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Fiesp traça plano para frear produtos chineses

DCI

28/04/2011 13h37 | Atualizada em 28/04/2011 17h58


A necessidade da criação de uma agenda econômica que proteja e dê competitividade à indústria brasileira, com mudanças na política cambial do País, na taxa de juros - Selic - e na pressão inflacionária são focos de grande atenção para Paulo Skaf.

Ainda de acordo com Skaf, a concorrência dos produtos brasileiros frente aos produtos chineses está sendo estudada pela equipe de técnicos e economistas da Fiesp para que seja traçado um plano estratégico, e este seja utilizado pelo governo federal.

Outro tema abordado foram os eventos esportivos que acontecerão nos próximos anos no Brasil. Para Skaf, esta é uma boa maneira de apresentar o País para o mundo, contudo, é necessário colocar os projetos de infraestrutura em prática,

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A necessidade da criação de uma agenda econômica que proteja e dê competitividade à indústria brasileira, com mudanças na política cambial do País, na taxa de juros - Selic - e na pressão inflacionária são focos de grande atenção para Paulo Skaf.

Ainda de acordo com Skaf, a concorrência dos produtos brasileiros frente aos produtos chineses está sendo estudada pela equipe de técnicos e economistas da Fiesp para que seja traçado um plano estratégico, e este seja utilizado pelo governo federal.

Outro tema abordado foram os eventos esportivos que acontecerão nos próximos anos no Brasil. Para Skaf, esta é uma boa maneira de apresentar o País para o mundo, contudo, é necessário colocar os projetos de infraestrutura em prática, capacitar a mão de obra, entre outras medidas que serão necessárias para impressionar e atrair novos visitantes.

Confira abaixo a entrevista exclusiva que o presidente da Fiesp e do Ciesp concedeu ao DCI.

DCI - Quais as consequências para a indústria diante da valorização cambial?

Paulo Skaf- As consequências para a indústria são gravíssimas, em termos imediatos é a questão mais grave que temos. O câmbio atual rouba a nossa competitividade injustamente. Hoje, temos uma moeda supervalorizada, enquanto outras moedas estão desvalorizadas.

A moeda chinesa, o iuane, por exemplo, está 20% abaixo do dólar, enquanto o real está 20% acima da moeda norte-americana. Então, temos uma agenda econômica importante para discutirmos, com o objetivo imediato de solucionar a questão cambial, e também a questão da redução da taxa de juros e uma pressão inflacionária menor, para podermos resolver os problemas do setor produtivo brasileiro.

Hoje, com o câmbio flutuante, quanto mais oferta de dólar no País, maior a valorização da moeda brasileira. Desta maneira, a alta taxa de juros - Selic -, que está em 12% ao ano, é atraente para o mercado financeiro internacional, que envia grandes volumes de dólar ao Brasil, uma vez que as aplicações em seus países de origem rendem apenas 1% ou 2% no mesmo período. Nos primeiros três meses de 2011, US$ 35 bilhões entraram no País por meio desta vantagem do rendimento das aplicações financeiras. É necessária uma redução da taxa de juros, para que com isto, diminua a entrada de dólar e consequentemente, ajude a desvalorização cambial e também a diminuição dos gastos públicos.

Hoje, o maior gasto público que se tem é o pagamento de juros. O governo, em 2011, irá gastar mais de R$ 200 bilhões para o pagamento de juros, o que é um absurdo.

DCI - A visita da presidente Dilma Rousseff à China foi benéfica para o Brasil?

PS - Não posso dizer que tenha prejudicado o Brasil em nada. Mas, ser benéfico para o Brasil é mudar a atual relação que temos com a China. É preciso haver um equilíbrio melhor na nossa balança, no sentido de não vender produtos com menor valor agregado e comprar manufaturas. Além disso, temos de ter esta distorção cambial corrigida dos dois lados. Tem de respeitar os interesses e economias de ambos os países, como foi o caso do modelo 190 da Embraer, que foi proibida a produção na China. A presidente acabou de chegar da China, vamos esperar os resultados desta visita e das propostas feitas por ela ao governo chinês. Se as coisas sinalizarem um caminho de mudança, poderei dizer que a visita foi benéfica, caso não haja nenhuma mudança, o que eu acredito que vá acontecer, então poderei falar a verdade, que não foi benéfico.

DCI - Reconhecer a China como uma economia de mercado poderá ampliar a concorrência para a indústria do País?

PS - Outro foco do nosso trabalho é a questão do reconhecimento da China como uma economia de mercado. Formamos um grupo de inteligência e estamos utilizando toda a nossa estrutura de técnicos e profissionais altamente competentes para ajudar o governo, por meio de um plano estratégico para tirar proveito desta situação. O governo não tem um plano formado, e os chineses sim, eles sabem o que querem.

Eles têm o objetivo de vender produtos com maior valor agregado, comprar nossas matérias-primas para suprir a demanda interna chinesa e expandir o valor das mercadorias por meio da industrialização de seu país, ou seja, eles vão fazer o que lhes interessa e ainda vão investir nas áreas estratégicas brasileiras para concluir seus projetos. Eles estão certos, estão vendo rigorosamente os seus próprios interesses. O Brasil precisa ver o seu interesse e correr atrás dele, e com isto encaixar a China e não o contrário, reconhecer a China como economia de mercado, fazer parte dos planos deles e depois resolver como encaixá-los nos nossos planos.

