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Valor Econômico
19/11/2010 13h12 | Atualizada em 19/11/2010 15h13
O grupo sucroalcooleiro Cerradinho e a BP (ex-British Petroleum) devem assinar na primeira quinzena de dezembro o acordo no qual a petroleira ficará com 50% de participação nas três usinas do grupo paulista. A data inicialmente marcada para a assinatura é 10 de dezembro, e o acordo deve prever gestão compartilhada dos ativos da Cerradinho, novo alongamento de dívidas e investimentos em cogeração de energia.
Procuradas, as duas empresas não comentaram o assunto. Segundo fontes ouvidas pelo Valor, o conselho de administração da Cerradinho terá cinco cadeiras. Duas serão ocupadas por representantes do grupo paulista e as outras duas, por integrantes da petroleira. O quinto assento será destinado a um membro independente.
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O grupo sucroalcooleiro Cerradinho e a BP (ex-British Petroleum) devem assinar na primeira quinzena de dezembro o acordo no qual a petroleira ficará com 50% de participação nas três usinas do grupo paulista. A data inicialmente marcada para a assinatura é 10 de dezembro, e o acordo deve prever gestão compartilhada dos ativos da Cerradinho, novo alongamento de dívidas e investimentos em cogeração de energia.
Procuradas, as duas empresas não comentaram o assunto. Segundo fontes ouvidas pelo Valor, o conselho de administração da Cerradinho terá cinco cadeiras. Duas serão ocupadas por representantes do grupo paulista e as outras duas, por integrantes da petroleira. O quinto assento será destinado a um membro independente.
Com mais essa aquisição, a companhia inglesa passará a ter no Brasil participação em ativos de açúcar e álcool com capacidade total de processamento de 12 milhões a 13 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. O número considera os 9 milhões a 10 milhões de toneladas totais do grupo Cerradinho e os 2,5 milhões de toneladas da Tropical Bioenergia (Edéia-GO), primeira usina adquirida pela da BP no país, em 2008, e que tem como sócias a francesa Louis Dreyfus e o Grupo Maeda, hoje controlado pelo fundo Arion Capital.
A petroleira reforça também sua atuação global em biocombustíveis que, desde 2006, demandou da companhia investimentos de US$ 1,5 bilhão.
Para levar metade das três usinas da Cerradinho, a BP deve pagar um valor próximo de R$ 100 por tonelada de capacidade de moagem instalada. Dado o tamanho das usinas, isso deve significar, segundo fontes, cerca de R$ 800 milhões. A negociação também inclui a assunção de dívidas, que em 30 de abril de 2010 eram de R$ 1,27 bilhão, dos quais R$ 240,9 milhões no curto prazo, segundo balanço divulgado neste ano pela empresa.
Essa composição do endividamento já é resultado de uma renegociação dos débitos de curto prazo, feita em 2009 com 11 bancos privados, mas que já começariam a vencer em abril de 2011. No entanto, com a entrada da BP, a Cerradinho conseguiu outro alongamento dos seus débitos com carência de mais dois anos, segundo fontes ouvidas pela reportagem.
Parte do aporte da petroleira será usado para realizar alguns ajustes finais no projeto do "greenfield" em Goiás, que começou a operar nesta safra. Os recursos também serão aplicados para ampliar a capacidade de cogeração de energia com bagaço de cana em Goiás e em Catanduva (SP). Segundo o balanço da companhia referente ao exercício findo em 30 de abril deste ano, a capacidade de cogeração do grupo é de 185 MegaWatts nas suas três usinas.
Na temporada 2009/10, terminada em 30 de abril, a Cerradinho obteve lucro de R$ 23,7 milhões, ante prejuízo de R$ 207 milhões da temporada anterior.
Desde 2006, quando a Cerradinho iniciou um forte ciclo de investimentos - até então a empresa tinha apenas uma usina -, foram aplicados R$ 1,57 bilhão. Além da ampliação da sua primeira usina, a Catanduva, e da construção da Potirendaba, ambas em São Paulo, o grupo implantou seu primeiro "greenfield" fora de São Paulo: uma usina de álcool em Chapadão do Sul (GO) e um terminal ferroviário de etanol, que começou a operar neste ano.
A princípio, o acordo da petroleira com a Cerradinho não deve se estender à usina Tropical, na qual a BP tem 50%. Mas, segundo fontes, a petroleira busca um parceiro operacional para tocar o projeto da Tropical, com a saída já anunciada do Grupo Maeda.
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