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07 de novembro de 2017
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Concreto Hoje

Esgoto rende voto sim

Mercado de tubos e aduelas de concreto acredita na retomada dos investimentos em saneamento básico e mostra como está preparado tecnologicamente para atender à demanda crescente neste e em outros setores da infraestrutura.
Por Rodrigo Conceição Santos

Apesar das novas aplicações mais recentes de tubos e aduelas de concreto pré-fabricados (galerias técnicas, piscininhas, etc) – como publicado por esta coluna na edição anterior – especialistas do setor confirmam que o saneamento básico ainda é o grande consumidor desse tipo de estrutura. Isso porque há um grande caminho a percorrer até que se atinja a universalidade do abastecimento de água e da coleta de esgoto aos quase 210 milhões de brasileiros.

Dados do Instituto Trata Brasil projetam a necessidade de investir R$ 317 bilhões nos próximos 20 anos para alcançar a universalização do saneamento básico. “Mais do que isso, um estudo do Instituto Trata Brasil mostra que a cada R$ 1,00 investido em saneamento, economiza-se R$ 4,00 em saúde pública, o que se tornou um argumento governamental fortíssimo para que os investimentos em redes de água e esgoto deixem de ter pouca notoriedade para os projetos políticos”, diz ela sobre a máxima de que o que está enterrado não rende voto.

Marcelo Kaiuca, diretor da Multibloco, reforça que a conta da ineficiência dos governos nos últimos 35 anos precisa ser sanada, e traz números a respeito. “Na década de 1980 existia um programa do Governo Federal chamado Plano Nacional de Saneamento Básico, cuja meta era ter 80% da população abastecida com água e 60% atendida com esgoto até o final da década de 1990”, diz ele. “Estamos em 2017 e aquela meta de água foi atingida recentemente, mas pouco mais de 50% da população tem esgoto”, completa.

Para Carolina Yumi, gerente do departamento técnico da ABTC (Associação Brasileira dos Fabricantes de Tubos de Concreto), além desse déficit, há ainda o desafio do crescimento populacional e a manutenção de redes já existentes, processos nos quais as tubulações de concreto pré-fabricadas têm forte entrada.

Além disso, segundo ela, os tubos, aduelas e poços de visita produzidos em concreto pré-fabricado estão inseridos em grande volume nos projetos de drenagem e esgoto, que fazem parte do saneamento básico. “Temos ciência de que as obras diminuíram devido à crise política e econômica nos últimos dois anos, mas a demanda deverá aumentar pelas causas já citadas”, diz ela.

Qualidade de produção

Segundo a executiva da ABTC, os tubos e aduelas são fabricados com “concreto seco”, ou seja, com menor quantidade de água, desde que não comprometa a


Apesar das novas aplicações mais recentes de tubos e aduelas de concreto pré-fabricados (galerias técnicas, piscininhas, etc) – como publicado por esta coluna na edição anterior – especialistas do setor confirmam que o saneamento básico ainda é o grande consumidor desse tipo de estrutura. Isso porque há um grande caminho a percorrer até que se atinja a universalidade do abastecimento de água e da coleta de esgoto aos quase 210 milhões de brasileiros.

Dados do Instituto Trata Brasil projetam a necessidade de investir R$ 317 bilhões nos próximos 20 anos para alcançar a universalização do saneamento básico. “Mais do que isso, um estudo do Instituto Trata Brasil mostra que a cada R$ 1,00 investido em saneamento, economiza-se R$ 4,00 em saúde pública, o que se tornou um argumento governamental fortíssimo para que os investimentos em redes de água e esgoto deixem de ter pouca notoriedade para os projetos políticos”, diz ela sobre a máxima de que o que está enterrado não rende voto.

Marcelo Kaiuca, diretor da Multibloco, reforça que a conta da ineficiência dos governos nos últimos 35 anos precisa ser sanada, e traz números a respeito. “Na década de 1980 existia um programa do Governo Federal chamado Plano Nacional de Saneamento Básico, cuja meta era ter 80% da população abastecida com água e 60% atendida com esgoto até o final da década de 1990”, diz ele. “Estamos em 2017 e aquela meta de água foi atingida recentemente, mas pouco mais de 50% da população tem esgoto”, completa.

