado
Folha de São Paulo
21/06/2010 14h45 | Atualizada em 21/06/2010 18h39
O vice-presidente mundial da fabricante chinesa de automóveis Chery, Zhou Biren, 53, só viaja ao Brasil de classe econômica, hospeda-se em hotel três estrelas e faz suas refeições em restaurantes fora dos guias gastronômicos.
É com esse estilo "cinto apertado" que ele negocia a instalação de uma fábrica no país. Três cidades estão na disputa. A receita da companhia é gastar o mínimo para repassar a "economia" de custo aos preços.
Diferentemente dos executivos americanos e europeus, que dispõem de benefícios como passagens aéreas em primeira classe e hotel cinco estrelas, os chineses gastam com parcimônia. Só não economizam na hora de invest
...

O vice-presidente mundial da fabricante chinesa de automóveis Chery, Zhou Biren, 53, só viaja ao Brasil de classe econômica, hospeda-se em hotel três estrelas e faz suas refeições em restaurantes fora dos guias gastronômicos.
É com esse estilo "cinto apertado" que ele negocia a instalação de uma fábrica no país. Três cidades estão na disputa. A receita da companhia é gastar o mínimo para repassar a "economia" de custo aos preços.
Diferentemente dos executivos americanos e europeus, que dispõem de benefícios como passagens aéreas em primeira classe e hotel cinco estrelas, os chineses gastam com parcimônia. Só não economizam na hora de investir.
Neste ano, eles já investiram US$ 12 bilhões no Brasil e há pelo menos US$ 45 bilhões em linhas de financiamento disponíveis na China para novos negócios.
Para atender os chineses em suas particularidades, hotéis nas grandes capitais já começam a se adaptar. Incluem, por exemplo, garrafa térmica nos quartos e até fogões para que os executivos preparem suas refeições.
Não é somente uma questão de economia. Devido à diferença de fuso horário, eles trabalham no Brasil durante o dia, fazem compras, voltam ao hotel, preparam suas refeições e continuam na ativa aproveitando o início do expediente na China. Por isso, preferem flats.
No almoço, trocam o restaurante por quilo pela comida chinesa após o terceiro dia de permanência. Em São Paulo, procuram restaurantes na Liberdade. No Rio, o preferido é o Chinese Palace, na orla de Copacabana.
Missões em curso
Rodrigo Maciel, sócio da Strategus, é um dos procurados pelos chineses interessados no país. Segundo ele, há diversas empresas enviando emissários ao Brasil.
Primeiro, elas buscam informação na comunidade chinesa no local. Depois, procuram as câmaras de comércio da China. Por fim, mandam dois funcionários, que costumam alugar um apartamento.
Eles passam, no mínimo, seis meses garimpando informações. Só após ter certeza de que o negócio dará certo a matriz monta o escritório.
A Folha apurou que há pelo menos 20 companhias atuando dessa forma no momento. Elas faturam entre US$ 300 milhões e US$ 1 bilhão e produzem de eletrônicos a louças sanitárias.
As grandes missões chinesas, como a que visitou o porto do Açu, do empresário Eike Batista, são diferentes: hospedam-se em hotéis cinco estrelas. Isso ocorre quando têm presidentes de grandes companhias chinesas e membros do governo.
Sem objetivos fechados, elas acabam em uma escola de samba, visitas a Foz do Iguaçu ou na mesa de uma churrascaria como o Porcão, no Rio de Janeiro, quase tão popular na China quanto qualquer jogador da seleção.
27 de agosto 2020
02 de julho 2020
Av. Francisco Matarazzo, 404 Cj. 701/703 Água Branca - CEP 05001-000 São Paulo/SP
Telefone (11) 3662-4159
© Sobratema. A reprodução do conteúdo total ou parcial é autorizada, desde que citada a fonte. Política de privacidade