Hoje, as relações que temos com a China são benéficas, em sua grande parte, para eles. Mesmo sem o reconhecimento, atualmente vendemos minério de ferro e soja e compramos vestuário, brinquedos, máquinas e automóveis. É uma relação mais de risco do que de oportunidade. Será que o Brasil decidiu abrir mão da sua indústria manufatureira, dos empregos para seus 200 milhões de habitantes?

Com a concorrência desleal no cambio, precisamos nos impor ou achar outras alternativas que compensem esta parceria comercial.

DCI - Qual a sua visão dos eventos esportivos que acontecerão no País nos próximos anos?

PS - São duas grandes oportunidades para a indústria brasileira, para a sociedade e para o País. Nosso ponto de vista é que a realização da Copa do Mundo e das Olimpíadas serão positivas, pois significa que o Brasil vai virar a vitrine do mundo.

Nós moramos em um país que ocupa a metade da América do Sul, que tem 20 milhões e meio de quilômetros quadrados, mas que poucas pessoas do mundo conhecem. As coisas devem correr bem, todos os visitantes terão de ser bem atendidos, para que os dois eventos ocorram com sucesso.

Não podemos focar somente na questão estrutural, que estádios, aeroportos e afins estejam prontos, mas também na questão pessoal, para que o País seja visto como organizado, competente e competitivo. O grande desafio é que as coisas não estão sendo feitas na velocidade que gostaríamos. Seria um absurdo, não termos estádios, aeroportos, transporte, logística, hotéis e pessoal capacitado.

Este atraso, estas prorrogações levam, a de repente, fazer as coisas de forma atropelada, o que elevará os custos. Pois acontecer elas vão, só que teremos que desembolsar mais fundos para isto.

DCI - Quais são os planos para o novo mandato Fiesp/Ciesp?

PS - Tenho primeiro que agradecer a renovada confiança que os setores produtivos de São Paulo depositaram na minha pessoa e também nas pessoas que me acompanham nestes 4 anos, para a reeleição das chapas, tanto da Federação das Indústrias de São Paulo [Fiesp] quanto do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo [Ciesp]. As eleições ocorreram simultaneamente em todo o estado e tiveram comparecimento expressivo, embora o pleito fosse chapa única. Na Fiesp, os votos favoráveis [121] totalizaram 98,4% dos votos válidos [123]. Estes serão os meus quatro últimos anos, pois os estatutos das duas entidades não permitem uma nova reeleição Este mandato vai até o final de setembro e no começo de outubro começamos o novo, que vai até 2015.

Temos uma coincidência desta renovação de mandatos com as posses estadual e federal, é chegado o momento de aproximarmos a Fiesp dos novos representantes e governos. O nosso objetivo é buscar essa interligação, mas sempre com independência. Vamos procurar oferecer soluções para o governo, construir um grande projeto estratégico para o País. Para isto, estamos e vamos receber na Fiesp ministros, secretários, senadores, deputados federais e estaduais. O objetivo é de trabalharmos integrados com os governos, no sentido de termos uma agenda produtiva, de buscarmos sinergia com resultados concretos sem perder a nossa independência, que é total. No momento em que entendermos que não estamos de acordo, com um ponto ou outro dos governos, vamos defender nosso ponto de vista.

Nesta nova gestão vamos reformular os nossos conselhos e departamentos, de forma que haja uma reflexão daquilo que se fez e não se fez, e o que precisa ser feito, enfim, pegarmos as lições todas e buscarmos novos resultados, priorizando o aumento da competitividade, que é uma palavra chave do momento, muito ampla porque engloba várias áreas.

DCI - E a política? Tem pretensões de algum cargo?

PS - Cargo não me falta. Hoje com muita honra e orgulho presido as entidades que são as maiores do mundo. Temos 17 mil funcionários, 1,2 milhão de alunos, 400 escolas, trabalhamos com 6 mil voluntários. Eu realmente não estou atrás de cargo. Neste trabalho me envolvo literalmente na questão cultural, na formação profissional. Chega uma hora em que você tem de fazer mais e, numa democracia, o poder verdadeiro está na política, por isso aceitei e me filiei ao Partido Socialista Brasileiro (PSB). Tive mais de 1 milhão de votos, porém, foi em um momento que a sociedade não quis grandes mudanças. Além disso, eu era pouco conhecido pela população, e esperava uma coligação que me desse um tempo maior na televisão. Tinha um minuto, enquanto os outros oponentes tinham quase dez minutos. Agora já sou mais conhecido, considerando tudo, o resultado foi muito bom. Não há democracia sem política e não há política sem político. A política só tem entrada, não tem saída. Quero entrar para servir mais. Não estou militando em partido político, porque estou aqui. Não se pode misturar as coisas. Estar em uma campanha é uma coisa e estar na entidade é outra . As oportunidades aparecem, vamos deixar a política para o futuro.

 

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