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Chineses vão quitar dívida da Plena com BNDES

Valor Econômico

01/12/2010 12h53 | Atualizada em 01/12/2010 14h54


 

O grupo chinês State Grid, que comprou por mais de R$ 3 bilhões a Plena, de transmissão de energia, se recusou a cumprir as exigências do BNDES e decidiu quitar a dívida de quase R$ 1,5 bilhão que a transmissora tinha com o banco. Para transferir a titularidade dos empréstimos, contraídos pelos espanhóis que eram donos da Plena, o banco exigiu sócio brasileiro, além de equipamentos e mão de obra locais. Tantas condições têm um motivo: a entrada dos chineses no setor elétrico brasileiro acendeu a luz amarela do governo federal.

Uma fonte graduada ligada ao governo diz que estão em estudo formas de se inserir regras, como índice de nacionalização, ou artifícios do gênero que dificultem uma invasão chinesa no país, mas que

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O grupo chinês State Grid, que comprou por mais de R$ 3 bilhões a Plena, de transmissão de energia, se recusou a cumprir as exigências do BNDES e decidiu quitar a dívida de quase R$ 1,5 bilhão que a transmissora tinha com o banco. Para transferir a titularidade dos empréstimos, contraídos pelos espanhóis que eram donos da Plena, o banco exigiu sócio brasileiro, além de equipamentos e mão de obra locais. Tantas condições têm um motivo: a entrada dos chineses no setor elétrico brasileiro acendeu a luz amarela do governo federal.

Uma fonte graduada ligada ao governo diz que estão em estudo formas de se inserir regras, como índice de nacionalização, ou artifícios do gênero que dificultem uma invasão chinesa no país, mas que não acabem por ferir as regras mundiais de comércio. O medo é que o poder de fogo dos chineses acabe por fazer com que o setor elétrico seja dominado pelos asiáticos. No ano passado, eles compraram parte significativa do grupo AES nos Estados Unidos, que tem ativos importantes de distribuição no Brasil.

Sem a transferência do empréstimo do BNDES, a conta da aquisição da Plena para os chineses, que já era considerada alta, ficou quase 50% mais cara. As condições do financiamento do BNDES seguiam as regras de crédito para o setor, ou seja, juros baixos e a longo prazo. Eram garantidas pelos grupos espanhóis Isolux Corsan, Abengoa, Elecnor e Cobra, até então donos das linhas de transmissão reunidas na Plena. O banco não comentou o assunto. Mas o Valor apurou que a decisão de quitação de dívida já foi informada à instituição.

Não foi só no BNDES que os chineses encontraram dificuldades. Apesar de terem tido facilmente aprovada a transferência de controle societário pelo Conselho Administrativo de Defesa da Concorrência (Cade) e pela Agência Nacional de Energia Elétrica, esta última também tem imposto condições. A State Grid tinha a intenção de trocar a dívida do BNDES por outra de algum banco chinês, mas a Aneel exigiu que não fosse feita por nenhuma holding e que fosse aprovada previamente pela agência. O objetivo é de que seja garantido que as condições de um novo empréstimo pelo menos se igualem às que a Plena tinha.

Mesmo com as dificuldades impostas, fontes ligadas ao banco e à Aneel contam que a State Grid vai manter o negócio. O banco Standard, que assessorou os chineses na operação, foi procurado, mas um dos executivos ligados à operação não quis dar quaisquer informações e tampouco soube passar os contatos dos chineses no Brasil.

Enquanto isso, os espanhóis esperam a liquidação financeira da aquisição que foi feita em duas partes. Isolux, Elecnor e Cobra venderam juntas 75% das ações que por R$ 3,1 bilhões. Depois a Abengoa vendeu os 25% restantes, em operação separada que exigiu inclusive um processo à parte no Cade. Estima-se que no total, já considerando o pagamento ao BNDES, o custo ultrapasse R$ 5 bilhões.

Os espanhóis decidiram se desfazer dos ativos depois do sucesso da venda da Terna Participações, que pertencia aos italianos, para a Cemig por cerca de R$ 2,5 bilhões. A própria Cemig entrou na concorrência para comprar as linhas da Plena, mas desistiu porque entendeu que o valor pedido pelos vendedores era muito elevado.

 

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