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12 de abril de 2017
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Concreto Hoje

O que há de concreto no muro de Trump?

Com 1,6 mil km de extensão e um custo de até 25 bilhões de dólares, o muro entre os Estados Unidos e México deve consumir 12,6 milhões de m3 de concreto.

Muitas pessoas ainda questionam a viabilidade do projeto proposto pelo presidente Donald Trump para a separação dos Estados Unidos e México com um muro de 1,6 mil km, que é a extensão da fronteira entre os dois países. Apesar do desafio imposto pela obra, em se confirmando sua característica persistência na imposição de seus propósitos, Trump deverá implementar uma obra que só encontra similar na história com a construção da Grande Muralha da China. Obviamente, guardando as devidas proporções diante de projetos cuja distância no tempo relativiza os esforços e inovações que marcaram cada um deles.

Cálculos preliminares do mercado, divulgados em uma publicação da Cimento Itambé, estimam que a obra exigiria investimentos entre 15 e 25 bilhões de dólares. Seu custo, aliás, já despertou celeumas em uma comissão instalada no Congresso norte-americano para tratar do assunto – mesmo diante da vaga promessa de Trump de apresentar a conta da obra para o outro lado do muro. Outro fator a se considerar é a complexidade de um projeto que deverá atravessar quatro estados americanos – Califórnia, Novo México, Arizona e Texas – e extensas regiões de deserto, além de metade de seu trajeto ser às margens dos rios Grande e Colorado.

Como base de cálculos, é possível comparar o muro de Trump com a barreira de 670 km implantada na fronteira entre os dois países em 2006, durante a gestão George W. Bush. Constituída basicamente de barras de aço, a obra consumiu investimentos de 2,4 bilhões de dólares. O projeto do novo muro, que vem sendo idealizado em concreto, deveria adotar uma altura mínima de 20 metros para cumprir sua função de impedir o ingresso de imigrantes indesejados, além de suas fundações atingirem uma profundidade de até cinco metros, para dificultar escavações.

A convite da consultoria de investimentos AllianceBernstein, o engenheiro estrutural Ali F. Rhuzkan fez um mapeamento do projeto e dos desafios impostos à sua execução. Confrontando sua área e extensão, ele avalia que a estrutura consumiria cerca de 12,6 milhões de metros cúbicos de concreto e algo em torno de 4,1 milhões de metros de vergalhões de aço. Além desses números posicionarem o projeto como o maior já realizado na história dos Estados Unidos, eles colocam em dúvida a capacidade de suprimento da obra com insumos básicos, como cimento, areia, brita e aço. Isto, pelo menos, sem impactar o


Muitas pessoas ainda questionam a viabilidade do projeto proposto pelo presidente Donald Trump para a separação dos Estados Unidos e México com um muro de 1,6 mil km, que é a extensão da fronteira entre os dois países. Apesar do desafio imposto pela obra, em se confirmando sua característica persistência na imposição de seus propósitos, Trump deverá implementar uma obra que só encontra similar na história com a construção da Grande Muralha da China. Obviamente, guardando as devidas proporções diante de projetos cuja distância no tempo relativiza os esforços e inovações que marcaram cada um deles.

Cálculos preliminares do mercado, divulgados em uma publicação da Cimento Itambé, estimam que a obra exigiria investimentos entre 15 e 25 bilhões de dólares. Seu custo, aliás, já despertou celeumas em uma comissão instalada no Congresso norte-americano para tratar do assunto – mesmo diante da vaga promessa de Trump de apresentar a conta da obra para o outro lado do muro. Outro fator a se considerar é a complexidade de um projeto que deverá atravessar quatro estados americanos – Califórnia, Novo México, Arizona e Texas – e extensas regiões de deserto, além de metade de seu trajeto ser às margens dos rios Grande e Colorado.

Como base de cálculos, é possível comparar o muro de Trump com a barreira de 670 km implantada na fronteira entre os dois países em 2006, durante a gestão George W. Bush. Constituída basicamente de barras de aço, a obra consumiu investimentos de 2,4 bilhões de dólares. O projeto do novo muro, que vem sendo idealizado em concreto, deveria adotar uma altura mínima de 20 metros para cumprir sua função de impedir o ingresso de imigrantes indesejados, além de suas fundações atingirem uma profundidade de até cinco metros, para dificultar escavações.

A convite da consultoria de investimentos AllianceBernstein, o engenheiro estrutural Ali F. Rhuzkan fez um mapeamento do projeto e dos desafios impostos à sua execução. Confrontando sua área e extensão, ele avalia que a estrutura consumiria cerca de 12,6 milhões de metros cúbicos de concreto e algo em torno de 4,1 milhões de metros de vergalhões de aço. Além desses números posicionarem o projeto como o maior já realizado na história dos Estados Unidos, eles colocam em dúvida a capacidade de suprimento da obra com insumos básicos, como cimento, areia, brita e aço. Isto, pelo menos, sem impactar o mercado de construção civil do país.

O especialista avalia que, devido ao clima de deserto na região, que inviabiliza a concretagem in loco por gerar riscos de patologias no concreto durante seu processo de cura, a estrutura deveria ser implantada com peças pré-fabricadas. Nesse caso, além da dúvida quanto à capacidade de abastecimento, outro problema se impõe ao projeto: a logística para transporte e montagem das peças pré-moldadas, o que pode elevar os custos do projeto a patamares insustentáveis.

Aos que duvidam da construção do muro por dificuldades de suprimento à obra, um comunicado irônico surgiu no mercado para garantir sua execução. A Cemex, empresa de origem mexicana e um dos maiores produtores de materiais de construção do mundo, informou que está disposta a fornecer cimento para o projeto. Resta saber se Trump seguirá seu mantra (“contratar só americano, comprar só de americano”), mesmo porque a cimenteira tem operações nos Estados Unidos que respondem por cerca de 28% de suas receitas globais, uma participação maior que a do seu país sede, o México, com 20% e a Europa, com 22%.

Ao longo da história, apenas três muros usando pedras e concreto foram erguidos para a separação de fronteiras. Os mais notórios são a Muralha da China, de 8,8 mil km de extensão, construída entre 221 a.C e 1664 d.C, e o Muro de Berlim, símbolo dos tempos da Guerra Fria, erguido em 1961. Esta última estrutura, que tinha 154 km e foi demolida em 1989, teve um custo de construção de cerca de 200 milhões de dólares, em valores atuais.

A última estrutura é o muro que separa Israel da Cisjordânia, cuja obra começou em 2002. Projetado para ter 721 quilômetros de comprimento e oito metros de altura, o muro contava com cerca de 70% das estruturas executadas até 2016. Ele tem trincheiras de 2 metros de profundidade, além de arame farpado e torres de vigilância a cada 300 metros de distância. Por se tratar da obra mais recente nesse rol de projetos históricos, foi a única delas executada em placas de concreto pré-moldado.

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