Mercado
Valor Econômico
27/01/2011 14h33 | Atualizada em 27/01/2011 16h35
O mercado, que já estava com um pé atrás, ficou ainda mais receoso após a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15) de janeiro bem acima das expectativas. Esse é mais um sinal de que pode ser necessário o governo tomar novas atitudes para conter o crescimento econômico e a inflação. Com isso, cresceram as expectativas de que saiam novas medidas macroprudenciais na reunião de hoje do Conselho Monetário Nacional (CMN), que ocorre tradicionalmente toda última quinta-feira do mês.
"Uma inflação bem acima do esperado aumentou as especulações de que o CMN aja novamente", diz o gerente da mesa de operações da HSBC Corretora, Frederico Soares.
O IPCA-15 de janeiro subiu 0,76% e o consenso era de um aumento de 0
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O mercado, que já estava com um pé atrás, ficou ainda mais receoso após a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15) de janeiro bem acima das expectativas. Esse é mais um sinal de que pode ser necessário o governo tomar novas atitudes para conter o crescimento econômico e a inflação. Com isso, cresceram as expectativas de que saiam novas medidas macroprudenciais na reunião de hoje do Conselho Monetário Nacional (CMN), que ocorre tradicionalmente toda última quinta-feira do mês.
"Uma inflação bem acima do esperado aumentou as especulações de que o CMN aja novamente", diz o gerente da mesa de operações da HSBC Corretora, Frederico Soares.
O IPCA-15 de janeiro subiu 0,76% e o consenso era de um aumento de 0,69%. Os analistas demonstraram preocupação com esse número e as suas consequências. Em relatório, o economista-chefe do banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, afirma que, "apesar de alguns aumentos pontuais terem afetado a inflação neste começo de ano, o quadro da inflação é ruim e exige medidas de aperto monetário do Banco Central, que podem tanto ser outros aumentos na taxa Selic quanto outras medidas macroprudenciais."
A percepção de que outras medidas virão fez o mercado cair ontem. O Índice Bovespa fechou em baixa de 1,03%, aos 68.709 pontos (mínima do ano), e as construtoras estiveram entre as maiores quedas.
Mercado aguarda novas medidas macroprudenciais
Mais do que pela alta dos juros, os setores de construção e consumo sofrem com a possibilidade de novas medidas, como o aumento do depósito compulsório, lembra Soares, da HSBC Corretora. "A alta da Selic demora um tempo para surtir efeito, enquanto as medidas normalmente afetam o crédito muito rapidamente", explica.
As vendas tanto das construtoras quanto de boa parte das varejistas dependem muito do acesso ao crédito. A exceção são as fabricantes de bens não duráveis como AmBev, Hering, Marisa e Lojas Renner, que, na visão de Soares, podem ser boas oportunidades de compra após as quedas. "Já outras varejistas e as construtoras devem sofrer com a restrição do crédito", alerta.
Os números sobre crédito divulgados ontem mostram que as primeiras medidas prudenciais já surtiram efeito. O analista da Fator Corretora Fernando Salazar afirma em relatório que as medidas contribuíram para a elevação nos juros e nos custos de captação dos bancos. Ele projeta um crescimento menor no volume de crédito nos próximos meses.
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