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Folha de São Paulo
21/06/2010 14h46
Estimuladas pelo governo da China, estatais do país iniciaram uma inédita onda de investimentos no Brasil, concentrada em setores considerados estratégicos para a terceira economia mundial.
O bom relacionamento entre os dois governos e as reservas minerais e de petróleo explicam a "invasão", que, por outro lado, ocorre dez anos depois do início da expansão mundial das empresas chinesas.
Desde o final de 2009, ano em que a China se tornou o principal parceiro comercial brasileiro, os investimentos do país asiático saltaram da casa dos milhões para bilhões de dólares. Entre 2007 e até fins de 2009, a China investiu no Brasil US$ 146 milhões. Neste ano, a soma já passa de US$ 5 bilhões.
"A maioria das empresas reflet
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Estimuladas pelo governo da China, estatais do país iniciaram uma inédita onda de investimentos no Brasil, concentrada em setores considerados estratégicos para a terceira economia mundial.
O bom relacionamento entre os dois governos e as reservas minerais e de petróleo explicam a "invasão", que, por outro lado, ocorre dez anos depois do início da expansão mundial das empresas chinesas.
Desde o final de 2009, ano em que a China se tornou o principal parceiro comercial brasileiro, os investimentos do país asiático saltaram da casa dos milhões para bilhões de dólares. Entre 2007 e até fins de 2009, a China investiu no Brasil US$ 146 milhões. Neste ano, a soma já passa de US$ 5 bilhões.
"A maioria das empresas reflete a estratégia de crescimento da China", diz Zhou Zhiwei, do Centro de Estudos Brasileiros da Academia Chinesa de Ciências Sociais.
Segundo Zhou, o apoio dos governos é o principal estímulo para as estatais chinesas se instalarem no Brasil . "A boa relação política reduz os riscos do investimento."
Lucros
Mas a lógica das empresas visa também o lucro, e não apenas a estratégia. Wang Zhen, pró-reitor da Universidade de Petróleo da China em Pequim, explica que, assim como a Petrobras, a Sinochem, dona do maior investimento no Brasil, é uma estatal de capital misto.
"Não são estatais tradicionais, são controladas pelo governo, mas têm ações à venda. O principal objetivo é ganhar dinheiro e satisfazer os acionistas", afirma Wang sobre as estatais chinesas.
"O governo não determina as compras. O primeiro ponto é ter boas relações entre os governos, então o governo pode sugerir investimentos no Brasil, mas a decisão final é da empresa", disse Wang.
Segundo ele, a internacionalização das estatais acompanha a maior demanda interna, mas isso não implica que o petróleo brasileiro extraído pela Sinochem abastecerá diretamente a China.
"Se as empresas chinesas forem competitivas internacionalmente, o abastecimento doméstico estará mais assegurado. Mas não significa que a participação num projeto de petróleo no Brasil faça com que a produção seja levada à China. Provavelmente, será vendida em outros países. O objetivo é lucrar."
Prioridades
Embora o volume tenha crescido bastante nos últimos meses, o Brasil ainda não é uma prioridade chinesa, segundo os dois analistas. Eles concordam que a participação brasileira nos investimentos internacionais chineses ainda é muito pequena comparativamente.
"O Brasil é apenas uma das opções da China. O país está atraído por todo bom investimento no mundo. A [petroleira] CNPC, por exemplo, participa de 80 projetos internacionais, em todos os continentes", diz Wang.
Também há receios. Consultor de empresas como a gigante Baaosteel, a maior siderúrgica da China, Zhou disse que a maioria das empresas tem dúvidas, principalmente sobre a tributação, considerada pesada.
Outras preocupações são leis trabalhistas, segurança e se há o risco de mudança na política econômica após o final do governo Lula.
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