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Alstom eleva tom para conquistar Belo Monte

DCI

28/06/2010 12h37 | Atualizada em 28/06/2010 15h47


SÃO PAULO - De olho em um contrato que, segundo estimativas de mercado, deverá ficar entre R$ 6 bilhões e R$ 7 bilhões para o fornecimento de equipamentos para a Usina Hidroelétrica Belo Monte, o presidente da Alstom Brasil, o francês Philippe Delleur, partiu para o ataque. O executivo defende que o Consórcio Norte Energia não paute a escolha do responsável pelos sistemas da usina apenas pelo preço, pois segundo ele, o projeto apresenta muitos riscos para que possa ficar nas mãos de uma empresa que não possua a experiência da europeia nesse tipo de usinas no Brasil.

As conversas da Alstom se concentram com representantes do governo federal, que detém 49,98% de participação na usina por meio da Eletrobras. Em entrevista exclusiva

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SÃO PAULO - De olho em um contrato que, segundo estimativas de mercado, deverá ficar entre R$ 6 bilhões e R$ 7 bilhões para o fornecimento de equipamentos para a Usina Hidroelétrica Belo Monte, o presidente da Alstom Brasil, o francês Philippe Delleur, partiu para o ataque. O executivo defende que o Consórcio Norte Energia não paute a escolha do responsável pelos sistemas da usina apenas pelo preço, pois segundo ele, o projeto apresenta muitos riscos para que possa ficar nas mãos de uma empresa que não possua a experiência da europeia nesse tipo de usinas no Brasil.

As conversas da Alstom se concentram com representantes do governo federal, que detém 49,98% de participação na usina por meio da Eletrobras. Em entrevista exclusiva ao DCI, Delleur disse que todos os participantes do consórcio liderado pela companhia que ele preside já realizaram um esforço para melhorar a competitividade da proposta técnico-econômica apresentada e que envolve um contrato EPC - aquele no qual o consórcio é o responsável por todo o projeto, no caso, de sistemas elétricos para o empreendimento.

Na opinião de Delleur não adianta o Consórcio Norte Energia avaliar apenas o menor preço para a decisão de compra na questão dos equipamentos que serão instalados na Usina Belo Monte. Segundo oexecutivo, deve-se olhar para os riscos do projeto, da construção, riscos logísticos, e para a competitividade da energia que será gerada.

"A grande incógnita para os custos de Belo Monte está mais ligada à construção civil, como o número de canais", comentou ele. "Os custos dos equipamentos já são bem conhecidos, não há muito espaço para manobra entre os concorrentes porque não há muita diferença de preços para a alta tecnologia, os valores já estão consolidados no mercado", apontou Delleur.

Segundo essa proposta, a Alstom ficaria encarregada do fornecimento de 18 turbinas tipo Francis para a casa de força principal e mais 4 do tipo bulbo para a casa de força secundária.

Recentemente, o presidente do Norte Energia, José Aílton de Lima, que também é diretor de Engenharia e Construção da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), foi taxativo ao afirmar que a escolha do fornecedor dos equipamentos para a hidroelétrica de Belo Monte se daria basicamente pelo preço. A declaração se deu após o último leilão de linhas de transmissão promovido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), em São Paulo, há cerca de 15 dias.

Muito possivelmente a Alstom tenha até mesmo que apresentar uma adequação da proposta ao Norte Energia porque, segundo Lima, os estudos de otimização da usina apontam para a possibilidade de eliminação da casa de força secundária em função da redução de um canal, previsto inicialmente pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Dessa forma, Belo Monte passaria a ter apenas as 18 unidades geradoras na casa de força principal. Essa adequação reduziria o custo de concretagem em R$ 1 bilhão nas contas do executivo da Chesf.

Defesa
Para o presidente da Alstom, o fato de a empresa já trabalhar há muitos anos no projeto de Belo Monte traz vantagens que podem superar os riscos que a construção da usina apresenta, entre eles o mais relevante para as empresas é o custo financeiro de um atraso no início da operação. "Se você sair dos prazos contratuais vai criar um custo financeiro muito importante para os sócios da usina", argumentou ele.

Delleur defende que a Alstom é a única empresa com a capacidade já comprovada para construir esse tipo de usina em meio a uma floresta tropical. Segundo ele, há concorrentes (ele não quis apontar quais) que dizem fazer o mesmo projeto, mas que nunca realizaram nada parecido e que não se sabe se poderão garantir o atendimento do prazo para a obra, que a seu ver é muito apertado para que um eventual atraso seja assumido.

Segundo as regras da Aneel, o Consórcio Norte Energia tem até 2015 para iniciar a operação da primeira unidade geradora de Belo Monte cuja maior parte da energia será destinada ao mercado de tarifa regulada pela agência. A antecipação da geração é uma das formas que a empresa, que será formada pelo Norte Energia, tem para rentabilizar o projeto, pois esse excedente pode ser comercializado no mercado livre, cujos preços são sensivelmente mais elevados. Do lado contrário, se a obra atrasar, a empresa fica obrigada a adquirir energia de terceiros para cumprir os contratos de fornecimento ao mercado regulado.

Apesar de afirmar que a Alstom não quer protecionismo à indústria nacional, Philippe Delleur argumenta que o fato de a empresa já estar estabelecida no País é um ponto importante para a escolha, diferentemente dos concorrentes, que importarão os equipamentos ou que ainda devem iniciar a construção de fábrica no Brasil. Para ele, escolher a Alstom traria mais empregos, fortaleceria a indústria de base brasileira e auxiliaria na balança comercial brasileira.

"Não dá para o País desperdiçar essa oportunidade em função da disputa por preços, cuja diferença entre as propostas deve ser muito pequena", disse.

Expansão
A Alstom não está de olho apenas no contrato de Belo Monte, mas em todas as oportunidades do setor elétrico brasileiro e de transportes. Em geração, por meio de hidroelétricas, pequenas centrais hidroelétricas (PCHs) e eólicas. Para esta última, investe R$ 50 milhões em uma fábrica de aerogeradores na Bahia.

Além disso, a companhia aposta na integração das atividades da sua mais nova divisão, a de transmissão e distribuição para crescer no Brasil. Nesse contexto, a linha de transmissão da própria usina no rio Xingu, que deverá ser leiloada em meados de 2011, segundo revelou o diretor-geral da Aneel, Nelson Hubner.

Obedecendo à política da empresa, ele não revela números do Brasil, mas diz que com o crescimento da economia local é natural que a representatividade da subsidiária aumente no resultado consolidado da Alstom no mundo. Atualmente, diz ele, a fábrica está com a capacidade instalada com bom nível de ocupação, reflexo das vendas. Sobre o índice de expansão, ele resume: "Cresceremos um dígito".

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