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17 de maio de 2018
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Transporte

Gabe Klein defende diversificar opções de transporte aos cidadãos

Entrevista com Gabe Klein, consultor para startups de trânsito
Fonte: O Estado de São Paulo

A figura de Gabe Klein sintetiza o caminho pelo qual a mobilidade evolui: uma combinação de iniciativas e pontos de vista vindos tanto do setor público quanto do privado. Klein, de 47 anos, iniciou sua trajetória profissional na Bike USA, que nos anos 1990 era a maior rede varejista americana do setor. Depois, assumiu a vice-presidência da Zipcar, com o desafio de convencer a todos de que compartilhar o mesmo carro era boa ideia. O ano era 2002 e ainda levaria cerca de sete anos até os serviços de transporte por aplicativo serem lançados.

Mais tarde, tornou-se diretor do Departamento de Trânsito de Washington D.C. e ajudou a popularizar o uso de bicicletas. A experiência o levou a assumir o Departamento de Trânsito de Chicago, onde implementou um novo sistema de compartilhamento de bikes. Hoje, é consultor para startups de trânsito e atua para a Fontinalis Partners, fundo que investe em mobilidade.

No fim deste mês, Klein participa do Summit Mobilidade Urbana Latam, em São Paulo, detalhando as experiências. De Washington, ele deu a seguinte entrevista:

Há soluções de trânsito que funcionam para todas as cidades ou cada caso é um caso?

Existem verdades básicas e simples, que independem da geografia ou da escala. Todos seres humanos almejam estarem perto de outras pessoas, em espaços abertos e se deslocarem facilmente. A partir daí é possível analisar outras camadas de opções. Um lugar como São Paulo ou Nova York é diferente de Washington ou Miami, a densidade é outra. Então pode haver necessidade de metrô, veículos leves sobre trilhos e bicicletas compartilhadas.

O que aprendeu de mais importante no setor privado?

Em companhias como a Zipcar, startups e até no setor público, aprendi que é preciso focar no cliente. Às vezes, quando a burocracia é grande, seja de uma corporação ou do próprio governo, as equipes focam demais em sustentar a burocracia e em políticas internas, e não o bastante no que as pessoas precisam.

Qual a diferença?

Nos anos 1960 e 1970, as pessoas dirigiam para qualquer lugar. Se você perguntasse a elas o que queriam, diriam: “Mais estradas”. Precisamos achar maneiras de mostrar às pessoas o que está disponível, para que saibam que há mais do que comprar um carro.

Esta mudança tem a ver com os millenials, a geração nascida nos anos 1980?