Mercado
12/03/2010 14h43
A busca de novas tecnologias para reverter o imenso déficit sanitário no continente latino-americano vai ser o foco da primeira versão da Feira Internacional Latinosan 2010, que acontecerá em Foz do Iguaçu, Paraná, entre os dias 14 e 17 de março, no Rafain Palace Hotel. O evento reúne empresas operadoras dos serviços de água e esgoto, fabricantes de equipamentos e materiais, prestadores de serviços e profissionais do setor de saneamento ambiental. A mostra será realizada simultaneamente à realização da 2ª Latinosan - Conferência Latino-Americana de Saneamento, que conta com o apoio oficial do Ministério das Cidades e do Banco Mundial.
A conferência será um dos maiores eventos mundiais do setor, com a participação de líderes
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A busca de novas tecnologias para reverter o imenso déficit sanitário no continente latino-americano vai ser o foco da primeira versão da Feira Internacional Latinosan 2010, que acontecerá em Foz do Iguaçu, Paraná, entre os dias 14 e 17 de março, no Rafain Palace Hotel. O evento reúne empresas operadoras dos serviços de água e esgoto, fabricantes de equipamentos e materiais, prestadores de serviços e profissionais do setor de saneamento ambiental. A mostra será realizada simultaneamente à realização da 2ª Latinosan - Conferência Latino-Americana de Saneamento, que conta com o apoio oficial do Ministério das Cidades e do Banco Mundial.
A conferência será um dos maiores eventos mundiais do setor, com a participação de líderes políticos do continente latino-americano, e prevê a presença de delegações de vários países que serão representados por suas principais autoridades e funcionários da administração central, regional e local. Também são esperados representantes da sociedade pública, privada e da sociedade civil, agências internacionais de cooperação, universidades públicas e privadas, bem como representantes das comunidades locais em áreas urbanas e rurais.
Potencial de negócios
Na Expo Latinosan, promovida e organizada pela Fagga Eventos, empresas e instituições governamentais e não governamentais terão a oportunidade de apresentar equipamentos, produtos, serviços e ofertar apoio ou trocar informações e experiências, contribuindo para o desenvolvimento sustentável da região.
Segundo a gerente da Fagga, Cláudia Leon, a Expo Latinosan se converte numa oportunidade única para que empresas, entidades e associações apresentarem seu projetos, soluções, produtos e serviços no atual contexto político-técnico-ambiental. “Além disso, a localização do evento – Foz do Iguaçu, no Oeste do Paraná – que marca a fronteira entre o Brasil, Argentina e Paraguai, favorece a interação com o Mercosul e com os demais países do bloco latino-americano, um mercado com forte potencial para os produtos e equipamentos brasileiros na área de saneamento ambiental. Os claros sinais de retomada da economia brasileira, especialmente no último trimestre de 2009 e início de 2010, certamente se refletirão nos investimentos e encomendas do setor de saneamento este ano. Além disso, a escolha do Brasil para sediar os jogos da Copa do mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro, vão gerar pesados investimentos na área de infra-estrutura do país, que precisa estar preparado para receber estes e outros eventos internacionais importantes já programados. Somente o Rio de Janeiro vai receber quase R$ 23 bilhões por conta da Copa do Mundo e das Olimpíadas”, afirma a gerente da Fagga Eventos, Cláudia Leon.
Para a executiva, “se considerarmos que somente o Brasil precisa de investimentos da ordem de R$ 240 bilhões (dados corrigidos em relação ao ano 2000) para universalizar o saneamento ambiental, segundo cálculos do próprio Ministério das Cidades, dá para dimensionar o tamanho desse mercado”, afirma.
Autocrítica internacional
O primeiro Latinosan foi realizado em 2007, na Colômbia, com a participação de 44 países. A edição reuniu 15 ministros de Estado e cerca de 500 delegados, técnicos e especialistas do setor. Um dos objetivos do evento é definir compromissos públicos dos países com relação à política de saneamento na América Latina. Outro foco do evento é fazer uma avaliação dos indicadores de saneamento, das condições da prestação dos serviços e fontes de financiamento para o setor na América Latina, que busca o cumprimento das Metas do Milênio, para o saneamento, estabelecidas pela ONU.
A 2ª edição da Latinosan vai dar continuidade às discussões iniciadas durante a 1ª Conferência, que culminaram com a assinatura por representantes de 17 países da Declaração Ministerial de Cali. O documento tem três objetivos: priorizar o saneamento nas políticas nacionais de desenvolvimento, apoiar o alcance dos Objetivos do Milênio e fortalecer a cooperação intergovernamental na América Latina.
A proposta da Latinosan é criar um espaço propício de incentivo aos tomadores de decisões na região a priorizarem intervenções de saneamento. Não se trata somente de conseguir mais recursos, mas de planejar, trocar experiências, gerar uma cultura de gestão, de troca de experiências a fim de reverter os indicadores atuais. O objetivo geral da conferência é contribuir para o bem estar da população da América Latina, com ênfase no combate à pobreza, na melhoria da eficiência da prestação dos serviços de saneamento básico e na sustentabilidade dos recursos naturais. Por isso, a agenda da Conferência será constituída por temas político, institucionais e técnicos discutidos em reuniões plenárias, seminários e mesas redondas.
São esperados na Latinosan participantes dos seguintes países:Brasil, Argentina, Belize, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guianas, Guatemala, Haiti, Honduras, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Suriname, Uruguai, Venezuela, México, Estados Unidos, Canadá e delegações das regiões de África, Sul da Ásia e Sudeste Asiático.
O quadro brasileiro
Segundo pesquisa realizada recentemente pelo Instituto Trata Brasil em parceria com o Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas (CPS/IBRE/FGV), atualmente 50,9% da população possuem acesso à rede de esgoto. Isso não quer dizer, no entanto, que o sistema de saneamento básico brasileiro seja satisfatório. Ao contrário, há muito ainda para ser feito já que 49,1% da população ainda não possui acesso ao serviço.
Em termos de América Latina, a situação também é caótica. O continente ainda tem 120 milhões de pessoas sem acesso a sistemas de saneamento e menos de 15% das águas residuais são tratadas. Dados da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal) estimam que mais de 35% das crianças na região não têm acesso à água potável. De acordo com o estudo “O direito a um Ambiente Saudável para Crianças e Adolescentes: Um diagnóstico sobre América Latina e Caribe”, o problema de acesso à água afeta ainda cerca de três em cada 10 adultos.
O estudo, preparado com a ajuda do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), indica que os problemas de acesso à água ameaçam cerca de 21 milhões de crianças menores de cinco anos. De acordo com o documento, as maiores vítimas são moradores de áreas rurais, integrantes de populações indígenas e crianças negras. Ainda segundo a Cepal, a falta de água potável pode agravar a mortalidade infantil e a desnutrição infantis. A pesquisa sugere a busca de soluções que possam integrar medidas conjuntas dos setores público e privado.
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