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04 de outubro de 2013
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Matéria de Capa - Portos

Suape, a joia da coroa portuária nordestina

Vantagens competitivas do complexo portuário atraem empresas para a formação de importante polo logístico, da indústria naval e da cadeia de petróleo e gás

No estado de Pernambuco, no Nordeste brasileiro, a feliz combinação de um porto com águas profundas, localização estratégica em relação às principais rotas de navegação e proximidade com grandes centros de consumo criaram as condições ideais para a instalação de complexo industrial que vem crescendo em ritmo acelerado, tornando-se um indutor de desenvolvimento econômico e tecnológico na região. Com obras para todos os lados, a retroárea do Porto de Suape é hoje importante destino para investidores nacionais e internacionais, nos mais diversos setores da economia.

Suape é emblemático do desenvolvimento de Pernambuco, assegurando ao estado índices de crescimento econômico muito acima da média nacional. De acordo com a Agência Estadual de Planejamento e Pesquisa de Pernambuco (Condepe/Fidem), Pernambuco teve um crescimento de 2,3% em 2012, em relação ao seu Produto Interno Bruto (PIB), atingindo os R$ 115,6 bilhões. O resultado superou o crescimento registrado pela economia brasileira no mesmo período, cujo incremento foi de apenas 0,9%. A expectativa da Condepe/Fidem para o desenvolvimento da economia pernambucana em 2013 é de 4,5%.

Os empreendimentos já instalados ou em fase de instalação no complexo têm gerado grande procura por força de trabalho qualificado e especializado, tendo em vista a ampliação da infraestrutura para movimentação de cargas no porto e os investimentos em plantas industriais.

De acordo com o presidente da Condepe/Fidem, Maurílio Lima, mesmo diante da crise econômica internacional, Pernambuco tem conseguido manter o bom desempenho graças a uma série de políticas públicas que alavancaram os índices positivos. “A economia de Pernambuco vem, desde 2007, apresentando taxas médias de crescimento e aumento dos índices de emprego, valorização do salário mínimo e ascensão de novas categorias sociais. Esse resultado se deve, principalmente, às políticas de incentivo ao desenvolvimento econômico no âmbito estadual e federal”, afirma.

Também na contramão do que está acontecendo no restante do País, onde se verifica forte tendência à desindustrialização, em Pernambuco o setor industrial manteve trajetória de crescimento, registrando alta de 3,7%. Tal desempenho foi alavancado principalmente pela cadeia da construção civil, seguida pela indústria da transformação, com 8,3% e 2%, respectiv


No estado de Pernambuco, no Nordeste brasileiro, a feliz combinação de um porto com águas profundas, localização estratégica em relação às principais rotas de navegação e proximidade com grandes centros de consumo criaram as condições ideais para a instalação de complexo industrial que vem crescendo em ritmo acelerado, tornando-se um indutor de desenvolvimento econômico e tecnológico na região. Com obras para todos os lados, a retroárea do Porto de Suape é hoje importante destino para investidores nacionais e internacionais, nos mais diversos setores da economia.

Suape é emblemático do desenvolvimento de Pernambuco, assegurando ao estado índices de crescimento econômico muito acima da média nacional. De acordo com a Agência Estadual de Planejamento e Pesquisa de Pernambuco (Condepe/Fidem), Pernambuco teve um crescimento de 2,3% em 2012, em relação ao seu Produto Interno Bruto (PIB), atingindo os R$ 115,6 bilhões. O resultado superou o crescimento registrado pela economia brasileira no mesmo período, cujo incremento foi de apenas 0,9%. A expectativa da Condepe/Fidem para o desenvolvimento da economia pernambucana em 2013 é de 4,5%.

Os empreendimentos já instalados ou em fase de instalação no complexo têm gerado grande procura por força de trabalho qualificado e especializado, tendo em vista a ampliação da infraestrutura para movimentação de cargas no porto e os investimentos em plantas industriais.

