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Prédios em vez de mina a céu aberto

Valor

04/07/2011 15h07 | Atualizada em 05/07/2011 12h57


O aquecimento do mercado imobiliário começa a tirar da gaveta um projeto de alto custo de implantação que poderá pôr fim a um contencioso de longa duração entre os moradores do bairro de mais alta renda de Belo Horizonte e os proprietários da única mina a céu aberto na cidade, a Mineração Lagoa Seca (MLS), da família Pentagna Guimarães, que explora dolomita, utilizado na siderurgia.

A licença para exploração a céu aberto expira em abril de 2012 e não deve ser renovada pela Prefeitura. A MLS, em parceria com as construtoras Patrimar e Caparaó, tenta convencer o poder público a autorizar um projeto para a construção de 15 torres residenciais e dois edifícios comerciais na área. Segundo o diretor da Patrimar, Marcelo Martins, o valo

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O aquecimento do mercado imobiliário começa a tirar da gaveta um projeto de alto custo de implantação que poderá pôr fim a um contencioso de longa duração entre os moradores do bairro de mais alta renda de Belo Horizonte e os proprietários da única mina a céu aberto na cidade, a Mineração Lagoa Seca (MLS), da família Pentagna Guimarães, que explora dolomita, utilizado na siderurgia.

A licença para exploração a céu aberto expira em abril de 2012 e não deve ser renovada pela Prefeitura. A MLS, em parceria com as construtoras Patrimar e Caparaó, tenta convencer o poder público a autorizar um projeto para a construção de 15 torres residenciais e dois edifícios comerciais na área. Segundo o diretor da Patrimar, Marcelo Martins, o valor geral de vendas deve chegar a R$ 2 bilhões. A MLS continuaria lavrando dolomita, mas de modo subterrâneo.

Projeto imobiliário prevê 17 edifícios na Serra do Curral

Marcelo Martins, presidente da Patrimar, garante que todo o projeto vai ocupar apenas 30% da área total e que restante será aberto para uso público coletivo. O aquecimento do mercado imobiliário começa a tirar da gaveta um projeto de alto custo de implantação que poderá pôr fim a um contencioso de longa duração entre os moradores do bairro de mais alto poder aquisitivo de Belo Horizonte e os proprietários da única mina a céu aberto em operação na cidade, a Mineração Lagoa Seca (MLS), da família Pentagna Guimarães.

Com uma autorização para a lavra anual de até 600 mil toneladas de minério, a MLS começou a explorar a dolomita, uma pedra usada como insumo na indústria siderúrgica, em 1951, nas encostas da Serra do Curral. A exploração envolve detonações com dinamite, depósitos de brita e um alto fluxo de caminhões para transporte do material.

A partir dos anos 80, a área começou a ser ocupada por uma avalanche de lançamentos imobiliários de alto padrão, que formaram o bairro do Belvedere. Poucos anos depois, começou a luta de moradores pelo fechamento da mina e pela formação de um grande parque com área de 5 milhões de metros quadrados, unindo várias áreas com algum vestígio de vegetação na Serra do Curral.

A licença para exploração a céu aberto expira em abril do próximo ano e não deverá ser renovada pela prefeitura. A MLS, em parceria com as construtoras Patrimar e Caparaó tenta convencer o poder público a autorizar um projeto para a construção de 15 torres residenciais, que devem somar 650 apartamentos, além de dois edifícios comerciais de grande porte.

"Todo o projeto vai obedecer a diversas condicionantes e compensações e deverá ocupar apenas 30% da área. O custo de construção será alto. E valor de mercado será de R$ 10 mil o metro quadrado para cima. Suponho que deva ser o lançamento de maior valor já feito em Minas Gerais para construções verticais", afirmou o diretor da Patrimar, Marcelo Martins. Ele estima um valor geral de vendas (VGV) de R$ 2 bilhões.

