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Custo do gás e energia terá forte impacto para indústria se a guerra for prolongada, alerta CNI

CNI teme os efeitos para a indústria em caso de guerra prolongada no Oriente Médio

O Estado de S.Paulo

25/03/2026 11h37 | Atualizada em 25/03/2026 11h37


O Conselho de Infraestrutura da Confederação Nacional da Indústria (Coinfra/CNI) fez um alerta na semana passada para os impactos da guerra no Oriente Médio para o setor industrial no Brasil.

Se o conflito bélico persistir, é previsto aumento de preços para as indústrias que utilizam o gás natural em seus processos, como química, siderurgia, petroquímica, cerâmica e de vidros.

Além disso, é antevisto impacto nos preços de fertilizantes que usam o gás natural como matéria-prima, além de possível pressão sobre os custos da produção de energia pelas termoelétricas

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O Conselho de Infraestrutura da Confederação Nacional da Indústria (Coinfra/CNI) fez um alerta na semana passada para os impactos da guerra no Oriente Médio para o setor industrial no Brasil.

Se o conflito bélico persistir, é previsto aumento de preços para as indústrias que utilizam o gás natural em seus processos, como química, siderurgia, petroquímica, cerâmica e de vidros.

Além disso, é antevisto impacto nos preços de fertilizantes que usam o gás natural como matéria-prima, além de possível pressão sobre os custos da produção de energia pelas termoelétricas a gás natural.

Há 178 usinas desse tipo em operação, que equivalem a 60% da geração térmica e a 9% da geração total.

O problema é a indexação contratual. No caso do gás consumido pela indústria, uma parte expressiva dos contatos é indexada pelo Brent.

Para as termoelétricas, há vinculação com o JKM (índice asiático do gás). Esses acordos geralmente são trimestrais e calculados pela média dos últimos 90 dias. Diversos contratos de gás natural poderão ter reajuste a partir de 1º de maio de 2026.

"Caso a guerra não termine antes disso, teremos uma pressão de custos e sérios problemas econômicos para as indústrias, em razão da dependência de gás e energia", afirmou a Coinfra/CNI.

Para o Conselho, o conflito no Oriente Médio acende o alerta também para a possibilidade de impactos em contratos ainda não firmados no setor elétrico.

"Com as turbulências no mercado de GNL (gás natural liquefeito), aumenta a percepção de risco para projetos de usinas termelétricas que farão uso do combustível e pretendem se viabilizar no leilão de reserva de capacidade em forma de potência (LRCAP)", disse o Conselho.

Esse leilão de reserva de capacidade promete ser o principal certame do ano, com expressiva contratação de expansão de hidrelétricas e novas termelétricas a gás natural, além da recontratação de usinas existentes a gás, carvão, óleo diesel, óleo combustível e biodiesel.

O Conselho de Infraestrutura da CNI também comentou que o preço do gás natural no mercado brasileiro já é um dos mais elevados do mundo. Com o acirramento do conflito no Oriente Médio, a tendência é de um "severo agravamento dos custos para toda a cadeia produtiva".

O presidente do Conselho de Infraestrutura da CNI, Alex Dias Carvalho, declarou em nota ser necessário "discutir medidas para minimizar a eventual alta desses insumos.”

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