Mineração
Portal A Crítica
25/07/2011 14h41 | Atualizada em 25/07/2011 18h27
O silêncio que, em boa parte da Área de Proteção Ambiental (APA) do bairro Tarumã, na Zona Oeste de Manaus, só era quebrado pelos sons da floresta, vem dando lugar a estrondos de explosões e ao barulho das máquinas, que avançam pela mata até de madrugada e não param nem nos finais de semana.
Nos últimos dez dias, tratores e caçambas voltaram a atuar com mais intensidade no entorno dos igarapés da Bolívia e do Tarumã, levando os moradores a suspeitar da reativação de pedreiras que, entre as décadas de 1970 e 1980, foram responsáveis pela degradação das áreas verdes do bairro.
Desativadas há pelo menos 20 anos, as pedreiras se espalhavam por toda a extensão da AP
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O silêncio que, em boa parte da Área de Proteção Ambiental (APA) do bairro Tarumã, na Zona Oeste de Manaus, só era quebrado pelos sons da floresta, vem dando lugar a estrondos de explosões e ao barulho das máquinas, que avançam pela mata até de madrugada e não param nem nos finais de semana.
Nos últimos dez dias, tratores e caçambas voltaram a atuar com mais intensidade no entorno dos igarapés da Bolívia e do Tarumã, levando os moradores a suspeitar da reativação de pedreiras que, entre as décadas de 1970 e 1980, foram responsáveis pela degradação das áreas verdes do bairro.
Desativadas há pelo menos 20 anos, as pedreiras se espalhavam por toda a extensão da APA do Tarumã, que tem mais de 22 mil hectares e, mesmo depois desse tempo todo, é possível notar as marcas que essas práticas de exploração deixaram na área em um breve sobrevoo.
Clareiras no meio da mata e pilhas de pedras e barro podem ser vistos do alto e são indícios que reforçam as denúncias de exploração ilegal dos recursos naturais feitas pelos moradores.
“Há mais de dez anos, nós, moradores do Tarumã, convivíamos com essas explosões, que faziam parte da rotina da mineração e da exploração. Depois do rastro de destruição que deixaram, todas as pedreiras foram fechadas, mas há dez dias voltamos a ouvir as explosões”, alertou o arquiteto e urbanista Almir de Oliveira, que mora no bairro há 12 anos.
De acordo com ele, os moradores do local, especialmente aqueles que moram no entorno dos igarapés do Tarumã e da Bolívia, voltaram a conviver com o barulho das explosões que ocorrem, normalmente, entre os finais de tarde e a madrugada.
“Não sabemos ao certo dizer de onde vêm essas explosões. A única certeza é que as máquinas estão trabalhando com muita intensidade e esses barulhos vêm do meio da mata”, relatou.
O morador conta que, na semana passada, as explosões e o barulho das máquinas ocorreram de forma diuturna. “Nem mesmo depois das 22h as explosões param. Com a volta desses ruídos, nosso medo é que as pedreiras e aquelas explorações também estejam voltando.”
A arqueóloga Helena Lima, 32, que também mora no bairro, mais precisamente no ramal do Laureano, conta que as explosões ocorrem também nos finais de semana, como aconteceu no último sábado (23), na outra margem do igarapé da Bolívia.
“São quase 20h de um sábado e as explosões continuam, assim como os caminhões e tratores, a noite toda. As indústrias e as explorações e desmatamentos estão chegando aos nossos quintais. Não sabemos o que está acontecendo e isso nos preocupa muito. Não podemos voltar ao tempo das pedreiras, elas são uma ameaça ao nosso último fragmento de vida silvestre, que é o Tarumã”, alertou.
Expansão urbana
Nos últimos anos, a APA do Tarumã vem sofrendo uma pressão das invasões, como o Parque São Pedro, e da expansão urbana. Nos últimos meses, outras duas invasões foram registradas: a Paraíso Tropical, onde 150 famílias indígenas acampam desde abril, e a José de Alencar, de onde mais de 1,4 mil famílias foram retiradas em junho, após quatro meses deocupação.
Sem licenças
Nenhuma licença ambiental para extração mineral dentro da APA do Tarumã foi expedida pelo município ou pelo Estado. É o que informaram a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) e o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), por meio de suas assessorias de comunicação.
O presidente do Ipaam, Ademir Stroski, disse não ter conhecimento sobre obras licenciadas naquela região, ou mesmo a respeito da reativação de pedreiras no Tarumã.
“Mas diante das denúncias dos moradores, vamos enviar uma equipe de fiscalização ao local, para que seja feito um levantamento dessas atividades.”
Já a Semmas, após tomar conhecimento das denúncias, iniciará um levantamento da área para identificar se alguma atividade de extração mineral está em curso. Caso seja localizada atividade irregular, as providências cabíveis serão tomadas, informa a secretaria.
Ocupações irregulares
Um relatório elaborado pela Semmas dá conta de que 33% das 606 áreas de proteção ambiental da capital já sofreram ocupações irregulares.
Uma delas é a APA do Tarumã, criada por decreto municipal em 2008. Com área de 22,6 mil hectares, mede o equivalente ao território de 56 bairros das zonas Norte, Leste, Sul, Centro-Sul, Oeste e Centro-Oeste de Manaus.
Qualidade de vida
Há aproimadamente dois anos, a arqueóloga Helena Lima, 32, resolveu sair da área central de Manaus, para morar no terreno que há oito anos havia comprado no Tarumã.
“Moro no ramal do Laureano e minha chácara acaba no igarapé da Bolívia. Comprei este terreno em busca de melhor qualidade de vida para mim e minhas filhas. Fiz um investimento para a vida toda, mas agora vejo que isso está ameaçado pela expansão urbana desenfreada”, lamenta.
Segundo ela, nos últimos dias, os sons de explosões na área passaram a ser freqüentes.
“Parecem vir do outro lado do igarapé. O local de onde vem os barulhos estão dentro da APA do Tarumã. Se ainda não são suficientes para perturbar o sono, já estão tirando o sossego de quem vive aqui”, salienta.
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