Mercado
Valor
23/02/2011 13h51
Com a forte expansão do setor de petróleo e gás, que deve se acentuar nos próximos anos na área de exploração, produção e construção naval para atender as demandas de navios da Petrobras, o setor vive um apagão de talentos que as universidades não estão dando conta de atender pela falta de infraestrutura e formação de corpo docente. Em quase dez anos houve um crescimento de 148% no número de empresas do setor que operam no país, passando de 37 em 2000 para 90 em 2009; e de 463% nas que atuam com exploração e produção, cujo número saltou de 8 empresas em 2000 para 45 em 2009. Além disso, os requisitos profissionais estão mudando, o que exige um esforço adicional das empresas em termos de capacitação.
Desde a quebra do monopólio es
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Com a forte expansão do setor de petróleo e gás, que deve se acentuar nos próximos anos na área de exploração, produção e construção naval para atender as demandas de navios da Petrobras, o setor vive um apagão de talentos que as universidades não estão dando conta de atender pela falta de infraestrutura e formação de corpo docente. Em quase dez anos houve um crescimento de 148% no número de empresas do setor que operam no país, passando de 37 em 2000 para 90 em 2009; e de 463% nas que atuam com exploração e produção, cujo número saltou de 8 empresas em 2000 para 45 em 2009. Além disso, os requisitos profissionais estão mudando, o que exige um esforço adicional das empresas em termos de capacitação.
Desde a quebra do monopólio estatal, com a criação de um ambiente de ampla competitividade, não basta mais só o conhecimento técnico. Habilidades gerenciais e executivas, que envolvem conhecimentos de gestão de contratos, gerenciamento de projetos, análise financeira de investimentos e gestão de fluxo de caixa, identificação e a avaliação de oportunidades e tomada de decisões estratégicas, são alguns dos novos requisitos. Para lidar com a escassez, as empresas buscam soluções inovadoras. Elas investem em parcerias com instituições de ensino e criam iniciativas próprias de formação e capacitação, envolvendo profissionais mais experientes em modelo de tutoria com os mais novos e reciclagens internacionais.
Segundo Luiz Alberto Nascimento Campos Filho, diretor acadêmico do Ibmec-RJ, que está criando um curso de graduação de engenharia em energia com ênfase em petróleo, formar mão de obra para o setor nunca foi uma prioridade das universidades brasileiras. Ele diz que o país não criou condições para ter universidades preparadas na velocidade que o mercado exige. "Mesmo que a demanda seja imensa e as empresas tenham recursos financeiros para contratar e formar profissionais, existe escassez na oferta. Há cursos específicos, mas não na escala e na velocidade necessária por conta do tamanho e da urgência do pré-sal. E não é só a Petrobras, mas toda a cadeia que inclui os fornecedores e a indústria naval."
Hoje, existem no Brasil 31 cursos de graduação na área de óleo e gás, 13 no Rio. Mesmo assim o número de especialistas formados a cada ano não é suficiente. A PUC-Rio, por exemplo, só consegue formar por ano 15 engenheiros no seu curso de engenharia de petróleo, apesar da demanda de quem quer cursar a carreira seja mais do que o dobro. "A demanda existe, o que não existe é infraestrutura, laboratórios e profissionais para formar. A formação de engenheiros no Brasil não passa de 300 por ano e não é nem o que a Petrobras precisa. Há demanda por engenheiros de todas as áreas e também de geólogos e geofísicos. Um dos maiores concorrentes das empresas do setor são os bancos e fundos de análise de investimentos que estão contratando os melhores profissionais", diz Sérgio Augusto Barreto da Fontoura, coordenador de engenharia de petróleo da PUC-RJ.
A universidade oferece um curso de especialização lato sensu e mestrado e doutorado em engenharia de petróleo que forma pesquisadores em E&P e donwstream, que a universidade acaba perdendo para o mercado. E recebe investimentos da Petrobras, que está construindo um prédio para acomodar 14 laboratórios e da Chevron ,que está investindo R$ 1 milhão para a construção de laboratórios, apoio a pesquisa e concessão de bolsas de estudo.
Na formação gerencial e executiva, instituições como a FGV, o Ibmec e a Coppead oferecem cursos específicos e in company. A FGV conta com um MBA executivo em petróleo e gás natural e combustíveis renováveis e desenvolve cursos para a Petrobras e outras empresas. A Coppead oferece curso de especialização em energia para formar profissionais gestores, que já fizeram a carreira técnica. "O foco é em regulação, economia e finanças em função dos grandes aportes de capital do setor, que tem grandes empreendimentos com fluxos de caixa de longo prazo", diz Vicente Ferreira, coordenador do curso na Coppead.
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