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04 de outubro de 2013
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Sobratema 25 anos

Uma trincheira na luta pela modernização tecnológica no Brasil

Ao longo de 25 anos, entidade consolida papel de interlocutora entre o Brasil e o mundo, na área de tecnologia para os setores da construção, mineração e infraestrutura

Corria o ano de 1995. O Brasil tentava esquecer o pesadelo da inflação a 80% ao mês e vivia a esperança de possuir uma moeda estável a partir do Plano Real, instituído em 1994 pelo então presidente Itamar Franco e seu ministro de economia Fernando Henrique Cardoso – posteriormente eleito presidente da República. A cada manhã, muitos brasileiros ainda se espantavam ao comprar o pãozinho pelo mesmo preço do dia anterior, enquanto outros sonhavam com a possibilidade de pilotar automóveis importados, em vez das “carroças”, como o ex-presidente Fernando Collor de Mello chamara os veículos nacionais, antes de sofrer o impeachment.

O país surfava na onda da liberação econômica e ressentia-se pelo atraso tecnológico visível em todos os campos da sociedade, uma das heranças amargas deixadas pelos anos 1980, a chamada Década Perdida.

Romper o isolamento tecnológico e ter acesso a máquinas e equipamentos de ponta a fim de empregá-los nos canteiros de obras era o sonho do grupo de engenheiros e profissionais que fundou a Associação Brasileira de Tecnologia para Equipamentos e Manutenção (Sobratema). Criada em 1988 – mesmo ano da promulgação da Constituinte – e na esteira do processo de redemocratização do País, a entidade formara-se justamente com esse objetivo: promover a renovação tecnológica e estimular a troca de informações com outros mercados, no campo das máquinas e equipamentos para a construção. Até então, este era um privilégio de poucos pioneiros que iam pessoalmente conhecer as novidades em feiras e congressos fora do Brasil.

A abertura do mercado brasileiro ao exterior, iniciada por Fernando Collor, foi o pontapé inicial para a inserção do Brasil no processo de globalização da economia, estimulando as empresas do setor de máquinas e equipamentos a repensar os investimentos no mercado brasileiro, com novas revendas e, em alguns casos, até mesmo com a instalação de fábricas.

Entretanto, mesmo com o processo de abertura econômica, a maior parte dos setores produtivos brasileiros via-se desagregada, sem uma unidade que facilitasse o processo de modernização e abrisse um canal de intercâmbio comercial com as empresas do exterior, detentoras das tecnologias mais avançadas. Isso acontecia também com a construção, que nem era vista como um setor industrial, dado o nível de atraso tecnológico e a aplicação de técnicas primárias e artesanais. As construtoras mais modernas, capazes de buscar as tecnologias mais avançadas, como o uso em escala de máquinas e equipamentos, enfrentavam a dificuldade de acompanhar um mercado tão diversificado no exterior, mas refratário no Brasil.