Construção Industrial
Valor
15/02/2011 15h40 | Atualizada em 15/02/2011 17h52
Quinze dias após assumir o comando integral do Consórcio Paulista de Papel e Celulose (Conpacel), rebatizado unidade Limeira, a Suzano Papel e Celulose está pronta para consolidar a liderança no mercado de papéis de imprimir e escrever latino-americano, fortalecer a rede de distribuição na região e, dessa forma, tentar conter o avanço da concorrência na América Latina. Importante rival da Suzano nesse segmento, a International Paper (IP), maior fabricante de papéis dos Estados Unidos, já direcionou seus canhões para a região e vai perseguir o objetivo de comercializar na América Latina 100% dos papéis que produz nas três fábricas que opera no Brasil.
Em linhas gerais, 75% das vendas da Suzano, segundo o diretor da unidade de negó
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Quinze dias após assumir o comando integral do Consórcio Paulista de Papel e Celulose (Conpacel), rebatizado unidade Limeira, a Suzano Papel e Celulose está pronta para consolidar a liderança no mercado de papéis de imprimir e escrever latino-americano, fortalecer a rede de distribuição na região e, dessa forma, tentar conter o avanço da concorrência na América Latina. Importante rival da Suzano nesse segmento, a International Paper (IP), maior fabricante de papéis dos Estados Unidos, já direcionou seus canhões para a região e vai perseguir o objetivo de comercializar na América Latina 100% dos papéis que produz nas três fábricas que opera no Brasil.
Em linhas gerais, 75% das vendas da Suzano, segundo o diretor da unidade de negócios papel da Suzano, Carlos Anibal, são feitas na América Latina, percentual idêntico ao da IP Brasil. A estratégia, contudo, é diferente: manter presença nos demais mercados, ao mesmo tempo em que reforça sua posição na região. "Não faz sentido abrir mão de mercados onde a marca Report está posicionada em segmentos especiais, como Europa e Estados Unidos", afirma.
Com a aquisição da integralidade do Conpacel, a capacidade de produção de papéis de imprimir e escrever e cartão da Suzano subiu a 1,3 milhão de toneladas. Em 12 meses, até setembro, 100 mil toneladas de papel foram exportadas pela companhia para o mercado europeu, volume semelhante ao que seguiu para a América do Norte. "Não é interessante deixar essas posições e os volumes devem se manter próximos disso", diz. Garantir escala na América Latina, por outro lado, é equivalente a se beneficiar de expressivas taxas de crescimento no consumo e evitar os elevados custos de frete.
Em 2010, o consumo mundial de papel de imprimir e escrever não revestido, segundo dados da consultoria RISI apresentados pela IP, cresceu 4%, de 49,1 milhões de toneladas em 2009 para 51 milhões de toneladas. O mais expressivo índice de expansão foi registrado na América Latina, de 6%, à frente de Europa e Ásia, ambas regiões com taxa de crescimento de 5%. Na América do Norte, o consumo ficou estável.
"Na região, o crescimento nos próximos anos deve ficar entre 3,5% e 4%, o que vai atrair mais fornecedores", informa Anibal. Movimentos de consolidação regional, como o protagonizado pela Suzano na compra da totalidade de Conpacel, também são tendência em outros países e têm por objetivo formar grandes fornecedores locais, que competirão em pé de igualdade com os grandes grupos globais do setor. "Grandes players terão cada vez mais dominância regional. Então, a Suzano vai reforçar presença aqui para permanecer líder", diz ele. A meta está prevista no plano 2024, uma referência ao ano em que a companhia completará seu centenário.
No segmento de distribuição de papéis, a companhia brasileira vai olhar oportunidades, eventualmente de aquisição, em outros países da América Latina - na Argentina, já conta com operação dessa natureza. Recentemente, expatriou um gerente para o escritório de Fort Lauderdale, na Flórida, para atender de perto a clientela mexicana. "Agora, o foco é integrar a distribuição e chegar mais perto do cliente", comenta, referindo-se à estratégia que será replicada na América Latina.
A Suzano anunciou a compra da parcela da Fibria, de quem era sócia no Conpacel, no fim do ano passado por R$ 1,45 bilhão. Na negociação, a empresa da família Feffer incluiu ainda a KSR, distribuidora de papéis da antiga Votorantim Celulose e Papel (VCP), que se fundiu à Aracruz na Fibria, por outros R$ 50 milhões. Enquanto o pagamento pela Conpacel foi efetuado no fim do mês passado, a efetivação da compra da KSR está prevista para o dia 28.
A integração das distribuidoras, afirma Anibal, ampliará a presença geográfica da Suzano e complementará o portfólio da SPP-Nemo. À rede de 10 filiais da SPP vão se somar às 20 unidades da KSR, o que ampliará a presença direta da Suzano em todo o país. No Brasil, há cerca de 24 mil gráficas e entre 500 e 1 mil são atendidas diretamente pela indústria. Todo o restante é abastecido por distribuidores.
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