De acordo com o presidente da Condepe/Fidem, Maurílio Lima, mesmo diante da crise econômica internacional, Pernambuco tem conseguido manter o bom desempenho graças a uma série de políticas públicas que alavancaram os índices positivos. “A economia de Pernambuco vem, desde 2007, apresentando taxas médias de crescimento e aumento dos índices de emprego, valorização do salário mínimo e ascensão de novas categorias sociais. Esse resultado se deve, principalmente, às políticas de incentivo ao desenvolvimento econômico no âmbito estadual e federal”, afirma.

Também na contramão do que está acontecendo no restante do País, onde se verifica forte tendência à desindustrialização, em Pernambuco o setor industrial manteve trajetória de crescimento, registrando alta de 3,7%. Tal desempenho foi alavancado principalmente pela cadeia da construção civil, seguida pela indústria da transformação, com 8,3% e 2%, respectivamente. “O ritmo de crescimento deverá ser mantido em 2013. Nossa indústria da transformação e o setor automotivo deverão se destacar ainda mais a partir dos grandes empreendimentos em Suape, como a Refinaria Abreu e Lima”, disse Lima.

Localização estratégica

Situados na porção sul da Região Metropolitana do Recife, tanto o porto quanto o complexo industrial estão em fase de consolidação e expansão, com empreendimentos de grande porte. Sua área de abrangência compreende cinco municípios: Cabo de Santo Agostinho, Ipojuca, Jaboatão dos Guararapes, Moreno e Escada, num total de 1.774 km².

O porto destaca-se pela curta distância, de apenas oito dias, da costa norte-americana e do Leste Europeu. Com perfil concentrador de cargas (hub port), Suape está interligado a mais de 160 portos em todos os continentes.

No primeiro semestre deste ano, a movimentação de cargas no Porto de Suape apresentou uma alta de 3,3%, em comparação com os seis primeiros meses de 2012. O volume passou de 5,3 milhões de toneladas para 5,5 milhões de toneladas no período. Neste balanço, Suape manteve seu perfil de porto importador: foram 4,4 milhões de toneladas de importação e 1,1 milhão de toneladas exportadas. No semestre, o porto recebeu um total de 665 navios, 2,6% a mais em relação ao primeiro semestre do ano anterior.

A importação das chapas de aço para o Estaleiro Promar, que entrou em operação em junho (ver matéria nesta edição), contribuiu para este desempenho, pois a movimentação de cargas soltas subiu de 78.997 para 139.705 toneladas no período. Também apresentou resultado positivo nestes seis primeiros meses a movimentação de granéis líquidos – álcool, diesel, gasolina, querosene de aviação, óleo de soja, ácido, entre outros. A alta para este tipo de carga chegou a 8,8%, sendo atribuída principalmente a uma maior movimentação de óleo combustível para abastecimento das termelétricas.

A movimentação de contêineres apresentou, por sua vez, uma evolução de 4,2% no primeiro semestre de 2013 ante o mesmo período do ano passado. A única queda registrada foi na movimentação de granéis sólidos (grãos em geral, escória, clínquer, entre outros), que registrou uma ligeira baixa de 2,2%, passando de 358.594 para 350.841 toneladas nos últimos seis meses.

Obras para excelência operacional

Para aumentar a competitividade e alcançar a excelência operacional, estão sendo realizados pesados investimentos no desenvolvimento da infraestrutura portuária e em obras estruturadoras.

Estão previstos investimentos de R$ 920,3 milhões, financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), dentro do Programa de Desenvolvimento da Infraestrutura de Áreas Portuárias. Os recursos serão usados em obras de terraplenagem, pavimentação, iluminação viária e sinalização da zona industrial de Suape. Os recursos também serão utilizados na construção de pontes, viadutos, pavimentação, sinalização e requalificação de vias.

Outra obra importante, já em andamento, é a da dragagem e derrocagem do canal de acesso ao porto externo do Complexo Industrial, que acaba de receber reforço de R$ 98,5 milhões do governo federal. Atualmente, as obras estão com 90% de avanço físico e o término está previsto para o fim do ano. O investimento nos serviços é de R$ 340 milhões, dos quais R$ 200 milhões do governo de Pernambuco e R$ 140 milhões da Secretaria Especial dos Portos (SEP), com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

De acordo com o diretor de Engenharia e Meio Ambiente de Suape, Victor Vieira, a obra é estratégica para o crescimento do porto, pois permitirá a chegada dos super petroleiros que abastecerão a Refinaria Abreu e Lima (Rnest). O canal, que possui seis quilômetros de extensão e 210 metros de largura, está sendo aprofundado de 16 para 20 metros.