Para Carolina Yumi, gerente do departamento técnico da ABTC (Associação Brasileira dos Fabricantes de Tubos de Concreto), além desse déficit, há ainda o desafio do crescimento populacional e a manutenção de redes já existentes, processos nos quais as tubulações de concreto pré-fabricadas têm forte entrada.

Além disso, segundo ela, os tubos, aduelas e poços de visita produzidos em concreto pré-fabricado estão inseridos em grande volume nos projetos de drenagem e esgoto, que fazem parte do saneamento básico. “Temos ciência de que as obras diminuíram devido à crise política e econômica nos últimos dois anos, mas a demanda deverá aumentar pelas causas já citadas”, diz ela.

Qualidade de produção

Segundo a executiva da ABTC, os tubos e aduelas são fabricados com “concreto seco”, ou seja, com menor quantidade de água, desde que não comprometa a qualidade da mistura. Isso otimiza o processo de desforma, permitindo a utilização da fôrma para a fabricação de outra peça mais rapidamente. “O concreto auto adensável também é utilizado em alguns projetos específicos, mas nesse caso é preciso ter atenção quanto ao prazo de desforma, que é mais lento, e à necessidade de manutenção mais frequente das fôrmas”, diz ela. “Também há uso de aditivos diversos, o que é escolhido por cada fabricante dependendo da aplicação. Mas eles podem ser utilizados para auxiliar a produção de várias maneiras, com a ressalva de que devem ser livres de cloretos para que não ocorra ataque às armaduras de aço”, completa.

Segundo Raphael Petrucci, diretor da Engetubo, nas fábricas atuais há nível de automação elevado, com centrais dosadoras de concreto automatizadas e com controlador lógico programável (CLP), traços bem definidos, laboratórios próprios que realizam diversos tipos de ensaios da mistura, emissão de laudos, armações produzidas com robôs e outros.

Validando o nível tecnológico avançado, Alírio Gimenez, diretor da Fermix, explica que a produção de tubos de concreto segue basicamente dois processos de fabricação: por adensamento por compressão radial ou vibratório. “Há casos de combinação desses dois processos”, salienta.

Ele explica que os tubos de concreto são classificados como condutos rígidos, com dimensionamento estrutural bem definido, e por isso podem ser projetados para qualquer tipo de sobrecarga acidental e altura de aterro. “É comum constatarmos a utilização dos tubos de concreto em obras rodoviárias, aeroviárias, ferroviárias e outras de grande porte, o que evidencia a larga aplicabilidade e atendimento às necessidades estruturais dos projetos”, acredita ele.

Carolina Yumi complementa que condutos podem ser classificados como rígidos ou flexíveis, e que os pré-fabricados de concreto atendem à primeira categoria, sendo autoportantes (resistentes por si só). “Já o material plástico, por exemplo, é um conduto flexível no qual mais de 80% da sua capacidade quanto aos esforços solicitantes depende de fatores não estruturais, como o solo que o envolve ou o tipo de assentamento executado”, diz ela.

A ABTC e seus associados preferem não classificar produtos concorrentes diretamente e sim defender que há uma solução ideal para cada obra. No entanto, ela compara que, no uso de tubos flexíveis, há um cuidado grande na forma de assentar o tubo, visto que, se o assentamento for incorreto, ele não atenderá ao desempenho desejado. “Já com tubulações rígidas, de concreto, um assentamento bem executado não é condição exclusiva para a resistência do produto, visto que o próprio tubo tem condições de atender a esse requisito”, conclui.

SANEAMENTO BÁSICO: INVESTIMENTOS À VISTA

O senador Waldemir Moka (PMDB-MS) disse recentemente que a deficiência da cobertura do saneamento básico no Brasil tem implicado prejuízo à saúde da população e ao meio ambiente. Segundo ele, se tivéssemos 100% da população com acesso a esgoto, haveria uma redução de 74,6 mil internações ao ano. O senador é o relator da Comissão de Assuntos Sociais (CAS), que aprovou em junho deste ano o Projeto de Lei 52/2017, prevendo a concessão de crédito tributário durante cinco anos às empresas que aumentarem seus investimentos em saneamento básico. A proposta seguiu para análise terminativa da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado e deve passar ainda por outras aprovações do Legislativo e do Executivo até se tornar Lei.

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