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Minas planeja captar US$ 2,5 bi para quitar dívida com Cemig

O governo de Minas Gerais quer captar entre US$ 2 bilhões e US$ 2,5 bilhões no mercado internacional para saldar uma dívida antiga que tem com a Cemig.

Valor Online

14/11/2011 13h55


Conforme antecipou o portal do Valor na sexta-feira à tarde, a estatal elétrica negocia dar um desconto entre 20% e 25% como prêmio pelo pré-pagamento e, com isso, engordar seu caixa em até R$ 4 bilhões. Os recursos vão ajudar a desalavancar a empresa e abrir espaço em seu balanço para os projetos de aquisições, entre eles a disputa pela compra da EDP, em Portugal.

O secretário de Fazenda mineiro, Leonardo Colombini, disse que a expectativa é que US$ 1,3 bilhão do que será captado venha por meio de financiamentos de bancos privados estrangeiros e o restante de instituições multilaterais. O Banco Mundial, segundo o secretário, já se comprometeu com algo entre 10% a 15% do valor total. Na sexta, o governo publicou um edital para co

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Conforme antecipou o portal do Valor na sexta-feira à tarde, a estatal elétrica negocia dar um desconto entre 20% e 25% como prêmio pelo pré-pagamento e, com isso, engordar seu caixa em até R$ 4 bilhões. Os recursos vão ajudar a desalavancar a empresa e abrir espaço em seu balanço para os projetos de aquisições, entre eles a disputa pela compra da EDP, em Portugal.

O secretário de Fazenda mineiro, Leonardo Colombini, disse que a expectativa é que US$ 1,3 bilhão do que será captado venha por meio de financiamentos de bancos privados estrangeiros e o restante de instituições multilaterais. O Banco Mundial, segundo o secretário, já se comprometeu com algo entre 10% a 15% do valor total. Na sexta, o governo publicou um edital para contratar instituições financeiras.

Antes de oficializar o interesse em tomar recursos em moeda estrangeira, o governo de Antônio Anastasia (PSDB) já vinha discutindo o assunto com bancos. "Já tivemos muitas conversas para sondar as condições de um empréstimo", disse o secretário. O objetivo dessa captação é, segundo Colombini, melhorar o perfil da dívida. Os R$ 5 bilhões devidos à Cemig são corrigidos pelo IGP-DI mais juros de 8,18% ao ano. Nem a dívida que o Estado tem com a União é tão cara (IGP-DI, acrescido de 7,5% ao ano).

"Conseguimos no mercado internacional condições melhores", disse Colombini, sem detalhar quais taxas o governo espera obter ao trocar sua dívida. No empréstimo com a Cemig, o vencimento se daria em 25 anos. "Talvez consigamos um prazo mais condizente, mas o que buscamos principalmente é a redução dos encargos", afirmou o secretário.

A dívida total de Minas está em cerca de R$ 65 bilhões - dos quais R$ 58 bilhões são com a União, R$ 5 bilhões com a Cemig e o restante, diluído entre outros credores. Anastasia é um dos governadores que têm pressionado por mudanças na forma de cálculo da dívida que alguns Estados têm com a União.

Por causa dessa dívida federal, o governo mineiro não poderia emitir títulos no mercado nacional para pagar o que deve à Cemig. Minas tampouco poderia tomar empréstimo com bancos no Brasil devido a restrições do Banco Central à concessão de crédito ao setor público, disse Colombini. Empréstimo fora do Brasil foi, portanto, a solução que restou.

A história da dívida do governo com a Cemig começou nos anos 90. Em 1997, durante o primeiro mandato do então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o então governador de Minas, Eduardo Azeredo, do mesmo partido, renegociou a dívida do Estado com a União. Na época, a União devia à Cemig, via Eletrobras. "Na negociação, a União transferiu essa dívida para Minas e em troca reduziu o valor que Minas devia à União", lembra Colombini. "Mas, para o Estado, a dívida com a Cemig acabou ficando cara."

O presidente da Cemig, Djalma Bastos, disse que a empresa ainda negocia o desconto que dará ao governo. Bastos disse que a operação favorece a companhia para concretizar novas aquisições. A estatal está bastante alavancada depois que fechou a compra de ativos de transmissão da italiana Terna e da espanhola Abengoa, além de aumentar a participação na Light. No fim do ano passado, teve que pedir perdão aos bancos Itaú e Santander por ultrapassar "covenants" (compromissos) financeiros em empréstimos.

O governo do Estado é o sócio majoritário e tem a Andrade Gutierrez como principal acionista privado, com 33% do capital total. A Andrade adquiriu a participação da americana AES. Em formulário enviado a bolsas estrangeiras, em dezembro de 2010 a empresa tinha lançado em balanço apenas R$ 1,8 bilhão referente à dívida do governo mineiro - registrada como Contrato de Cessão de Crédito do Saldo Remanescente da Conta de Resultados a Compensar (CRC).

Mesmo com o desconto que está sendo negociado com o Estado, portanto, a expectativa é que o pré-pagamento gere um ganho bilionário para a Cemig.

 

 

 

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