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17 de maio de 2018
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Transporte / Gabe Klein defende diversificar opções de transporte aos cidadãos

Sou da geração X (nascida nos anos 1970) e posso dizer que nós é que fomos os pioneiros. Nos anos 1990 e começo dos anos 2000, decidimos que não queríamos o “suburban way of life” (estilo de vida suburbano). É uma reengenharia social que ganhou força nos últimos 15 anos. E há o fato de os millenials estarem saindo da faculdade cheios de dívidas, sem interesse em ter bens e propriedades, até porque não têm condições de adquirir. Querem experimentar a vida, e não “possuir” a vida. São mais conectados a pessoas do que a bens – exceto em relação a seus celulares, é claro.

De que um sistema cicloviário precisa para ser bem-sucedido?

É muito importante que o governo dê segurança para outros modais além do carro. Se você não se sente seguro, não usa. É preciso ter uma separação que proteja o ciclista, bairros com velocidade reduzida. Tão importante quanto oferecer ciclovias é o compartilhamento de bikes, que dão às pessoas a oportunidade de tentar.

A mesma lógica vale para os serviços de compartilhamento de carros?

Sim. Por causa da maneira como as cidades foram desenhadas, às vezes você precisa de carro. Mas esses serviços eliminaram a necessidade de as pessoas terem o carro. Em lugares onde 70% a 80% das pessoas dirigem, a oferta de todos esses serviços pode reduzir o número de veículos nas ruas em até 30% em 20 anos.

Como calcular tarifas para o transporte?

Se tivéssemos um uso adequado da terra, criaríamos moradias de boa qualidade e boa localização a preços acessíveis, e o problema do transporte já estaria praticamente resolvido. As empresas querem ter acesso à cidade, e a cidade pode oferecer isso a elas exigindo em troca serviços a preços acessíveis. Às vezes ser acessível tem mais a ver com garantir a oferta desses serviços em todo o território do que definir o preço deles.

Cabe ao governo oferecer subsídios?

Há situações em que o subsídio é necessário. Claro que o ideal é que haja um modelo que funcione de maneira independente, com decisões baseadas em políticas de mobilidade e também na lucratividade, cobrindo custos o quanto for possível. Mas devemos lembrar que o segmento de transporte que mais recebeu subsídios foi a indústria automobilística.

Falando nisso, o senhor considera os carros autônomos o futuro da mobilidade?

Não, eles são apenas uma tecnologia. Precisamos de uma combinação de meios de transporte de qualidade de alta capacidade para os trajetos mais longos e de boas opções de baixa capacidade para a última milha.