Para Ministério Público, mineração causou danos ambientais na região e o essencial é que toda a área tenha uso coletivo

Se tudo correr como os investidores planejam, a MLS continuará lavrando dolomita, mas empregando o sistema de extração subterrânea, como a mineradora Magnesita faz em área contígua. "A quantidade de minério movimentado cai para um quinto do volume atual e os impactos ambientais decaem na mesma proporção", disse o presidente da MLS, Leonardo Teixeira. A Magnesita também era da família Pentagna Guimarães, até ser integralmente vendida para fundos de investidores em 2007, entre eles a GP Investiments.

Uma área de 1 milhão de metros quadrados será destinada para o empreendimento. O restante será ocupado pelas compensações, como uma ligação viária e um parque com áreas degradadas recuperadas. Entre as compensações que os empreendedores estão se propondo a fazer, está a urbanização da favela do Acaba Mundo, entre os bairros do Sion e do Belvedere.

Tanto a Patrimar quanto a Caparaó são empresas familiares, sem investidores externos. A Patrimar fatura cerca de R$ 300 milhões por ano, sendo aproximadamente a metade no Rio de Janeiro, onde constrói habitações populares dentro do programa "Minha Casa, Minha Vida".

A Caparaó toca atualmente sete empreendimentos e não abre números sobre a empresa, com valor geral de vendas estimado em R$ 149 milhões. De propriedade de Ney Bruzzi, a empresa deu publicidade a seu último resultado em 2007, quando comemorou o cinqüentenário e faturou na ocasião R$ 112 milhões.

A MLS integra a holding Unitas, um dos braços formado pela família Pentagna Guimarães para abrigar seus diferentes ramos de negócios. A receita proporcionada pela venda de dolomita não é alta: em 2009 representava R$ 10 milhões, segundo informou à época Lúcio Pentagna Guimarães Neto, que dirigia a empresa na ocasião.

A dolomita refratária é um minério raro no Brasil, utilizado na indústria siderúrgica e na de automóveis, como um insumo para a obtenção do magnésio metálico, mas a oferta do produto pela China acaba controlando o preço e o volume da produção brasileira.

Na última renovação de licença dada à MLS em 2005, o conselho municipal ambiental da prefeitura estabelecia 32 condicionantes que teriam que ser cumpridas pela mineradora, entre elas a destinação da área da mineração para "uso público coletivo". Para os empreendedores, o projeto não quebra este compromisso. " Se nós vamos construir dentro da área uma ligação viária, isso é um exemplo de uso público coletivo. Não há necessidade de tudo ser convertido em parque", afirmou a diretora de planejamento da Caparaó, Maria Cristina Valle.

Já o Ministério Público vê todo o investimento com grandes reservas. "A mineração a céu aberto na Serra do Curral causou danos ambientais permanentes que precisam ser compensados. O essencial é que toda a área da mineração tenha uso público coletivo, o que não necessariamente abarca toda a propriedade que eles querem destinar para este projeto", afirmou a promotora Marta Larcher, que em janeiro deste ano impediu, por meio de uma recomendação às autoridades ambientais da prefeitura, que as condicionantes fossem revistas.

Marta Larcher deixa claro que a "área de uso público coletivo" precisa coincidir com a atual área operacional da mineração, que ocupa cerca de 200 mil metros quadrados. E frisa que a prorrogação da licença da lavra a céu aberto no próximo ano está fora de cogitação. "É óbvio que a detonação de dinamite é uma atividade incompatível com a presença de gente morando ao lado", afirmou.

Os investidores também estiveram com o prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), a quem procuraram atrair acenando com o potencial do empreendimento na arrecadação pública: um adicional de R$ 50 milhões, entre IPTU e ITBI. Ouviram do prefeito que a exploração precisa ser convertida para o modo subterrâneo e que o investimento só irá se viabilizar se os investidores conseguirem vencer as resistências das comunidades ricas e pobres que cercam a área. Lembrou que projetos imobiliários com baixíssima ocupação demográfica, como a construção de casas populares na mata do Isidoro, no extremo norte da cidade, já representaram desgaste político para a prefeitura.

Para outros empreendimentos na cidade, como o da construtora Rossi na área da Pampulha, até pesquisas de opinião realizadas por institutos especializados foram encomendadas.

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