ABRIR
FECHAR
ABRIR
FECHAR
16 de agosto de 2016
Voltar
Retrofit

Uma viagem no tempo

Retrofit de dois prédios históricos de alto valor arquitetônico deflagram processo de revitalização do Centro Antigo de Salvador

Praça Castro Alves, em Salvador, no início dos anos 40. À direita, o prédio do Jornal A Tarde e no Centro, o Palace Hotel

Dois prédios em estilo art decó com elevado valor histórico situados em pleno Centro Antigo de Salvador (BA),   abandonados há décadas embora tombados pelo  Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Ipham), estão sendo reformados e modernizados, preservando as suas características arquitetônicas. Os dois projetos de retrofit fazem parte de um projeto mais amplo, que prevê a revitalização da região onde se localizam, hoje muito degradada. Os prédios são o tradicional Palace Hotel, um dos primeiros hotéis de luxo do estado, referência de diversão e luxo para a burguesia baiana até meados da década de 70, e a velha sede do jornal A Tarde, imponente edifício de sete andares, o primeiro a ser executado em concreto armado na cidade.

Os dois projetos são fruto de investimentos da iniciativa privada que, junto com o Governo do Estado, tem apostado no centro da capital baiana como oportunidade de negócios e de promoção do desenvolvimento da cidade. Tanto a antiga sede do jornal A Tarde quanto o velho Palace Hotel serão transformados em hotéis de luxo. Paralelamente a essas ações dos investidores particulares, o governo do estado comprometeu-se a aportar R$ 123 milhões na requalificação dos bairros do Centro Antigo.

Palace Hotel, uma viagem no tempo

Nas décadas de 1920 e 1930, quem fosse a Salvador e não se hospedasse no Palace Hotel decididamente não era chique. Da cobertura do imponente prédio de oito andares com formato triangular, inspirado na arquitetura do Flatiron Building, de Nova York, podia-se ver, em 360 graus, a deslumbrante Baía de Todos os Santos. Referência de luxo naqueles tempos em que a burguesia baiana esbanjava a riqueza extraída das prósperas fazendas de cacau do sul do estado, se hospedar no Palace era símbolo de status. Com cerca de 6 mil m² de área construída, o hotel teve suas obras concluídas em 1934, a mando do comendador Bernardo Martins Catharino.

Além dos fazendeiros de cacau e dos ricos tradicionais da elite baiana, que frequentavam seu cassino – que funcionou até 1946, quando os jogos de azar foram proibidos no Brasil – o hotel era reduto obrigatório de artista


Praça Castro Alves, em Salvador, no início dos anos 40. À direita, o prédio do Jornal A Tarde e no Centro, o Palace Hotel

Dois prédios em estilo art decó com elevado valor histórico situados em pleno Centro Antigo de Salvador (BA),   abandonados há décadas embora tombados pelo  Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Ipham), estão sendo reformados e modernizados, preservando as suas características arquitetônicas. Os dois projetos de retrofit fazem parte de um projeto mais amplo, que prevê a revitalização da região onde se localizam, hoje muito degradada. Os prédios são o tradicional Palace Hotel, um dos primeiros hotéis de luxo do estado, referência de diversão e luxo para a burguesia baiana até meados da década de 70, e a velha sede do jornal A Tarde, imponente edifício de sete andares, o primeiro a ser executado em concreto armado na cidade.

Os dois projetos são fruto de investimentos da iniciativa privada que, junto com o Governo do Estado, tem apostado no centro da capital baiana como oportunidade de negócios e de promoção do desenvolvimento da cidade. Tanto a antiga sede do jornal A Tarde quanto o velho Palace Hotel serão transformados em hotéis de luxo. Paralelamente a essas ações dos investidores particulares, o governo do estado comprometeu-se a aportar R$ 123 milhões na requalificação dos bairros do Centro Antigo.

Palace Hotel, uma viagem no tempo

Nas décadas de 1920 e 1930, quem fosse a Salvador e não se hospedasse no Palace Hotel decididamente não era chique. Da cobertura do imponente prédio de oito andares com formato triangular, inspirado na arquitetura do Flatiron Building, de Nova York, podia-se ver, em 360 graus, a deslumbrante Baía de Todos os Santos. Referência de luxo naqueles tempos em que a burguesia baiana esbanjava a riqueza extraída das prósperas fazendas de cacau do sul do estado, se hospedar no Palace era símbolo de status. Com cerca de 6 mil m² de área construída, o hotel teve suas obras concluídas em 1934, a mando do comendador Bernardo Martins Catharino.

Além dos fazendeiros de cacau e dos ricos tradicionais da elite baiana, que frequentavam seu cassino – que funcionou até 1946, quando os jogos de azar foram proibidos no Brasil – o hotel era reduto obrigatório de artistas internacionais e de políticos de passagem pela Bahia, como Getúlio Vargas, que lá esteve por duas vezes, enquanto Presidente da República. Durante a Segunda Guerra Mundial, oficiais americanos eram vistos com frequência pelos seus corredores e suítes.

O Palace se situa na Rua Chile, uma referência da boemia soteropolitana nas décadas de 40, 50 e 60, onde os rapazes ricos iam flertar com as moças que frequentavam as mais elegantes lojas de roupas da cidade. A poucos metros do hotel ficava a loja Sloper, que vendia perfumes, joias, e finos utensílios femininos. Na década de 1970, no entanto, todo esse glamour mudou-se para outro polo da cidade: os bairros da Barra e Pituba onde foi construído o primeiro shopping center da capital baiana, o Iguatemi. Na mesma direção mudaram-se bancos, cinemas, consultórios, escritórios etc. Assim o velho Palace conheceu a decadência, junto com Centro Antigo de Salvador, que hoje não é sequer a sombra do que foi no passado.