Suape é um porto de águas naturalmente profundas e já recebe grandes embarcações. No entanto, com a conclusão da dragagem, será permitida a entrada, entre outros tipos de navios, do Suezmax, que chega a medir 280 metros de comprimento e possui capacidade para 170 mil toneladas de carga (170.000 TPB). Atualmente, Suape recebe mais de 1.300 navios por ano, que movimentam, por exemplo, contêineres, combustíveis, trigo e peças de projetos.

O programa de capacitação da infraestrutura contempla intervenções portuárias, rodoviárias, ferroviárias, retroportuárias e de pesquisa ambiental. Durante a fase de implantação, segundo informações do governo do estado, serão criados cerca de 2 mil novos postos de trabalho.

Entre as obras previstas estão a duplicação do Tronco Distribuidor Rodoviário Norte (TDR-Norte) e a implantação do contorno do Cabo de Santo Agostinho (Via Expressa de Suape). O financiamento prevê, ainda, a implantação de veículo leve sobre trilhos (VLT) para transporte público de passageiros entre os terminais do Cajueiro Seco e do Cabo de Santo Agostinho (já existentes) até a Estação Rodoferroviária de Massangana (a ser recuperada) no complexo.

A expectativa é de que seja recuperada a linha férrea, construídas novas estações, implantados viadutos – um ferroviário e um rodoviário – e restaurada uma ponte. No porto, será reforçado o entroncamento de proteção do aterro. Os cabeços Norte e Sul da abertura dos arrecifes para acesso ao porto interno também receberão obras de proteção.

O porto interno terá áreas dragadas para a futura construção de mais quatro cais (6, 7, 8 e 9). O Cais de Múltiplos Usos passará por uma recuperação estrutural. Também serão realizadas obras de dragagem no cluster naval, possibilitando a instalação de novos estaleiros, segundo o governo.

A operação contempla ainda a construção, em Suape, do Centro de Tecnologia Ambiental (CTA), um espaço voltado para o estudo, a pesquisa e o cuidado de áreas degradadas, formação de agentes ambientais e centro de produção de mudas com laboratório.

Cais de Múltiplos Usos

O Complexo Industrial Portuário de Suape realizou no início de julho audiência pública sobre as obras do Cais de Múltiplos Usos e acessos rodoviários à Ilha de Cocaia. A apresentação foi realizada pelo diretor de Engenharia e Meio Ambiente, Victor Vieira, no auditório do Centro Administrativo. O edital da licitação deve ser lançado até o fim de setembro e a execução das obras está estimada para ocorrer em 30 meses.

A obra está incluída no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Está prevista a construção de um cais de 380 metros de extensão no local e dragagem de 5,18 milhões de m3 de materiais do fundo do mar. O Terminal de Múltiplos Usos custará cerca de R$ 400 milhões e será dimensionado para movimentar, de início, 20 milhões de toneladas por ano de clínquer e o minério de ferro trazido do Piauí pela ferrovia Transnordestina; coque de petróleo proveniente da Refinaria Abreu e Lima; insumos para fabricação de cimento e, possivelmente, soja.

A licitação será realizada pelo Regime Diferenciado de Contratações Públicas (RDC). A empresa vencedora ficará responsável pela construção do cais e dos acessos, caracterizando o regime de contratação integrada. Caberá a ela elaborar e desenvolver os projetos básico e executivo, executar as obras e serviços de engenharia, a montagem, a realização de testes, a pré-operação e todas as demais operações necessárias e suficientes para a entrega final do objeto.

Na audiência pública estavam presentes representantes das empresas Andrade Gutierrez, Dragabras, OAS, Construcap e Fundações Especiais, entre outras.