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Com Murilo Ferreira, Vale adota tom conciliador

Valor Econômico

24/05/2011 11h49 | Atualizada em 24/05/2011 15h06


A transição de comando na Vale, com a saída de Roger Agnelli e a chegada de Murilo Ferreira, foi concluída na sexta-feira (20). E mostrou uma mudança clara no discurso. O executivo preocupou-se em usar no encontro com a imprensa vocabulário recheado com palavras como "diálogo", "entendimento" e "consenso". Mas não deixou de enfatizar a manutenção do programa de investimentos e demonstrou preocupação com resultados e retornos para acionistas.

Ferreira não se esquivou de comentar assuntos espinhosos, como as discussões envolvendo as discordâncias com o DNPM, órgão mineral do governo, sobre o pagamento de royalties na extração de minério de ferro. "Com relação a isso, temos que ter um diálogo franco e aberto com as autoridades", dis

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A transição de comando na Vale, com a saída de Roger Agnelli e a chegada de Murilo Ferreira, foi concluída na sexta-feira (20). E mostrou uma mudança clara no discurso. O executivo preocupou-se em usar no encontro com a imprensa vocabulário recheado com palavras como "diálogo", "entendimento" e "consenso". Mas não deixou de enfatizar a manutenção do programa de investimentos e demonstrou preocupação com resultados e retornos para acionistas.

Ferreira não se esquivou de comentar assuntos espinhosos, como as discussões envolvendo as discordâncias com o DNPM, órgão mineral do governo, sobre o pagamento de royalties na extração de minério de ferro. "Com relação a isso, temos que ter um diálogo franco e aberto com as autoridades", disse. "Vamos conversar muito. Sou mineiro, da terra do Tancredo", brincou. O DNPM reclama da mineradora mais de R$ 4 bilhões de royalties que não teriam sido pagos, valor que a Vale contesta.

Outro ponto crítico nas tensões entre governo e Vale, mas visto de forma mais natural por Ferreira, é o desejo do Planalto de que a mineradora apoie projetos em siderurgia. "Existe esse anseio fora do Brasil. Então, precisamos encontrar uma solução de consenso."

A seu ver, ter um parque siderúrgico no Brasil criará um mercado interno consumindo minério da Vale. No caso da ThyssenKrupp CSA, no Rio, a usina de aço consumirá 8 milhões de toneladas de minério da Vale, que tem 27% da empresa. Nessa linha, o executivo defende a instalação da Aços Laminados do Pará (Alpa). Ele espera apresentar o projeto da usina em Marabá ao conselho de administração este ano. "A Vale entende que é necessário, até porque há planos de investidores locais de fazer material laminado com o aço da siderúrgica", destacou.

Essa é também a opinião de Ricardo Flores, presidente do conselho da Vale. "Consideramos que é possível continuar a trajetória de sucesso, de agregação de valor, e ao mesmo tempo ser bom para o país", afirmou.

Ferreira sinalizou ao mercado que a predileção por mais consenso não significará mudança brusca na rota que levou a Vale a seguidos resultados recordes na era de Roger Agnelli, tornando-se a segunda maior mineradora do mundo. A projeção de investimentos de US$ 24 bilhões este ano foi mantida, assim como o plano estratégico para os próximos cinco anos.

Ferreira frisou que haverá um esforço para desembolsar o total previsto para 2011, apesar de a companhia ter admitido, após divulgar o balanço do primeiro trimestre, que não conseguiu alcançar o nível de investimento desejado devido a problemas como a demora no licenciamento ambiental. "Que não haja dúvida sobre a continuidade. Vamos fazer o maior esforço para cumprir", disse. E anunciou que toda a diretoria-executiva, com exceção de Carla Grasso (de recursos humanos e negócios compartilhados), será mantida.

O novo presidente da Vale assume o leme da empresa com pendências importantes: retomada das negociações do megaprojeto de minério de ferro na Guiné, travado por novas exigências do atual governo. A Vale já desembolsou US$ 2,5 bilhões para comprar 51% de participação nesse empreendimento. A empresa enfrenta ainda problemas de licenças para a megajazida de potássio (matéria-prima de fertilizantes) na Argentina.

 

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