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CSN pretende aumentar sua presença no exterior

Após fracasso da compra da portuguesa Cimpor, Benjamin Steinbruch mira Europa e EUA para aproveitar preços baixos das empresas nos países ricos

Folha de S. Paulo

04/10/2010 13h27 | Atualizada em 04/10/2010 16h45


Com a valorização do real e o bom desempenho da economia brasileira nos últimos anos, a palavra internacionalização entrou para o manual estratégico das grandes empresas brasileiras.

A CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), gigante do setor de aço, tem encontrado dificuldade para colocar a teoria em prática. E não tem sido por falta de tentativa, como admitiu o presidente da empresa, Benjamin Steinbruch, em entrevista recente à Folha. Steinbruch se disse confiante, no entanto, em que essa realidade mudará logo: "Estou muito focado na internacionalização agora".

Steinbruch disse que, de certa forma, foi bom não ter "acertado a mão" porque as empresas de países ricos potencialmente à venda estão mais baratas agora.

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Com a valorização do real e o bom desempenho da economia brasileira nos últimos anos, a palavra internacionalização entrou para o manual estratégico das grandes empresas brasileiras.

A CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), gigante do setor de aço, tem encontrado dificuldade para colocar a teoria em prática. E não tem sido por falta de tentativa, como admitiu o presidente da empresa, Benjamin Steinbruch, em entrevista recente à Folha. Steinbruch se disse confiante, no entanto, em que essa realidade mudará logo: "Estou muito focado na internacionalização agora".

Steinbruch disse que, de certa forma, foi bom não ter "acertado a mão" porque as empresas de países ricos potencialmente à venda estão mais baratas agora.

Com a candidatura de Paulo Skaf ao governo de São Paulo, Steinbruch ocupa interinamente a presidência da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

Recentemente, tem vociferado críticas ao aumento de importações e defendido a realização de uma reforma tributária ampla. Para ele, a única janela de oportunidade que o próximo governo terá para fazer reformas importantes será nos primeiros 90 dias de mandato.

Folha - A CSN é uma das grandes empresas que ainda não deslancharam na questão da internacionalização. Teve o caso recente da Cimpor . 
Benjamin Steinbruch
- Ainda bem que não acertamos a mão naquele momento, porque senão pagaríamos mais caro. Mas vamos acertar rapidamente.

A CSN sempre foi muito racional nessa forma de como encarou o desafio de se globalizar. Nós participamos de cinco ou seis tentativas, e, em todas elas, fomos sabendo o preço máximo que poderíamos pagar. Todas ultrapassaram o preço e, por isso, não levamos as empresas, inclusive a Cimpor.

E, por sorte, talvez aquilo que não conseguimos fazer no passado seja mais fácil fazer hoje [com os preços mais baixos de ativos de países desenvolvidos].

Não dá pra dizer em quanto tempo, temos que ponderar a parte fiscal e a parte da internacionalização. Nem sempre seguimos o cronograma que queremos.

Estou muito focado na internacionalização agora. E não sabemos exatamente o momento. Sei bem disso porque já tentei bastante e não consegui internacionalizar a CSN, mas estamos perto desse momento.

Quais mercados são prioridade para a CSN?
Olhamos principalmente EUA e Europa.

Que medidas concretas o senhor sugere contra o perigo de desindustrialização por conta do aumento das importações sobre o qual o senhor tem falado muito?
Aumento do Imposto de Importação pode ser feito de forma pontual.

A importação de produtos de mercados que você sabe que têm um custo desigual de produção, que têm uma carga fiscal muito menor, que têm uma moeda desvalorizada, que têm juros subsidiados, que não têm uma lei ambiental correta e uma lei trabalhista vigente.

Acho que são justas e necessárias quaisquer medidas que sejam tomada para proibir a importação de produtos que não são concorrência leal. Tarifa é uma delas.

Que receptividade o senhor vê entre os principais candidatos à Presidência a medidas como essas?
Acho que é uma preocupação, e todos eles já demonstraram isso publicamente.

O senhor acha que o projeto de reforma tributária que havia sido elaborado pelo governo atual e acabou não sendo votado era tímido?
Acho. O Brasil precisa de muito mais audácia, muito mais inovação. Na verdade, a gente tem de fazer uma reforma para diminuir de forma significativa a carga tributária e a concorrência entre Estados.

O presidente Lula é criticado por não ter promovido reforma significativa no segundo mandato. O senhor acredita que, se a candidata Dilma Rousseff for eleita, essa situação mudaria?
Esse tipo de reforma você tem de fazer nos primeiros 90 dias de governo. De qualquer governo. Aquilo que você precisa fazer de forma diferenciada, você tem de fazer apoiado pela maioria da votação popular. E, tomara que qualquer que seja o presidente eleito, tenha esse plano pronto para fazer essas reformas tão logo seja empossado.

 

 

 

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