Assessoria de Imprensa
07/04/2026 08h00
O início de 2026 é marcado por um cenário de desaceleração gradual da economia brasileira, com crescimento moderado, juros ainda elevados e atividade industrial perdendo fôlego.
As indústrias processadoras de aço, representadas pela Abimetal-Sicetel (Associação Brasileira da Indústria Processadora de Aço e Sindicato Nacional da Indústria Processadora de Aço), seguem operando sob pressão em um ambiente que combina a demanda ainda enfraquecida e o aumento da concorrência externa.
O desempenho do primeiro trimestre permanece abaixo do observado no mesmo período do ano passado, indicando que que ainda n&ati
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O início de 2026 é marcado por um cenário de desaceleração gradual da economia brasileira, com crescimento moderado, juros ainda elevados e atividade industrial perdendo fôlego.
As indústrias processadoras de aço, representadas pela Abimetal-Sicetel (Associação Brasileira da Indústria Processadora de Aço e Sindicato Nacional da Indústria Processadora de Aço), seguem operando sob pressão em um ambiente que combina a demanda ainda enfraquecida e o aumento da concorrência externa.
O desempenho do primeiro trimestre permanece abaixo do observado no mesmo período do ano passado, indicando que que ainda não há recuperação.
O cenário reforça os desafios de competitividade enfrentados pela indústria nacional em um contexto de transformações no mercado global. Dados recentes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apresentam uma queda na produção industrial de 8%, comparando fevereiro de 2025 com o mesmo mês em 2026.
“O resultado reflete um ambiente de demanda fragilizada, ao mesmo tempo em que se intensificam fatores externos que impactam a competitividade da indústria nacional”, explica Ricardo Martins, presidente da Abimetal-Sicetel.
Nesse contexto, as importações de produtos processados de aço seguem como um dos principais elementos de atenção. Embora o primeiro bimestre de 2026 tenha registrado queda de 10,8% em volume e 13,8% em valor frente ao mesmo período de 2025, o movimento ocorre após um ciclo prolongado de crescimento.
Entre 2019 e 2025, o volume importado avançou cerca de 95%, ultrapassando 821 mil toneladas, consolidando uma mudança estrutural no padrão de abastecimento do mercado brasileiro. Paralelamente, observa-se a redução dos preços médios internacionais, ampliando a pressão competitiva sobre os produtores domésticos, segundo dados de relatório elaborado pela Abimetal-Sicetel.
Pressão externa persistente e elevação de custos intensificam desafios - A análise desagregada das importações indica que a desaceleração recente não ocorre de forma uniforme entre os segmentos. De acordo com o relatório econômico da associação, 96 produtos avaliados, 49 registraram aumento no início de 2026, sendo 36 com crescimento superior a 10%, o que evidencia uma redistribuição da competitividade externa em nichos específicos.
A China permanece como principal origem, concentrando 58,9% do volume importado, com diferencial relevante de preços em relação ao mercado interno - em alguns casos, até 40% inferiores -, o que amplia o deslocamento da produção nacional em diversos segmentos.
“Os dados mostram um avanço consistente em segmentos estratégicos, com destaque para a presença crescente de produtos importados, especialmente da China. Esse movimento, associado a diferenças relevantes de preços, acaba criando distorções competitivas importantes e ampliando o deslocamento da produção nacional. É um processo que merece maior atenção do Governo Federal, pois impacta diretamente a sustentabilidade da indústria brasileira ao longo da cadeia”, afirma o presidente da Abimetal-Sicetel.
Ao mesmo tempo, o ambiente internacional apresenta uma inflexão na trajetória de preços do aço e de seus insumos. O minério de ferro acumula alta de 2,8% no início de 2026, enquanto produtos como a bobina a frio de aço inoxidável registram elevação superior a 8%. Esse movimento, associado à expectativa de restrições de oferta no mercado asiático e à elevação dos custos logísticos, tende a pressionar a estrutura de custos da indústria processadora brasileira, reduzindo margens em um contexto de forte concorrência com produtos importados.
Para Martins, o cenário exige atenção contínua. “O setor enfrenta um desequilíbrio relevante entre custos e preços. A permanência de importações em níveis elevados, associada à elevação dos custos de insumos, compromete a competitividade da indústria nacional e reforça a necessidade de medidas que promovam condições mais equilibradas de concorrência”, defende.
Diante desse panorama, a expectativa é que o segundo trimestre do ano siga desafiador para o setor de processamento do aço. A possível manutenção de custos elevados de insumos e a dinâmica do mercado internacional podem influenciar, a longo prazo, o desempenho da indústria nacional.
“A indústria brasileira está no limite de sua capacidade de adaptação a momentos desafiadores. O governo brasileiro precisa estar atento a essas dificuldades, pois o momento requer políticas públicas de defesa da indústria. Cabe ao governo intensificar o combate às importações subfaturadas, que afetam diretamente a competitividade da indústria, ao mesmo tempo que deixam de recolher tributos, o que poderia justificar o aumento do efetivo de fiscalização para combater esses ilícitos”, pontua o presidente da Abimetal-Sicetel.
06 de abril 2026
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