Mercado
Valor
22/09/2010 15h16 | Atualizada em 22/09/2010 20h37
A Eletrobras avalia "três ou quatro possibilidades de parceria" com empresas americanas para entrar no mercado de distribuição de energia elétrica dos Estados Unidos, informou ontem o assessor de tecnologia da empresa, Djamil de Holanda Barbosa.
Depois de analisar o mercado americano, a estatal brasileira concluiu que tem tecnologia avançada o suficiente para deter uma participação relevante ou até mesmo majoritária num eventual empreendimento. Em julho, a empresa havia anunciado que, num primeiro momento, iria comprar uma participação de cerca de 5% num empreendimento nos Estados Unidos para aprender um pouco mais do mercado americano antes de montar uma operação mais significativa. Agora, a avaliação é que pode andar num passo
...

A Eletrobras avalia "três ou quatro possibilidades de parceria" com empresas americanas para entrar no mercado de distribuição de energia elétrica dos Estados Unidos, informou ontem o assessor de tecnologia da empresa, Djamil de Holanda Barbosa.
Depois de analisar o mercado americano, a estatal brasileira concluiu que tem tecnologia avançada o suficiente para deter uma participação relevante ou até mesmo majoritária num eventual empreendimento. Em julho, a empresa havia anunciado que, num primeiro momento, iria comprar uma participação de cerca de 5% num empreendimento nos Estados Unidos para aprender um pouco mais do mercado americano antes de montar uma operação mais significativa. Agora, a avaliação é que pode andar num passo um pouco mais rápido.
A empresa brasileira também detém tecnologia de ponta, afirma Barbosa, na geração de energia eólica, por isso já começou a conversar com possíveis parceiros americanos para entrar nessa área. "Estamos à frente quando o assunto é tecnologia eólica", afirmou o técnico. A Eletrobras, por outro lado, acha que pode se beneficiar da tecnologia americana na geração de energia solar e também na produção de eletricidade a partir do lixo.
Barbosa participou ontem de um seminário sobre inovação realizado em Washington. O evento reuniu especialistas brasileiros e americanos e foi organizado pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, pelo Movimento Brasil Competitivo e pelo Conselho de Competitividade dos Estados Unidos.
Segundo Barbosa, a busca de parcerias nos Estados Unidos faz parte da estratégia de internacionalização da Eletrobras, determinada pelo presidente Luis Inácio Lula da Silva. "O presidente Lula orientou a empresa a se tornar uma Petrobras do setor de energia elétrica", afirmou Barbosa.
A companhia deu recentemente alguns passos importantes no seu movimento de internacionalização, ao fechar contrato para construir usinas no Peru, na Nicarágua e também na Argentina. Além dos Estados Unidos, estão sendo negociadas parcerias em Moçambique.
O presidente americano, Barack Obama, lançou um projeto para interligar o sistema elétrico do país. Atualmente, as redes são fragmentadas e sem comunicação porque a regulação do setor é feita pelos Estados.
O Brasil já interligou seu sistema elétrico e, segundo Barbosa, tem bastante conhecimento para atuar na área. "Temos uma expertise que interessa aos Estados Unidos", afirmou ele. Em julho, a Eletrobras anunciou que irá destinar cerca de US$ 500 milhões para investimentos apenas nos Estados Unidos.
Obama também se empenha em expandir o uso de energias limpas nos Estados Unidos, incluindo a energia eólica. "A energia eólica já é um fato no Brasil", afirma Barbosa, após a significativa participação da iniciativa privada nos leilões desse tipo de energia realizados pelo governo brasileiro.
Mas o Brasil tem muito a aprender, afirma, sobre tecnologias de produção de energia solar. Os Estados Unidos têm a maior unidade de produção de energia solar do mundo, no deserto de Mojave, que fica nos Estados de Nevada e Califórnia. O Brasil tem o terceiro maior potencial para a geração de energia solar, diz Barbosa, depois dos Estados Unidos e o norte da África.
O Brasil também está desenvolvendo pesquisas, tomando como base a experiência americana, para o possível aproveitamento do lixo para a produção de energia elétrica. O lixo no Brasil, afirma Barbosa, tem uma maior participação de compostos orgânicos, por isso seu potencial para produzir energia é um pouco menor do que o americano, mas mesmo assim as pesquisas apontam para viabilidade econômica do projeto.
A Eletrobras tem interesse ainda em tecnologias americanas que possam reduzir o impacto ambiental de projetos de geração de energia hidroelétrica, como por exemplo turbinas que permitam produzir mais energia com reservatórios menores de água.
27 de agosto 2020
02 de julho 2020
Av. Francisco Matarazzo, 404 Cj. 701/703 Água Branca - CEP 05001-000 São Paulo/SP
Telefone (11) 3662-4159
© Sobratema. A reprodução do conteúdo total ou parcial é autorizada, desde que citada a fonte. Política de privacidade