Esses tempos de luxo, no entanto, podem estar de volta em breve, junto com um novo ciclo de vida para a região.  Com a fachada coberta por tapumes, o prédio está sendo inteiramente reformado, aos cuidados do arquiteto dinamarquês Adam Kurdahl, depois de ter sido adquirido pelo empresário Antonio Mazzafera, dono da Fera Investimentos.

A ideia é promover um reforço brutal da estrutura do edifício; modernizar suas instalações elétricas, hidráulicas, rede de refrigeração e demais redes de utilidades; recuperar 629 janelas e 2.250 m² de parquets originais, o piso de mármore branco e a escada, onde o granito ainda é o original. Enfim, todos os detalhes que caracterizam o estilo art déco do prédio serão cuidadosamente recuperados conforme o projeto original. No primeiro andar, o grande salão, onde no passado funcionava o restaurante, ganhou colunas novas, com reforço de estrutura, para abrigar um futuro salão de eventos.

De acordo com Antonio Mazzafera, antes do início das obras, em setembro de 2014, foi realizado estudo sobre o tipo de material utilizado na construção do imóvel, em 1934, para que o material seja replicado no prédio reformado.

As obras devem ser concluídas ainda em 2016, e o velho Palace voltará a ser um hotel de luxo, com seus 81 apartamentos e capacidade para receber 160 hóspedes.

Um dos grandes desafios do projeto é a instalação de uma piscina de 25 metros, tida revestida de azulejos portugueses, além de um spa, uma academia e uma área de lazer no terraço, onde a visão para a Baía de Todos-os-Santos alcança os 360 graus. Para isso o telhado do último andar foi removido para a implantação de deck de madeira.

O prédio contará, também, com salão de festas e eventos com capacidade para 300 pessoas, dois restaurantes e dois bares.

O grupo Fera informa que, entre a compra do imóvel e a reforma, já foram investidos R$ 50 milhões no retrofit do Hotel Palace.

De redação de jornal a hotel de luxo

A menos de 50 metros do Palace Hotel vê-se o velho prédio de sete andares, em estilo art déco, inaugurado em 1930. Marco arquitetônico da Cidade do Salvador, tanto por suas características históricas quanto pelos aspectos construtivos, o imponente edifício ocupa lugar de destaque na Praça Castro Alves, portal de entrada da capital baiana, carregado de significados e referências culturais.

As obras foram iniciadas em 28 de julho de 1928 para sediar o Jornal A Tarde, à época um dos mais importantes diários de notícias do Nordeste do País. Abandonado gradativamente, a partir de 1975, após a transferência do jornal para uma nova sede, o suntuoso prédio vinha se degradando, até ter seu valor arquitetônico reconhecido. Primeiro foi tombado pelo patrimônio histórico e arquitetônico estadual. Agora está passando por severo processo de retrofit para receber mais uma unidade hoteleira do grupo Fasano.

As obras estão em andamento, com previsão para a conclusão em abril de 2017. O investimento total será de R$ 78 milhões, parte em recursos próprios, parte em financiamento do Banco do Nordeste do Brasil, através da linha de crédito hoteleira  do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE). A expectativa é de que ele gere 300 empregos diretos durante a sua construção e cerca de 200 durante todo o processo operacional.

De propriedade da Prima Empreendimentos Inovadores, responsável também pelo projeto de retrofit, o hotel deverá, juntamente com o Palace Hotel, devolver ao Centro Histórico de Salvador a sua vocação para o turismo. Quando as obras forem concluídas, o prédio contará com 70 suítes, todas com vista para o mar da Baía de Todos os Santos. Destas, seis serão masters e terão 176 m². Além disso, haverá piscina, bares, restaurantes e uma galeria dedicada à história do jornal A Tarde.

O edifício, erguido pela construtora E. Kemnitz Cia. & Ltda., apesar de ter sido abandonado por tanto tempo, ainda mantém sua caixa murária íntegra. Nos subsolos e primeiro andar do imóvel funcionavam a redação e as máquinas de impressão. Do segundo ao quarto andares funcionavam consultórios médicos e odontológicos, além de escritórios de advogados e construtoras, como a Norberto Odebrecht Engenharia. Nos pisos acima ficava o Hotel Wagner.

As obras já começaram com previsão de conclusão em 18 meses. Cerca de R$ 17 milhões, dos R$ 78 milhões previstos, já foram consumidos em obras de engenharia para preparar a edificação para implementar o projeto arquitetônico desenvolvido pelo paulista Isay Weinfeld.

O processo de restauro é delicado. Uma equipe de profissionais em restauração foi contratada pela empresa, para que cada detalhe do prédio possa ser recuperado para lhe devolver a imponência do passado. A fachada externa, toda feita em pó de pedra, passará por um tratamento e voltará a sua cor original. O trabalho de retrofit inclui a recuperação de esquadrias de madeira, escadarias de ferro, mármores italianos, pisos e tetos. Os lambris de madeira que recobrem parte das paredes do primeiro andar, onde ficava a redação, também serão restaurados. Toda a fundação e estrutura de pilares estão sendo reforçadas.

Para trazer de volta um pouco da história da Bahia, a Prima pretende fazer algumas suítes temáticas que representem os quase 100 anos do prédio. Nos subsolos funcionará a área de serviço, enquanto no térreo ficarão a recepção, o lobby e o restaurante Gero, ícone da gastronomia italiana gerida pela família Fasano.

 

 

 

Av. Francisco Matarazzo, 404 Cj. 701/703 Água Branca - CEP 05001-000 São Paulo/SP

Telefone (11) 3662-4159

© Sobratema. A reprodução do conteúdo total ou parcial é autorizada, desde que citada a fonte. Política de privacidade